terça-feira, 20 de outubro de 2009

Golpe Militar de 1964
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O Golpe Militar de 1964 designa o conjunto de eventos ocorridos em 31 de março de 1964 no Brasil, e que culminaram no dia 1º de abril em um Golpe de Estado, que interrompeu o governo do presidente João Belchior Marques Goulart, também conhecido como Jango, que havia sido democraticamente eleito vice-presidente pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) – na mesma eleição que conduziu Jânio da Silva Quadros à presidência pela União Democrática Nacional (UDN). Jânio renunciou ao mandato no mesmo ano de sua posse (1961) e quem deveria substituí-lo automaticamente e assumir à Presidência era João Goulart, segundo a Constituição vigente à época e promulgada em 1946. Porém este se encontrava em uma viagem diplomática na República Popular da China. Militantes então acusaram Jango de ser comunista e o impediram de assumir seu lugar como mandatário no regime presidencialista.
Depois de muita negociação, principalmente de seu cunhado Leonel de Moura Brizola, na época governador do Rio Grande do Sul, os apoiadores de Jango e a oposição acabaram fazendo um acordo político pelo qual se criaria o regime parlamentarista, passando então João Goulart a ser chefe-de-Estado. Em 1963, porém, houve um plebiscito e o povo optou pela volta do regime presidencialista. João Goulart, finalmente, assume a presidência da República com amplos poderes, o que tornou aparente vários problemas estruturais na politica brasileira acumulados nas décadas que precederam o golpe e disputas de natureza internacional, desestabilizando o governo. O Golpe de 1964 submeteu o Brasil a uma ditadura militar alinhada politicamente com os interesses dos Estados Unidos da América, que durou até 1985, quando, indiretamente, foi eleito o primeiro presidente civil desde 1964, Tancredo Neves.
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[editar]Etimologia
O historiador político italiano Norberto Bobbio define "revolução" como "a tentativa, acompanhada do uso da violência, de derrubar as autoridades políticas existentes e de as substituir, a fim de efetuar profundas mudanças nas relações políticas, no ordenamento jurídico-constitucional e na esfera sócio econômica". Já o sociólogo norte americano Jeff Goodwin, professor da Universidade Harvard, define "revolução" como "não só como uma mobilização de massas e uma mudança de regime, mas como uma mudança mais ou menos rápida das estruturas fundamentais sociais, econômicas e culturais".
Em 1964, houve um movimento de reação, por parte de setores conservadores da sociedade brasileira - notadamente as Forças Armadas, a sociedade civil e o alto clero da Igreja Católica, apoiados fortemente pela potência dominante da época, os Estados Unidos da América - ao temor de que o Brasil viria a se transformar em uma ditadura socialista similar à praticada em Cuba, após a falha do Plano Trienal do governo de João Goulart de estabilizar a economia, seguido da acentuação do discurso de medidas vistas como comunistas na época, as quais incluíam a reforma agrária e a reforma urbana.
No dia 13 de março daquele ano, data da realização de comício em frente à Estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro, perante trezentas mil pessoas, Jango decreta a nacionalização das refinarias privadas de petróleo e desapropriação, segundo ele para a reforma agrária, de propriedades às margens de ferrovias, rodovias e zonas de irrigação de açudes públicos. Desencadeou-se uma crise no país, com a economia já desordenada e o panorama político confuso. A oposição militar veio à tona para impedir que tais reformas se consolidassem, impondo, portanto, uma manutenção da legalidade e da estrutura socioeconômica vigente.
Por isso, e pela falta de mobilização de setores mais baixos da sociedade, alguns historiadores consideram o movimento de 1964 como um golpe de Estado.
Em 1981, o general Ernesto Geisel, (Quarto presidente do regime militar), revelou para o jornalista Elio Gaspari sua opinião sobre o assunto:
"O que houve em 1964 não foi uma revolução. As revoluções fazem-se por uma idéia, em favor de uma doutrina. Nós simplesmente fizemos um movimento para derrubar João Goulart. Foi um movimento contra, e não por alguma coisa. Era contra a subversão, contra a corrupção. Em primeiro lugar, nem a subversão nem a corrupção acabam. Você pode reprimi-las, mas não as destruirá. Era algo destinado a corrigir, não a construir algo novo, e isso não é revolução".
Todavia, a definição de "golpe" vs. "revolução" não é cristalina e há divergências sobre a correção do uso de um ou outro termo, causada pelas peculiaridades do movimento que deu origem à tomada do poder pelos militares.[1]
[editar] Características gerais do novo regime e objetivos
Ver artigo principal: Ditadura militar no Brasil (1964-1985)
O golpe de Estado conduziu à época da história do Brasil que foi denominada de Regime Militar de 1964. Esta época foi caracterizada economicamente por um grande desenvolvimento do país, por meio de financiamento norte-americano em grande escala, justificado em parte pelo controle do medo comunista e das organizações de trabalhadores pelos militares, o que era interpretado como estabilidade política pelos setores predominantes da economia mundial.
Porém, tal desenvolvimento econômico foi acompanhado de uma violenta repressão política e aumento da dívida externa, especialmente durante as décadas de 1960 e 1970 sob a égide da Lei de Segurança Nacional como justificativa de manter a sociedade politicamente estável no sentido de evitar a influência de idéias comunistas em um mundo dividido entre dois regimes, mas que também atuava contra qualquer um que discordasse publicamente da atuação do regime ou que pudesse provocar tal discordância.
Além da limitação de várias liberdades (como as de expressão, imprensa e organização), naquela época tornaram-se comuns os interrogatórios, prisões e tortura daqueles considerados opositores políticos do regime militar, especialmente os que fossem considerados simpatizantes de idéias comunistas, incluindo-se muitos estudantes, jornalistas e professores. Para além das prisões, estima-se que cerca de 300 dissidentes perderam a vida. Segundo a versão defendida pelos militares, a maioria dessas mortes teria ocorrido em combate com as Forças Armadas. Entretanto, os grupos de defesa dos direitos humanos e organizações de sobreviventes da ditadura militar, estimam que este número seja muito maior.
Este fato inicial foi denominado pelos militares que o executaram bem como o regime que se sucedeu como "Revolução de 1964". Mas a noção de que se trataria de uma revolução perdeu parte de sua aceitação pela sociedade brasileira desde meados dos anos 1970, com a abertura democrática então iniciada, o que trouxe à tona os assassinatos e torturas cometidos em nome deste regime.
Vendo os movimentos de esquerda crescendo e pela influência da propaganda pelos movimentos comunistas (Veja o artigo: A esquerda armada no Brasil), foi iniciado um movimento de contra-propaganda conhecido como perigo vermelho, ou perigo comunista.
Segundo relatos publicados pelo Departamento de Documentação Histórica da Fundação Getúlio Vargas:
(sic)…Os militares envolvidos no golpe de 1964 justificaram sua ação afirmando que o objetivo era restaurar a disciplina e a hierarquia nas Forças Armadas e deter a "ameaça comunista" que, segundo eles, pairava sobre o Brasil.
Uma idéia fundamental para os golpistas era que a principal ameaça à ordem capitalista e à segurança do país não viria de fora, através de uma guerra tradicional contra exércitos estrangeiros; ela viria de dentro do próprio país, através de brasileiros que atuariam como "inimigos internos" – para usar uma expressão da época.
Esses "inimigos internos" procurariam implantar o comunismo no país pela via revolucionária, através da "subversão" da ordem existente – daí serem chamados pelos militares de "subversivos".
Reforçando a polarização ideológica havia o movimento anticomunista no Brasil profundamente enraizado em alguns setores das Forças Armadas:
(sic) "Anticomunismo", como o próprio nome diz, designa uma doutrina que se define por oposição ao comunismo. Nesse sentido, pode-se falar de anticomunismo desde que o comunismo existe. Ele ganha força, no entanto, a partir da revolução bolchevista de outubro de 1917, na Rússia, quando o comunismo se torna uma alternativa política real….
…A percepção de um "perigo comunista" no Brasil passou por um processo de crescente "concretização", até atingir seu clímax com a Revolta de 1935. Assim, após a Revolução Russa de 1917, tiveram lugar no país a criação do Partido Comunista do Brasil (depois Partido Comunista Brasileiro – PCB) em 1922; a conversão do líder "tenentista" Luís Carlos Prestes ao comunismo, em maio de 1930, e sua ida para a União Soviética, no ano seguinte; e o surgimento, em março de 1935, da Aliança Nacional Libertadora, dominada pelos comunistas. Se em 1917 o comunismo no Brasil era visto ainda como um perigo remoto, "alienígena" e "exótico", aos poucos ele foi se tornando mais próximo…
…A frustrada revolta comunista de novembro de 1935 foi um evento-chave que desencadeou um processo de institucionalização da ideologia anticomunista no interior das Forças Armadas. Os comunistas brasileiros foram acusados de serem elementos "a serviço de Moscou" e, portanto, traidores da Pátria. Os militares que tomaram parte na revolta foram, em particular, acusados de uma dupla traição: não só do país como da própria instituição militar, ferida em seus dois pilares — a hierarquia e a disciplina. Foram também rotulados de covardes, devido principalmente à acusação, até hoje controversa, de que no levante do Rio teriam assassinado colegas de farda ainda dormindo…
…O ritual de rememoração dos mortos leais ao governo, repetido a cada ano, tornava seu "sacrifício" presente, renovava os votos dos militares contra o comunismo e socializava as novas gerações nesse mesmo espírito. Foi no quadro dessa cultura institucional, marcadamente anticomunista, que se viveu a ditadura do Estado Novo e que se formaram os militares que, em 1964, assumiram o poder.
Cuba e China passaram financiar grupos de esquerda na América Latina, iniciando um movimento para implantar o comunismo na região, o que de certa forma influenciou na eclosão de uma série de golpes militares apoiados e financiados pelos Estados Unidos, que temiam o avanço comunista no Continente.
Aquela potência econômico-militar não admitiria que os movimentos igualitários e de desenvolvimento regionais fossem contaminados pela doutrina stalinista ou maoista. Com a bipolarização das ideologias houve a eclosão de inúmeros golpes de estado financiados pelo governo e empresas norte americanas.
Para se situar mais:
O IPES a o Golpe de 1964.
Leia a biografia do general Argemiro de Assis Brasil.
Raízes do Golpe de 1964.
[editar] Situação da época
[editar] Situação internacional
A Guerra Fria estava espalhando o temor pelo rápido avanço do chamado, pela extrema direita, perigo vermelho.
As esquerdas espelhavam-se nos regimes socialistas implantados em Cuba, China e União Soviética. O temor ao comunismo influenciou a eclosão de uma série de golpes militares na América Latina, seguidos por ditaduras militares de orientação ideológica à direita, com o suposto aval de sucessivos governos dos Estados Unidos da América, que consideravam a América Latina como sua área de influência.
[editar] Guerra Fria
A origem da Guerra Fria remonta da rivalidade entre os Estados Unidos e a União Soviética ocorrida em meados da Segunda Guerra Mundial.
Embora muitos afirmem existirem raízes mais profundas provindas do início do século XX, a partir do fim da década de 1940 as desavenças entre os dois blocos acirrou-se, pois, ambos afirmavam que os seus sistemas eram os vencedores da guerra que varreu o planeta na época.
É sabido que devidos esforços de guerra, acabaram por surgir as duas superpotências militares, que seguiam ideologias antagônicas, acirrando ainda mais as desavenças em todos os campos do conhecimento, da tecnologia e da cultura.
Os comunistas, através de um sistema socialista autoritário, detinham o poder do bloco através de sistemas ditatoriais, os capitalistas mantinham o poder através do controle econômico, cuja estrutura também financiava ditaduras de direita, que também eram sistemas autoritários.
Na América Latina não eram raros os governos dirigidos por caudilhos que poderiam pender para o bloco que bem lhes conviesse. Neste panorama, todos se diziam democratas.
Desta forma, o mundo estava em plena guerra fria, a maioria dos países ocidentais se diziam democráticos e afirmavam manter a livre expressão.
Dizem alguns que existiam algumas exceções às liberdades democráticas como as ditaduras na América Latina. É sabido porém, que os Estados Unidos aceitavam, financiavam e apoiavam ditaduras da direita em países nos quais acreditavam haver risco de migração para o bloco comunista, como no caso da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Haiti, Peru, Paraguai, Uruguai etc.
[editar] Situação nacional
No Brasil, o golpe de 1964 e a conseqüente tomada do poder pelos militares contou com o apoio do grande empresariado brasileiro, temeroso que as medidas reformistas do presidente João Goulart desencadeassem um golpe comunista, particularmente devida as nacionalizações.
A população, no início confusa e receosa, depois desinformada pela repressão à imprensa, acabou se acomodando à medida que a economia, aparentemente, melhorava.
[editar] Bipolarização
Durante a eclosão do golpe de 1964 havia duas correntes ideológicas no Brasil, sendo uma de esquerda e outra de direita. Aquelas correntes tinham movimentos populares de ambas facções, acredita-se financiados com capital externo. Além da polarização, existia também um forte sentimento antigetulista, dizem alguns motivador do movimento militar que derrubou Jango.
[editar] Fatores políticos
[editar] Fator desestabilizador
O golpe não foi algo repentino, ele foi amadurecendo aos poucos. O motivo alegado era o comunismo. O contexto, porém, era bem mais complexo: a estatização promovida por Jango e as visões conflitantes entre a política e a economia de ambas as correntes de pensamento, particularmente da extrema direita e extrema esquerda, vinham se contrapondo desde o início do século XX, sendo as alternativas mistas ainda em estágio embrionário.
O golpe militar de 1964 começou a ocorrer dez anos antes, em 1954. Um movimento político-militar conservador descontente com Getúlio Vargas e sua condição de ex-ditador, além de denuncias de corrupção, aliados aos Estados Unidos da América, tentou derrubar o então presidente Getúlio Vargas, que abafou o golpe terminando com sua própria vida num suicídio. A repercussão da carta-testamento de Getúlio Vargas conteve quaisquer movimentações e desestabilizou profundamente a estrutura política do Brasil.
Passados o impacto e a comoção social que se seguiram ao suicídio, em 1955 opositores de Vargas tentaram impedir as eleições sabendo de sua provável derrota.
Houve assim uma tentativa de golpe, impedida pela ação firme e corajosa do marechal Henrique Batista Duffles Teixeira Lott, que garantiu a eleição e a posterior posse de Juscelino Kubitschek.
[editar] Jânio e a tentativa de um autogolpe
Ver artigo principal: Jânio Quadros

Jânio Quadros.
Em 1961, quando Jânio Quadros renunciou, assumiu a presidência o então vice-presidente João Goulart, e houve suposições de um autogolpe fracassado.
Goulart era visto como sucessor político de Getúlio Vargas e era, também, cunhado do governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, que defendia a realização de reformas de base no Brasil, incluindo a reforma agrária e a reforma urbana.
As reformas de base desagradavam os setores conservadores, a classe média, e dirigentes de multinacionais, que vendo seus negócios em risco no Brasil financiaram em 1961 a criação do IPES. E através de seu poderio político financeiro e de lobby no Congresso Nacional acabaram por se movimentar no sentido de impedir a posse de Jango.
Por influência de grupos mais moderados, houve um acordo político estabelecendo o regime parlamentarista, o que significaria que Goulart seria chefe de estado, mas não chefe de governo - desta forma teria poderes reduzidos, mas permaneceria no governo.
Jango chegou ao poder através de uma eleição que levou Jânio Quadros à presidência pela UDN e o próprio João Goulart à vice-presidência pelo PTB. Ou seja presidente e vice-presidente eram inimigos políticos. Esta situação foi possível devido a uma legislação eleitoral que permitia que se votasse no presidente de uma chapa e no vice-presidente de outra.
Devido às forças políticas atuantes no país, em 1962 foi convocado um plebiscito para escolher qual a forma de governo o Brasil adotaria: ou retornava ao presidencialismo ou permanecia no parlamentarismo. O povo optou maciçamente pelo presidencialismo com 9,5 milhões de votos contra 2 milhões dados ao parlamentarismo. Goulart começou a governar tentando conciliar os interesses do seu governo com os interesses políticos dos mais conservadores e também dos políticos progressistas no Congresso Nacional.
Devido a boicotes de ambas as correntes, houve uma grande demora em implantar as reformas de base. Os setores mais à esquerda, inclusive dentro do próprio PTB, afastaram-se da base governista e iniciaram protestos reivindicativos. Houve um aumento de preços dos mais diversos produtos e serviços. Desta maneira, a inflação acelerou e as medidas econômicas do governo foram duramente atacadas pelos grupos mais à esquerda. Estes viam nas medidas apenas a continuação de uma política antiquada que eles mesmos combatiam. Iniciaram-se greves comandadas pela CGT, o que repercutia mal nos setores patronais.
Assim, os setores mais à esquerda e os mais à direita movimentaram-se e desestabilizaram a política e a economia.
Em 4 outubro de 1963 Goulart solicita o estado de sítio ao Congresso Nacional pelo prazo de 30 dias. A justificativa do Ministério da Justiça é que o governo necessitaria de poderes especiais para impedir a comoção de "guerra civil" que punha em perigo as instituições democráticas. A manobra foi repelida inclusive pela esquerda, e a iniciativa foi vista como uma tentativa de golpe por parte de Jango.
Houve também uma importante guinada em direção a reformas de base de inspiração socialista. Junta-se à tensão política a pressão do declínio econômico.
[editar] Revolta dos marinheiros
A Revolta dos marinheiros foi um motim realizado pelos marinheiros da Marinha do Brasil que se sucedeu em 25 de março de 1964. Constituiu-se em uma assembléia de mais de dois mil marinheiros de baixa patente (marinheiros e taifeiros), que se realizou no prédio do sindicato dos metalúrgicos, no Rio de Janeiro. Os amotinados exigiam melhores condições para os militares e também pediam apoio às reformas políticas de base apregoadas pelo presidente João Goulart. A assembléia foi chefiada por José Anselmo dos Santos, mais conhecido como Cabo Anselmo.
O então ministro da marinha, Sílvio Frota ordenou a prisão dos líderes amotinados, enviando destacamento dos fuzileiros navais, comandados pelo almirante Cândido Aragão. Ao final os fuzileiros juntam-se ao movimento.
Pouco depois da recusa do comandante Aragão em debelar o movimento, Jango expediu ordens proibindo qualquer invasão da assembléia e exonerou o ministro Mota. No dia seguinte, em 26 de março, o ministro do trabalho Amauri negociou um acordo, e os marinheiros concordaram em deixar o prédio pacificamente.
Logo em seguida, os líderes do movimento foram presos pelos militares, por motim. Goulart concedeu perdão aos amotinados, criando um forte constrangimento entre os militares diante da imprensa e sociedade. Logo depois, dia 30 de março, véspera do golpe, Goulart procurou apoio pelo seu governo junto a alguns sargentos.[2]
[editar] As estatizações e as supostas fraudes financeiras
As recentes estatizações feitas por Leonel Brizola nas companhias telefônica e de energia do Rio Grande do Sul, ambas pertencentes a grupos dos EUA, criaram um clima tenso entre Brasil e Estados Unidos.
Brizola denunciou um acordo de indenização fraudulenta feito com as companhias dos EUA, antigas proprietárias das estatais recém criadas do Rio Grande do Sul. O ministério caiu e o acordo foi suspenso, desagradando aos Estados Unidos.
[editar] Os sargentos, os estudantes e os Grupos dos Onze
Paralelamente, havia o movimento dos sargentos ideologicamente ligados ao governador Brizola. Estes pleiteavam o direito de serem eleitos, já que suas posses haviam sido impedidas pelo Supremo Tribunal Federal. O movimento estudantil, de orientação esquerdista, realizava protestos nas ruas.
O efeito da organização de sargentos e cabos em grupos políticos não pode ser subestimado em relação ao descontentamento dos militares com o governo de Jango, principalmente pela ligação destes com Brizola, que era cunhado do Presidente, pois subvertia a hierarquia militar, um dos preceitos mais importantes e talvez a própria alma das Forças Armadas.
Brizola criou o movimento chamado de Grupos dos Onze, que consistia na organização popular em grupos de onze pessoas, para fiscalizar parlamentares e militares (já prevendo tentativas de golpes) e pressionar o governo e o congresso pelas reformas de base.
[editar] Reação da direita
Os políticos do PSD, mais conservadores, temendo uma radicalização à esquerda deixam de apoiar o governo. A situação política de Goulart se torna insustentável, pois não tinha apoio total do PTB e nem dos comunistas. Não consegue governar de forma conciliatória.
A UDN e o PSD temiam pelo crescimento do PTB, já que Leonel Brizola era o favorito para as eleições presidenciais que aconteceriam.
Criou-se o medo de que Goulart levaria o país a um golpe de estado com a implantação de um regime político nos moldes de Cuba e China. Era o "perigo comunista", que serviria depois como justificativa para oo golpe.
[editar] Comício da Central do Brasil e a eclosão do golpe

João Goulart.
O comício de Goulart e Brizola, na Central do Brasil, em 13 de março de 1964, foi a chave para dar início ao golpe. Ficou conhecido como Comício da Central.[3]
Brizola e Goulart anunciavam as reformas de base, incluindo um plebiscito pela convocação de nova constituinte, a reforma agrária e a nacionalização das refinarias particulares de petróleo.[4]
Os políticos da UDN e do PSD sabiam que Brizola era favorito para as eleições presidenciais e que o povo apoiaria o seu projeto, logo, a aliança UDN-Militares-Estados Unidos inicia sua mobilização definitiva em direção ao golpe.
Desde 1961 o IPES estava mobilizando a classe média. Sendo o Brasil de maioria católica, a sociedade cristã foi mobilizada para a Marcha da Família com Deus Pela Liberdade, reunindo 500.000 pessoas.[5]
[editar] O uso da religião
Na Marcha da Família com Deus Pela Liberdade participaram quinhentas mil pessoas no dia 19 de Março de 1964. Os manifestantes foram da praça da República e seguiram em direção à praça da Sé, onde foi rezada uma missa para "salvação da democracia". O padre Patrick Peyton, conhecido por sua campanha anticomunista, rezou a missa.[5]
A marcha teve seu amplo sucesso garantido por Adhemar de Barros e Carlos Lacerda. A finalidade desta era mobilizar a maior quantidade possível de participantes para dar respaldo popular e facilitar aos militares a organização da derrubada de Goulart com o apoio dos políticos e da sociedade organizada.
Na época, setores conservadores de outras igrejas também se juntaram ao apoio às cruzadas "anticomunistas". A Igreja Metodista, por exemplo, encontrava-se dividida, com setores simpáticos às reformas de Jango, e outros fortemente alinhados aos movimentos golpistas. Cabe lembrar aqui que, mais tarde, ocorreu o fechamento da Faculdade de Teologia desta Igreja, ao final de 1968, em sintonia com o AI-5.
A movimentação popular foi financiada pelo IPES.
[editar] Apoio logístico dos EUA
[editar] Financiamento eleitoral
O presidente norte americano John Kennedy através do intervencionismo político no Brasil, ordenou o financiamento das campanhas. Segundo o ex-agente da CIA, Philip Agee, os fundos provenientes de fontes estrangeiras foram utilizados na campanha de oito candidatos aos governos dos 11 estados onde houve eleições . Houve também o apoio a 15 candidatos ao Senado, a 250 candidatos à Câmara e a mais de quinhentos candidatos às Assembléias Legislativas.
Foram feitas doações através do IBAD. Como a bancada de esquerda aumentou, as doações de campanha resultaram numa CPI, que apurou sua procedência. Veio através dos bancos Royal Bank of Canada, Bank of Boston e First National City Bank. Os militares brasileiros e com respaldo político e econômico das forças da UDN, lideradas por Carlos Lacerda, passaram modelar um movimento para remover Jango do poder.
[editar] Pedido de apoio de Lacerda
Lacerda havia pedido uma intervenção dos EUA na política brasileira, conforme entrevista ao correspondente no Brasil do Los Angeles Times, Julien Hart. Sua atitude causou uma crise política com os ministros militares solicitando o estado de sítio e a prisão de Lacerda.
O estado de sítio foi recusado pelo congresso, com a esquerda suspeitando que fosse uma armadilha dos militares para prender os líderes de esquerda como Brizola e Miguel Arraes.
[editar] Operações de logística
Como os arquivos do governo de Lyndon Johnson comprovariam, vinte anos mais tarde, foi feita uma operação militar chamada Operação Brother Sam para atuar no Brasil em apoio à Operação Popeye dos militares.
Somente no ano de 1962, quase cinco mil cidadãos americanos entraram no Brasil, número muito superior à média histórica conforme estudo de Jorge Ferreira em Rev. Bras. Hist. vol.24 no.47, São Paulo 2004, "A estratégia do confronto: a frente de mobilização popular".
Ainda: (sic) "…o deputado José Joffily, do partido Social-Democrático (PSD), denunciou a "penetration" e, no princípio de 1963, o jornalista José Frejat, através de "O Semanário", revelou que mais de 5.000 militares norte-americanos, "fantasiados de civis", desenvolviam, no Nordeste, intenso trabalho de espionagem e desagregação do Brasil, para dividir o território nacional…"
Darcy Ribeiro citou ainda que "foi desencadeado com forte contingente armado, postado no Porto de Vitória, com instruções de marchar sobre Belo Horizonte.".
A "Brother Sam" objetivava abastecer com combustível e armas os militares golpistas. O porta-aviões americano USS Forrestal (CVA-59) e destróieres foram enviados à costa brasileira e ficaram próximos do porto de Vitória (ES).
[editar] Correntes de pensamento da época
Jango, por sua natureza populista seguia a tradição de Getúlio Vargas, além de influência da esquerda. Os militares impunham a segurança e o desenvolvimento conforme doutrina da Escola Superior de Guerra, cuja orientação filosófica seguia a política do National War College desde o final da Segunda Guerra Mundial e início da Guerra Fria.
[editar] Cronologia do golpe
No dia 28 de março de 1964, na cidade de Juiz de Fora, os generais Olímpio Mourão Filho e Odílio Denys se reuniram com o Governador de Minas Gerais o banqueiro Magalhães Pinto. Pinto foi um dos principais financiadores do IPES.
A finalidade da reunião era o estabelecimento de uma data para o início da mobilização que culminaria com o golpe militar de 1964.
[editar] As datas
A data estabelecida para o início das operações militares para o golpe foi o dia 4 de abril de 1964. Conforme descrito pelos jornais O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo, o general Carlos Guedes, da Infantaria, afirmou que não poderia ser dado o golpe na data planejada, pois "nada que se faz em lua de quarto minguante dá certo". Consta que os golpistas haviam combinado em postergar a mobilização para depois do dia 8 de abril de 1964.
Em 31 de março de 1964 intempestivamente o general Olímpio Mourão resolveu partir com suas tropas para o Rio de Janeiro às três horas da manhã. Este ato, segundo os jornais, foi considerado impulsivo pelo marechal Humberto de Alencar Castello Branco.
Castello Branco, ao saber da partida de Olímpio Mourão, telefonou para Magalhães Pinto com o intuito de segurar o levante. Consta que o Marechal considerava o movimento prematuro e intempestivo.
Pinto argumentou que uma vez iniciado o desenlace, seria um erro parar, pois alertaria as forças legalistas podendo agravar a situação.
Anos mais tarde o Deputado Armando Falcão perguntou ao general Olímpio Mourão o porquê da atitude precipitada. A resposta do militar divulgada pela imprensa foi: — Em matéria de política sou uma vaca fardada..
Segundo analistas, a precipitação foi um ato temerário de falta de visão estratégica que foi largamente discutido por historiadores e pela imprensa no sentido de que se houvesse reação poderia ter causado uma guerra civil no Brasil. Para tal bastaria que Goulart tivesse uma parcela de apoio de outros segmentos das Forças Armadas leais à Constituição Brasileira, entre elas o General Armando de Moraes Âncora.
[editar] A Imprensa
Antes da ditadura, jornais como O Globo, Jornal do Brasil, Correio da Manhã e Diário de Notícias pregaram abertamente a deposição do presidente. Somente o jornal Última Hora se opôs ao golpe.
Segundo o jornalista Fernando Molica: "A grande maioria dos jornais era favorável à derrubada do governo João Goulart e festejou o golpe…"[6]
Segundo Mino Carta, (sic) "…a Folha de São Paulo não só nunca foi censurada, como emprestava a sua C-14, carro tipo perua veraneio, usado para transportar o jornal, para recolher torturados ou pessoas que iriam ser torturadas na Oban, Operação Bandeirante."
[editar] A seqüência do golpe
Em seguida à marcha seguida por Olímpio Mourão Filho, o general Âncora havia recebido ordem de João Goulart para prender Castello Branco, porém não a cumpriu.
Comandando o Destacamento Sampaio para interceptar o Destacamento Tiradentes comandado pelo general Murici, o general Âncora, embora com tropa muito mais poderosa e armada, segundo suas palavras "não quis derramamento de sangue brasileiro atirando contra a juventude do país".
Se as forças se enfrentassem no Vale do Paraíba, onde se encontraram, com certeza se iniciaria uma guerra civil, e, segundo os cronistas da imprensa, era tudo que os militares não queriam.
[editar] A união das tropas
Ao se encontrarem, ao invés de haver enfrentamento as tropas uniram-se e marcharam em direção ao Rio de Janeiro. Às dezessete horas do dia 31 de Março de 1964, fez-se o golpe.
O Segundo Exército era comandado pelo general Amauri Kruel, que, em contato telefônico com o presidente, recebeu um pedido de apoio para pôr fim ao avanço.
Kruel impôs a condição do fechamento do CGT e a prisão de seus dirigentes para apoiar Jango, no que teve a negativa do Governante, então suas tropas se dirigiram para o Rio de Janeiro pela Via Dutra, onde foram interceptadas pelo general Emílio Garrastazu Médici, que estava com os cadetes das Agulhas Negras à sua frente.
No dia 1 de abril de 1964, houve uma reunião entre Âncora e Kruel que, convencidos por Médici, uniram-se de fato aos demais militares. Durante as negociações foi decidida a união das tropas.
[editar] A prisão de Miguel Arraes e João Dória
Enquanto isto, no Nordeste, Miguel Arraes, governador de Pernambuco, e João Dória, governador de Sergipe, eram presos como traidores da nação.
[editar] Jango se refugia no Rio Grande do Sul
O Quarto Exército comandado pelo General Justino Bastos dominava estrategicamente toda a situação, e João Goulart havia voado para Brasília para procurar apoio do Congresso. Na Guanabara, Carlos Lacerda havia posto a polícia à caça de colaboradores de Goulart bloqueando ruas e acessos com caminhões de lixo. As tropas da polícia de Lacerda chegaram a cercar o palácio Guanabara, numa tentativa de prender o Presidente da República.
Enquanto era perseguido pelos golpistas, Goulart reuniu-se com o general Nicolau Fico, comandante militar de Brasília, e o general Assis Brasil, chefe da Casa Militar.
Preparou um comunicado à nação, informando que iria para o Rio Grande do Sul para se unir às forças do III Exército, sob o comando do general Ladário Teles, informando sobre o golpe e conclamando a população a lutar pela legalidade.
Darcy Ribeiro e Waldir Pires falaram à população na televisão. O governo ainda controlava os meios de comunicação em Brasília. O presidente tentou viajar para Porto Alegre em avião de carreira, porém a decolagem foi sabotada por golpistas. Jango voou então no avião presidencial, arriscando-se a ser abatido por militares.
Apesar do acordo com o general Nicolau Fico estabelecer que as tropas ficariam nos quartéis em Brasília, os militares ocuparam as imediações do Congresso para impedir manifestações populares. Estas estavam previstas se os congressistas se reunissem para votar o impedimento do presidente.
O motivo seria o fato do chefe da nação ter se ausentado do país. Darcy Ribeiro fez então um comunicado, lido por Doutel de Andrade na tribuna do Congresso Nacional, já na madrugada do dia 2 de abril.
[editar] A ação do Congresso
O senador Auro Soares de Moura Andrade, presidente do Congresso Nacional, apesar do presidente da República estar no País, declarou vaga a presidência. Alegou que o presidente havia saído do Brasil e que o comunicado de Darcy Ribeiro era mentiroso.
Andrade empossou o presidente da Câmara Ranieri Mazzilli como governante provisório, ato considerado anos depois por juristas como irregular. Em seguida mandou desligar os microfones e as luzes rapidamente sob protestos de Tancredo Neves.
Os participantes do Congresso Brasileiro criaram assim condições para o golpe militar e a ditadura que se seguiria.
[editar] Jango vai embora do Brasil
Consta que Darcy Ribeiro tentou convencer o presidente a resistir, como explicou em depoimento.
Darcy considerava que o governo deveria resistir usando a aviação comandada pelo brigadeiro Teixeira para conter as tropas de Olímpio Mourão, composta de recrutas desarmados, e os fuzileiros comandados por almirante Aragão, que poderiam então prender Carlos Lacerda e Castello Branco.
Goulart se recusou a resistir pois foi informado que os golpistas tinham o apoio da armada americana que estava se encaminhando para o Brasil, o que poderia conflagrar uma guerra civil. João Goulart tinha o apoio do Terceiro Exército comandado pelo general Ladário Teles, e de Leonel Brizola. Porém decidiu ir embora do Brasil, a partir de então teria surgido uma dura inimizade entre Brizola e João Goulart, que perduraria até 1976.
O general Argemiro de Assis Brasil foi figura determinante na fuga de Jango do país durante o golpe, pois protegeu-o e à sua família, guiando-o em segurança para o Uruguai. Ao se apresentar às autoridades que assumiram ao poder, o general foi preso, processado e sua carreira profissional interrompida sendo considerado traidor. Perante o Exército Brasileiro o general Assis Brasil passou a ser considerado morto, perdendo assim todos os seus direitos e os anos dedicados àquela arma.
[editar] Consolidação do regime militar
O jornal Última Hora e a sede da UNE são destruídos por militantes de Lacerda, muitas das organizações que apoiavam Jango tiveram seus líderes presos e perseguidos pela ditadura.
À medida em que o golpe militar foi avançando as liberdades individuais da população brasileira foram sendo extinguidas com o endurecimento do regime.
A imposição de um estado de exceção com a ruptura dos direitos civis da população e uma ditadura militar com o alinhamento político-econômico sob tutela e proteção dos Estados Unidos da América, segundo aqueles, era primordial para a modernização do Brasil, e, havia a doutrina propagandeada de que "(sic)…o que era bom para os Estados Unidos, era bom para o Brasil…".
[editar] Base de apoio militar
O movimento político militar de 1964 foi um golpe de estado, portanto não somente militar. O Congresso e a sociedade civil tiveram sua parcela de responsabilidade aceitando o patrocínio financeiro e logístico dos Estados Unidos. A Operação Brother Sam, conforme amplamente divulgado pela própria imprensa nacional e estrangeira teve papel importante em respaldar a Operação Popeye deflagrada por Olympio Mourão Filho. O National Security Archive, entidade de pesquisa e divulgação de documentos secretos do governo norte-americano, por ocasião dos quarenta anos do golpe militar, divulgou documentos já em domínio público do primeiro escalão do governo norte-americano da época.
Segundo os arquivos, para o presidente Lyndon Johnson, o que estava em jogo era o confronto global entre o comunismo soviético e a democracia. Por essa razão Johnson estava disposto a fazer o que fosse preciso para ajudar o movimento que derrubou João Goulart.
A embaixada e os consulados norte americanos no Brasil, tinham agentes da CIA encarregados de levantar informações sobre as atividades de comunistas e militares no Brasil.
Segundo a Revista Veja na Edição 1848 de 7 de abril de 2004: "(sic)…Os militares e empresários que conspiravam contra Jango tinham o hábito de pedir apoio aos americanos para suas aspirações golpistas, revela um relatório de Lincoln Gordon de 27 de março de 1964… Uma nova leva de papéis publicada na semana passada no site do National Security Archive…".
[editar] A quebra da hierarquia
Uma justificativa apresentada à opinião pública pelos militares após a revolução, era a de que este era um movimento político militar para derrubar Jango e restabelecer a hierarquia militar vertical abalada nas Forças Armadas, pelo apoio do presidente da República à luta emancipatória dos sargentos e marinheiros, que queriam candidatar-se a cargos públicos. Este era "ato considerado irregular pela própria legislação e pela Constituição vigente". Também afirmavam que queriam evitar a contaminação das doutrinas de esquerda no Brasil pelos Chineses, Cubanos e Soviéticos. Afirmavam ainda que a finalidade do golpe foi também controlar a inflação e colocar o país nos eixos.
O golpe de 1964 se transformou numa sucessão de atos institucionais, mas também de construções de grandes obras. A modernização elevou o país como uma das grandes economias mundiais. As dívidas geradas pelas famosas Obras Faraônicas, ao final da ditadura, geraram uma inflação galopante que levaram o Brasil a um período chamado posteriormente por alguns setores da Imprensa como A década perdida.
[editar] As promessas
No início houve a promessa a elite, à classe média e à população em geral (noticiada fartamente no rádio, televisão e imprensa), que a Constituição de 1946, a normalidade democrática e as eleições seriam preservadas e restabelecidas rapidamente (Em 1966, no mais tardar), logo ao final do mandato de Jango, que estaria sendo preenchido pelos interventores militares.
Segundo a Fundação Getúlio Vargas:
(sic)…o golpe militar foi saudado por importantes setores da sociedade brasileira. Grande parte do empresariado, da imprensa, dos proprietários rurais, da Igreja católica, vários governadores de estados importantes (como Carlos Lacerda, da Guanabara, Magalhães Pinto, de Minas Gerais, e Ademar de Barros, de São Paulo) e amplos setores de classe média pediram e estimularam a intervenção militar, como forma de pôr fim à ameaça de esquerdização do governo e de controlar a crise econômica.
No pensamento vigente da época, o Brasil estava perdido em greves, "baderna", corrupção, "roubalheira" e inflação, portanto, haveria que ser feito algo urgente para restabelecer uma suposta ordem democrática.
A propaganda institucional (ver IPES) era farta. A sociedade estava dividida pela ideologia.
É alegado que qualquer que fosse a direção tomada, fatalmente o Brasil seria uma ditadura, ou de esquerda, ao estilo soviético, chinês, ou cubano, ou de direita, como tantas outras que floresceram na América Latina.
Assim, houve a ditadura de direita, alinhando-se ao bloco liderado e financiado pelos Estados Unidos.
[editar] Após o golpe de 1964
Logo após o golpe de 1964, em seus primeiros 4 anos, a ditadura foi endurecendo e fechando o regime aos poucos. O período compreendido entre 1968 até 1975 foi determinante para a nomenclatura histórica conhecida como "anos de chumbo". Vieram os Atos Institucionais, artificialismos criados para dar legitimidade jurídica a ações políticas contrárias à Constituição Brasileira de 1946, culminando numa ditadura.
Dezoito milhões de eleitores brasileiros sofreram das restrições impostas por seguidos Atos Institucionais que ignoravam e cancelavam a validade da Constituição Brasileira, criando um Estado de exceção, suspendendo a democracia.
Querendo impor um modelo sócio, político e econômico para o Brasil, a ditadura militar no entanto tentou forjar um ambiente democrático, e não se destacou por um governante definido ou personalista. Durante sua vigência, a ditadura militar não era oficialmente conhecida por este nome, mas pelo nome de "Revolução" e seus governos eram considerados "revolucionários". A visão crítica do regime só começou a ser permitida a partir de 1974, quando o general Ernesto Geisel determinou a abertura lenta e gradual da vida sócio-política do país.
O golpe também foi recebido com alívio pelo governo norte-americano, satisfeito de ver que o Brasil não seguia o mesmo caminho de Cuba, onde a guerrilha liderada por Fidel Castro havia conseguido tomar o poder. Os Estados Unidos acompanharam de perto a conspiração e o desenrolar dos acontecimentos, principalmente através de seu embaixador no Brasil, Lincoln Gordon, e do adido militar, Vernon Walters, e haviam decidido, através da secreta "Operação Brother Sam", dar apoio logístico aos militares golpistas, caso estes enfrentassem uma longa resistência por parte de forças leais a Jango.
[editar] Correntes ideológicas militares
Segundo o tenente-coronel de Infantaria e Estado-Maior do Exército Brasileiro Manuel Soriano Neto, em palestra comemorativa proferida na AMAN em 12 de setembro de 1985, em homenagem ao centenário do marechal José Pessoa:
"Com as desavenças que grassavam na corrente outubrista, o tenentismo vem a se desintegrar. Tal fato se dá após a Revolução de 1932, mormente durante o ano de 1933, quando se formava a Assembléia Nacional Constituinte. Parcelas das Forças Armadas se desgarraram para a esquerda e para a direita, incorporando-se à Aliança Nacional Libertadora e à Ação Integralista Brasileira, que apregoavam ideologias importadas, não condizentes com a idiossincrasia de nosso povo."
Portanto, dentro das forças armadas brasileiras, existia uma grave cisão interna de ordem ideológica e, ainda havia outra divisão entre os moderados e a linha dura.
Porém havia também o sentimento patriótico autêntico que manteve ocultas da população todas as desavenças internas.
Os grupos concorrentes entre si defendiam pontos de vistas diferentes:
Um grupo defendia medidas rápidas diretas e concretas contra os chamados subversivos, ou inimigos internos, estes militares apoiavam sua permanência no poder pelo maior tempo possível.
Ao contrário do grupo anterior, o segundo era formado por militares que tinham por doutrina a tradição de intervenções moderadoras. Estes procuravam permanecer no poder somente o tempo necessário até se formar um governo aceito pelo grupo a exemplo de 1930, 1945 e 1954. Quando passado o período de maior risco institucional houve o rápido retorno do poder para os civis.
[editar] Doutrina da segurança nacional
Para os dois grupos era necessário salvaguardar o Brasil contra o poder do comunismo internacional (além do anti-getulismo, leia-se populismo).
Segundo a doutrina dos militares, o inimigo devia ser extirpado a todo custo e os governos populistas seriam uma porta de entrada para a desordem, subversão e propiciariam a entrada de ideologias nocivas à nação.
As facções contrárias internamente nas forças armadas acabaram se unindo apesar da não concordância metodológica. Desta forma, os militares mais radicais se aglutinaram ao general Costa e Silva, e os mais estratégicos ao general Humberto de Alencar Castelo Branco.
Muitos militares da época afirmam que se a orientação filosófico-ideológica das forças armadas fosse para a esquerda, estas defenderiam da mesma forma a linha de pensamento, somente o inimigo que mudaria de lado, o que importava era a segurança da Nação.
[editar] Beneficiados
Entre os que apoiariam o golpe militar, havia muitos especuladores de capital, banqueiros, grandes latifundiários, setores da indústria mecânica, construção civil, e principalmente políticos oportunistas que trocavam de partido independente da sua orientação ideológica. Os maiores financiadores do golpe foram notadamente as grandes oligarquias do Brasil, além de multinacionais estado-unidenses, em torno de trezentas empresas inicialmente.
Veja também:
IPES:Os maiores financiadores do IPES foram cinco empresas: Refinaria União, Light, Cruzeiro do Sul, Icomi, Listas Telefônicas Brasileiras, além de trezentas empresas norte americanas de menor porte. O Instituto foi fundado pelo general Golbery do Couto e Silva, logo após pedir para passar para a reserva do Exército Brasileiro, em 2 de Fevereiro de 1962.
Localizava-se no edifício Avenida Central, no Rio de Janeiro, vigésimo sétimo andar, com treze salas.
Propaganda
Propaganda institucional
Publicidade do regime militar de 1964
[editar] Milagre econômico
Ver artigo principal: Milagre brasileiro
O surto de crescimento econômico que ocorreu em seguida ao golpe militar, chamado de Milagre brasileiro, caracterizado pela modernização da indústria e pelas grandes obras, estava de fato ocorrendo. Porém, também havia os interesses de grandes grupos econômicos e a especulação do capital. Estes tinham interesse nos lucros advindos da ditadura forçando a construção de grandes obras de infra-estrutura.
Naquela época, fortunas gigantescas foram ganhas às custas de empréstimos externos. Dizem alguns que o retorno do investimento das empresas e grupos multinacionais era necessário, o montante aplicado no golpe foi imenso. O problema não equacionado foi custo social do retorno.
O Brasil cresceu, mas endividou-se exponencialmente, apesar de ser elevado à oitava economia do planeta.
Ao primeiro sinal de crise, entre (1973-1974), o capital especulativo volátil se foi para outras praças mais seguras, deixando o país num beco sem saída.
Os empréstimos a juro barato se extinguiram, o crescimento desacelerou, o país entrou em grandes dificuldades de caixa e principalmente de liquidez. Muitas obras pararam ou tiveram sua qualidade diminuída em função da falta de dinheiro para um término adequado, outras foram inauguradas às pressas.
Sem liquidez não há capital de giro, e sem capital de giro há recessão e inflação; assim se iniciou um lento movimento em direção à estagnação econômica.
A aceleração inflacionária, como todo processo de aceleração, começou lenta, gradual e constante. A economia de aproximadamente 67% da massa populacional (em torno de 40 milhões de pessoas) teve uma redução abrupta, o povo empobreceu e se endividou rapidamente junto ao sistema financeiro, o que gerou escassez de capital e aumentou a impressão de papel-moeda, que realimentou a inflação, que por sua vez alimentou a escassez.
A pressão social foi aumentando exponencialmente, todos começavam a maldizer o governo, inclusive os próprios servidores públicos, apesar disso ser proibido.
O governo militar, prevendo aonde isso poderia chegar, viu-se forçado a mudar de estratégia. Já em meados de 1976, iniciou um lento processo de abertura democrática e adequação social. Este processo não poderia ser rápido demais, pois poderia haver uma explosão social, nem muito lento, pois a recessão advinda poderia destruir a economia do país.
[editar] Ato Institucional Número Um
Em 9 de Abril de 1964, foi publicado o Ato Institucional Número Um , ou AI-1, que suspendeu por dez anos os direitos políticos de todos aqueles que poderiam ser contrários ao regime, intimidando os congressistas com a ameaça de cassações, prisão, enquadramento como subversivos e expulsão do país. A Lei de Segurança Nacional que seria publicada no futuro, em 3 de Março de 1967, teve seu embrião no AI-1.[7]
Houve uma razão lógica para a decretação do Ato, que foi uma medida mais estratégica do que o diálogo. Os políticos, em sua maioria, estavam reticentes quanto aos caminhos que seriam tomados pelo governo de então. Naquela altura, a conversa, o convencimento pela razão e pelos argumentos, seriam inócuos, demandariam muito tempo, o que daria espaço e fôlego aos depostos ou à oposição de se reorganizarem.
Haveria que se tomar uma medida radical para convencer os indecisos dos rumos determinados pelo comando da revolução (Ou golpistas), e um Congresso indeciso seria precedente perigoso para a deflagração de uma guerra civil, daí o afastamento de todos aqueles que porventura poderiam dificultar o processo ou reagir. Isto está bem claro nos primeiros parágrafos do AI-1:
"…(sic) É indispensável fixar o conceito do movimento civil e militar que acaba de abrir ao Brasil uma nova perspectiva sobre o seu futuro. O que houve e continuará a haver neste momento, não só no espírito e no comportamento das classes armadas, como na opinião pública nacional, é uma autêntica revolução."
"A revolução se distingue de outros movimentos armados pelo fato de que nela se traduz não o interesse e a vontade de um grupo, mas o interesse e a vontade da Nação."
"A revolução vitoriosa se investe no exercício do Poder Constituinte. Este se manifesta pela eleição popular ou pela revolução. Esta é a forma mais expressiva e mais radical do Poder Constituinte. Assim, a revolução vitoriosa, como Poder Constituinte, se legitima por si mesma."
Como observado no texto, os militares acreditavam da necessidade urgente de legitimar o golpe "por si mesmo".
Muitos ainda discutem que se fosse de fato um "movimento popular legítimo em nome da democracia", alguns meses depois da "revolução" deveria ser feito um plebiscito, para se saber da verdadeira vontade popular.
Ainda hoje é cobrada pelos mais antigos a necessidade de se mandarem cumprir dezesseis atos intitucionais.
Alegam outros que no início houve o desejo de entregar a democracia o mais rapidamente possível à Nação. Ainda dizem que o presidente Castello Branco foi bastante claro quanto ao seu desejo, pois ele era um intelectual.
Dizem ainda que houve uma radicalização principalmente da "linha dura", que não aceitava de forma alguma um governo de tendências esquerdistas democraticamente eleito novamente. Segundo o grupo mais radical, se isso acontecesse, poderia haver uma entrada das esquerdas no Brasil e, em consequência, o país explodiria em conflitos agrários e urbanos, com muito mais violência do que se eles (os militares) permanecessem no poder.
Imagens de arquivo dos originais do Ato Institucional Número Um, do acervo da Fundação Getúlio Vargas.
AI-1 Página 1 (em português) ,
AI-1 Página 2 (em português) ,
AI-1 Página 3 (em português) ,
AI-1 Página 4 (em português) ,
AI-1 Página 5 (em português) ,
AI-1 Página 6 (em português) .
[editar] Lista dos principais movimentos da época
[editar] Direita
Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES)
Instituto Brasileiro de Ação Democrática (Ibad)
Campanha da Mulher pela Democracia (Camde, financiada pelo Ipes)
União Cívica Feminina (UCF, sob orientação do Ipes)
Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresas (Adce, ligada ao Ipes)
Movimento Anticomunista (MAC, formado por universitários)
Frente da Juventude Democrática (formada por estudantes anticomunistas radicais)
Comando de Caça aos Comunistas (formado por estudantes anticomunistas radicais, conhecido como CCC)
Esquadrões da Morte (formados por policiais para o assassinato de opositores)
[editar] Ver também
Milagre econômico
Pressão social
Reformas de base
Referências
Revolução ou golpe?
FGV - CPDOC - A revolta dos marinheiros. Página visitada em 20/10/2008.
O Senado e o Regime Militar (1). Página visitada em 13/08/2008.
CPDOC - Fundação Getulio Vargas: Panfleto do Comício da Central. Página visitada em 17/08/2008.
5,0 5,1 FGV: O duplo papel dos EUA padre Peyton e "Brother Sam". Página visitada em 17/08/2008.
Imprensa na Ditadura As 10 reportagens que abalaram o regime (28/11/2005). Página visitada em 13/08/2008.
[1]
[editar] Bibliografia
Bibliografia da História do Brasil
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CAMPOS, Roberto de Oliveira, A lanterna na popa, 2 volumes, Topbooks, 1994.
CASTELO BRANCO, Carlos, Os militares no poder, Nova Fronteira, 1976.
CASTRO, Celso de, Relume-Dumará.
CORRÊA, Marcos Sá, 1964, visto e Comentado pela Casa Branca , L&PM.
COUTO, Ronaldo Costa, Memória Viva do Regime Militar, Record, 1999.
D´ARAUJO, Maria Celina, CASTRO, Celso, orgs., Ernesto Geisel, Editora FGV, 1997.
FALCÃO, Armando, Tudo a declarar, Nova Fronteira, 1989.
IDEM, Geisel - do tenente ao Presidente, Nova Fronteira, 1985.
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GIORDANI, Marco Pólo, Brasil Sempre, Brasil Sempre, Editora Tchê!, 1986.
GORENDER, Jacó, O combate nas trevas, Ática, 1987 .
IANNI, Octávio, O Colapso do Populismo do Brasil, Editora Civilização Brasileira.
MÉDICI, Roberto Nogueira, Médici - O depoimento, Mauad, 1995.
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[editar] Ligações externas
Golpe de 64 Radiobrás (em português)
O País estava dividido entre partidários do imperialismo ianque e os do ouro de Moscou (em português)
Tortura e Direitos Humanos (em português)
Década de 1960, Folha de São Paulo (em português)
Brazil, Country Studies
História da Ditadura Militar no Brasil
A revolução de 64 e os "mitos" - Depoimento de BRENO CALDAS (em português)
Projeto Orvil Relatório do Exército Brasileiro sobre a luta armada no Brasil.
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Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Golpe_Militar_de_1964"
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sábado, 3 de outubro de 2009

Por que não há justiça no Brasil

Claudio Weber Abramo
O fator predominante no resultado da aplicação da justiça no Brasil é o poder econômico das partes. Qualquer que seja o ângulo com que a questão seja analisada, o resultado é sempre um favorecimento brutal de quem tem mais dinheiro.
Os códigos processuais brasileiros propiciam um número imenso de oportunidades para que partes interponham recursos e atravanquem processos. De acordo com um levantamento feito alguns anos atrás pelo jornal carioca O Globo, um processo que corra do começo ao fim, percorrendo todas as instâncias da justiça estadual, chegando talvez a alguma instância federal, admite mais de 80 diferentes maneiras de interromper o curso processual.
É claro que diversas delas são perfeitamente razoáveis e exigíveis em qualquer sistema jurídico. Grande parte, porém, é de formalidades perfeitamente contornáveis caso o princípío predominante fosse o da racionalidade.
Racionalidade é a última coisa que se detecta nos códigos brasileiros. Não é de admirar, pois eles foram escritos por advogados de defesa.
Para conduzir um processo da forma entrecortada e cheia das firulas perfeitamente kafkianas que testemunhamos, é necessário pagar advogados. Quanto mais detalhes recônditos o advogado é capaz de explorar, mais tempo ele conseguirá ganhar para seu cliente.
Advogados assim custam caro. Quem pode pagá-los é a classe dominante. Em particular, corruptos que são levados à Justiça (o que já é raro) costumam ter bastante dinheiro para isso. Em processos criminais, a idéia é procrastinar até que o crime prescreva. Em processos cíveis, até que a parte contrária se esgote. É por isso que processos chegam a se arrastar por décadas.
Já o sujeito que cometeu uma infração menor, como furtar uma peça de automóvel ou algo assim não pode pagar esses advogados. Este vai para a cadeia num piscar de olhos. Prova-o o fato de que uma grande parte dos processos que correm em primeira instância nos tribunais de Justiça não têm a decisão contestada, e não vão à segunda instância, porque os réus não têm como pagar.
Outro fator importante que responde pela ineficiência do Judiciário é a quase completa opacidade administrativa atrás da qual ele se proteje. Em sua quase totalidade (há umas exceções aqui e ali), os Tribunais de Justiça e as cortes superiores não se dão ao trabalho de medir minimamente seu próprio desempenho.
Como não coletam sistematicamente informações a respeito de tempos médios de tramitação de processos (para ficar só com isso de uma lista que poderia estender-se), não se consegue estabelecer comparações entre varas ou entre magistrados.
C:\Dados\TI\PAGWEB\Novissima\DOCS\just-Brasil.doc
Um ministro de tribunal superior pede vistas a um processo e senta-se sobre ele por anos. Onde está a lista desses processos? Se existe, é mantida cuidadosamente escondida.
É claro que isso só alimenta as suspeitas de que ministros enrolam porque são comprometidos com algum interesse, político ou econômico. A melhor maneira de provar que não é assim seria medir indicadores de desempenho e torná-los públicos. Se não o fazem, é porque têm motivos para isso, dando assim liberdade para que conjecturemos o que quisermos.
Fazer justiça não é exatamente o ponto da Justiça brasileira.
Claudio Weber Abramo é diretor executivo da Transparência Brasil, entidade voltada para o combate à corrupção no país. www.transparencia.org.br. Mantém o blog crwa.zip.net.
2

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Às Equipes Paroquiais, Pastorais e comunidades,

“No clamor dos povos da terra, a memória e a resistência em defesa da Vida”.

No próximo dia 4 de outubro é comemorado o aniversário do Rio São Francisco. Este ano, o Velho Chico completa 508 anos.
O maior problema que o São Francisco vive hoje é a diminuição da vazão de água. “Saíram agora estudos de climatologia dizendo que entre os rios do mundo, na América do Sul, o São Francisco foi o rio que mais perdeu água. Perdeu 35% de vazão nos últimos 50 anos. Se considerarmos as mudanças climáticas, ele pode perder ainda 25% da sua vazão nos próximos milênios”. A grande questão é ainda a quantidade da água. É um rio com todas as evidências de um quadro hídrico crítico.
Para marcar o momento de Celebração dos 508 anos do Rio, a Articulação Popular do São Francisco está realizando a “Semana do São Francisco” do dia 04 até o dia 10 de outubro.
Na Semana do Rio, irão acontecer vários eventos educativos, debates nas escolas, panfletagem e algumas outras ações sobre essas questões que dizem respeito ao rio em toda a bacia. Em Juazeiro a Semana do Rio será aberta com a exposição “Vidas Ribeirinhas”. A exposição, que ficará até o mês de dezembro no porão do museu, é composta por telas pintadas pelo artista plástico juazeirense Bebeto Assis e fotografias do Velho Chico, registradas pelo fotógrafo João Zinclar.
Outras atividades estarão sendo realizadas nas comunidades do campo e das cidades às margens da Bacia. No dia 7, haverá um debate sobre a Transposição do Velho Chico, no Centro de Cultura João Gilberto, em Juazeiro.
A Articulação Popular do São Francisco está trabalhando na mobilização das escolas das redes municipal e estadual para visitarem a exposição e participarem de rodas de diálogos sobre a atual situação do Rio São Francisco e a importância de preservá-lo.
Nos dias 9, 10 e 11 o Grupo Arte Livre de Curaçá irá apresentar peças teatrais sobre os impactos e as contradições da Transposição. O roteiro das apresentações é o seguinte: em Sobradinho, no dia 9; em Casa Nova e Juazeiro, no dia 10; e em Curaçá no dia 11.
Já entre os dias 8 e 10, acontecerá a VI Romaria das Águas de Sobradinho, com o tema “Das Águas do Velho Chico brotam vidas”. Serão realizados: seminário, debates, apresentações culturais, celebrações onde serão denunciadas as agressões ao Rio e ao seu povo principalmente através dos grandes Projetos do capital e anúncio das experiências de lutas e experiências em defesa da vida do rio e do seu povo.
Aproveitamos a oportunidade para convidar a todas as Paróquias e Pastorais da Diocese de Juazeiro para participar dos eventos que estão sendo programados para a Semana do Rio bem como discutir o tema nas atividades desenvolvidas pelas paróquias, pastorais e comunidades.

Contando com a participação de todos e todas, agradecemos,

Atenciosamente,

Marina da Rocha Braga
P/ Equipe da CPT Juazeiro e Projeto São Francisco.

domingo, 27 de setembro de 2009

A águia

A águia é a ave que possui a maior longevidade da espécie.Chega a viver 70 anos.Mas para chegar a essa idade, aos 40 anos ela tem que tomar uma séria e difícil decisão.Aos 40 anos ela está com:- As unhas compridas e flexíveis, não consegue mais agarrar as suas presas das quais se alimenta.- O bico alongado e pontiagudo se curva.Apontando contra o peito estão as asas, envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas, e voar já é tão difícil!Então, a águia só tem duas alternativas:Morrer Ou enfrentar um dolorido processo de renovação que irá durar 150 dias.Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e se recolher em um ninho próximo a um paredão onde ela não necessite voar.Então, após encontrar esse lugar, a águia começa a bater com o bico em uma parede até conseguir arrancá-lo.Após arrancá-lo, espera nascer um novo bico, com o qual vai depois arrancar suas unhas.Quando as novas unhas começam a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas.E só após cinco meses sai para o famoso vôo de renovação e para viver então mais 30 anos. Autor desconhecido

Como nasceram os nossos símbolos SPFC

O nome, as três cores e as formas do uniforme do São Paulo não nasceram por acaso.Para cada um desses símbolos há uma história que representa a vontade dos esportistas fundadores. As três cores do São Paulo foram tiradas do vermelho do Paulistano, do preto da AA das Palmeiras e do branco dos dois. Os formatos oficiais das camisas e do símbolo foram desenhados por Walter Ostrich, alemão simpatizante do novo clube em formação.
As cinco estrelas que estão estampadas junto ao símbolo do Tricolor também tem sua história. As três vermelhas, ao centro, representam o Tricampeonato Mundial Interclubes conquistado em Tóquio, no biênio 1992/93 e no ano de 2005.As duas estrelas douradas representam os recordes mundiais e olímpicos conquistados por Adhemar Ferreira da Silva nas olimpíadas de Helsinque, em 52, e nos Jogos Panamericanos do México, em 55.

AS ORIGENS do São Paulo Futebol Clube

As origens tricolores (1900-1935)
O Tricolor do Morumbi, como conhecemos hoje, nasceu em 1935, mas a paixão de um grupo de paulistanos pelo esporte vem de antes. Mais precisamente do último ano do século XIX, em 1900, quando foi fundado o Clube Atlético Paulistano.O Paulistano era o "bicho-papão" do início do século. Jogar contra o time de Friedenreich era um orgulho, e o time ia freqüentemente ao interior atendendo a convites. Também foi a primeira equipe a fazer uma excursão à Europa, em 1925. Contudo, o clube não aceitava que seus jogadores se profissionalizassem, e resolveu acabar com o departamento de futebol para não abandonar a Liga amadora à qual pertencia.E o que fazer com a paixão dos sócios aficionados por futebol? O mesmo problema tinha acabado com o futebol da Associação Atlética das Palmeiras (clube alvinegro que só tem o mesmo nome dos rivais do tricolor). E em 1930, nasceu o São Paulo da Floresta, com jogadores e as cores vermelha e branca vindos do Paulistano (cracaços como Araken, Friedenreich e Waldemar de Brito), e com o branco e o negro cedido pelo A.A. Palmeiras. Da união, também veio o nome: São Paulo da Floresta. O primeiro presidente do São Paulo da Floresta foi eleito pelos sócios: o dr. Edgard de Souza.No mesmo ano, um vice-campeonato já dava sinais da glória destinada ao clube. E na temporada seguinte, chegaria o primeiro troféu, com Nestor (Joãozinho); Clodô e Barthô; Milton, Bino e Sasse; Luizinho, Siriri (Armandinho), Fried, Araken e Junqueirinha, e Rubens Salles de técnico. E em 1933, o São Paulo da Floresta bateria o Santos por 5 x 1 na primeira partida de futebol profissional do Brasil.Só que devido a uma pendência financeira pela compra de uma sede na rua Conselheiro Crispiniano - um palacete chamado de Trocadero - o São Paulo da Floresta se complicou com dívidas e viu-se obrigado a procurar uma fusão com o Tietê, que determinou que não se usassem cores, uniformes e vários outros símbolos do São Paulo da Floresta. E no dia da extinção oficial do clube - 14 de maio de 1935 - o amor de alguns sócios pela entidade manteve-a viva criando o nosso São Paulo de hoje. Em 4 de junho daquele ano, nascia o Clube Atlético São Paulo, que em 16 de dezembro, passaria a ser o São Paulo Futebol Clube.Manoel do Carmo Meca foi o primeiro presidente e os outros fundadores do Mais Querido foram: Cid Mattos Viana, Francisco Pereira Carneiro, Eólo Campos, Manoel Arruda Nascimento, Izidoro Narvais Caro, Francisco Ribeiro Carril, Porphírio da Paz, Eduardo Oliveira Pirajá, Frederico A G. Menzen, Francisco Bastos, Sebastião Gouvêa, Dorival Gomes dos Santos, Deocleciano Dantas de Freitas e Carlos A. Azevedo Salles Jr.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Polícia Militar e Justiça prendem três militantes de movimentos sociais

Ontem, 25 de agosto, por volta das 14h, três mulheres militantes de movimentos sociais (duas do MST e uma do MPA) foram presas no Acampamento Santo Antônio, em Umburanas, região de Senhor do Bonfim, Bahia.

A prisão foi motivada por uma desocupação da área da Fazenda Campo Alto, de suposta propriedade de Carlos Gilberto Cavalcante Farias, também acionista de uma grande empresa da região, a Agrovale, que hoje tem cerca de 30 mil ha de cana irrigada.

Há mais de quatro anos, a área é ocupada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Atualmente, as vinte famílias de agricultores que ocupam a área, produzem mamona, feijão, milho, mandioca e verduras, e criando pequenos animais, de forma sustentável e agroecológica.

O INCRA já fez todo o processo de vistoria e avaliação e deu a área como improdutiva, aguardando o decreto, com recursos assegurados para pagar a indenização. Entretanto, o proprietário entrou com uma medida de efeito suspensório, que foi acatada pela 7ª Vara Federal, localizada em Campo Formoso. É lamentável que o juiz não teve o cuidado necessário com as famílias, como teve com o suposto fazendeiro.

No último dia 8 de julho, foi feita uma reunião com a participação de dois membros da Casa Militar: Tenente Coronel Manoelito e Capitão Martins; e o Tenente Comandante da 1ª Companhia de Senhor do Bonfim. Estiveram também presentes, representantes do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Senhor do Bonfim; Sindicato dos Servidores de Senhor do Bonfim; Movimento dos Pequenos Agricultores; Comissão Pastoral da Terra; Pastoral da Juventude do Meio Popular e o MST.

Nessa reunião foi acordado um prazo para colheita de algumas culturas e a saída pacífica dos trabalhadores da área, até que o INCRA dê o resultado final. No entanto, seguindo ordens truculentas da Oficial de Justiça da Vara Federal de Campo Formoso, um Pelotão da Polícia Militar, identificou e prendeu três lideranças dos trabalhadores, numa tentativa de fragilizar e criminalizar os movimentos sociais.

Os movimentos sociais, principalmente o MST e o MPA, estão buscando providências cabíveis e necessárias para a resolução do conflito.
fonte e-mail enviado por Paulo Victor-cpt Juazeiro.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Edital


O presidente da Associação de Moradores da Vila Jacaré no uso de suas atribuições legais conferidas no Estatuto Social art. XII, alínea b),convoca todos os associados e demais moradores interessados para uma assembléia geral extraordinária que será realizada no dia 21 de agosto do ano em curso às 19 horas (7:30 da noite) na Escola Crenildes Luiz Brandão, situada a rua Alfredo Nunes de Oliveira a fim de tratar da seguinte pauta:

· Aprovação do Regimento do Processo Eleitoral da Associação de Moradores da Vila Jacaré.

Certos de contar com sua preciosa presença agradece, agradece,





ANTONIO DOS SANTOS SOBRINHO
PRESIDENTE

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Biografia de Milton Santos

Milton Santos nasceu no município baiano de Brotas de Macaúbas em 3 de maio de 1926. Ainda criança, migrou com sua família para outras cidades baianas, como Ubaituba, Alcobaça e, posteriormente, Salvador. Em Alcobaça, com os pais e os avós maternos (todos professores primários), foi alfabetizado e aprendeu álgebra e a falar francês.
Aos 13 anos, Milton dava aulas de matemática no ginásio em que estudava, o Instituto Baiano de Ensino. Aos 15, passou a lecionar Geografia e, aos 18, prestou vestibular para Direito em Salvador. Enquanto estudante secundário e universitário marcou presença na militância política de esquerda. Formado em Direito, não deixou de se interessar pela Geografia, tanto que fez concurso para professor catedrático no Colégio Municipal de Ilhéus. Nesta cidade, além do magistério desenvolveu atividade jornalística, estreitando sua amizade com políticos de esquerda. Nesta época, escreveu o livro Zona do Cacau, posteriormente incluído na Coleção Brasiliana, já com influência da Escola Regional francesa.
Em 1958, concluiu seu doutorado na Universidade de Strasburgo, na fronteira da França com a Alemanha. Ao regressar ao Brasil, criou o Laboratório de Geomorfologia e Estudos Regionais, mantendo intercâmbio com os mestres franceses. Após seu doutorado, teve presença marcante na vida acadêmica, em atividades jornalísticas e políticas de Salvador. Em 1960, o presidente Jânio Quadros o nomeia para a subchefia do Gabinete Civil, tendo viajado a Cuba com a comitiva presidencial - o que lhe valeu registro nos órgãos de segurança nacional após o golpe de 1964.[1]

Exílio
Em função de suas atividades políticas junto à esquerda, Milton foi perseguido pelos órgãos de repressão da ditadura militar. Seus aliados e importantes políticos interviram junto às autoridades militares para negociar sua saída do país, após ter cumprido meio ano de prisão domiciliar. Milton achou que que ficaria fora do país por 6 meses, mas acabou ficando 13 anos. Milton começa seu exílio em Toulouse, passando por Bordeaux, até finalmente chegar em Paris em 1968, onde lecionou na Sorbonne, tendo sido diretor de pesquisas de planejamento urbano no prestigiado Iedes.
Permaneceu em Paris até 1971, quando se mudou para o Canadá. Trabalhou na Universidade de Toronto. Foi para os Estados Unidos, com um convite para ser pesquisador no Massachusetts Institute of Technology (MIT), onde trabalha com Noam Chomsky. No MIT trabalha em sua grande obra O Espaço Dividido. Dos EUA viaja para a Venezuela, onde atua como diretor de pesquisa sobre planejamento da urbanização do país para um programa da ONU. Neste país manteve contato com técnicos da Organização dos Estados Americanos. Estes contatos facilitaram sua contratação pela Faculdade de Engenharia de Lima, onde foi contratado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) para elaborar um trabalho sobre pobreza urbana na América Latina.
Posteriormente, foi convidado para lecionar no University College de Londres, mas o convite ficou apenas na tentativa, já que lhe impuseram dificuldades raciais. Regressa a Paris, mas é chamado de volta à Venezuela, onde leciona na Faculdade de Economia da Universidade Central. Segue, posteriormente para Tanzânia, onde organiza a pós-graduação em Geografia da Universidade de Dar es Salaam. Permaneceu por dois anos no país, quando recebeu o primeiro convite de uma universidade brasileira, a Universidade de Campinas. Antes disso, regressa à Venezuela, passando antes pela Universidade de Colúmbia de Nova Iorque.

Retorno ao Brasil
No final de 1976, houve contatos para a contratação de Milton pela universidade brasileira, mas não havia segurança na área política e o contato fracassou. Em 1977, Milton tenta inscrever-se na Universidade da Bahia, mas, por artimanhas político-administrativas, sua inscrição foi cancelada. Ao regressar da Universidade de Colúmbia iria para a Nigéria, mas recusou o convite para aceitar um posto como Consultor de Planejamento do estado de São Paulo e na Emplasa. Esse peregrinar lhe custou muito, mas sua volta representou um enorme esforço de muitos geógrafos, destacando-se Armen Mamigonian, Maria do Carmo Galvão, Bertha Becker e Maria Adélia de Souza. Quanto ao seu regresso, Milton tinha um grande papel nas mudanças estruturais do ensino e da pesquisa em Geografia no Brasil.
Após seu regresso ao Brasil, lecionou na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) até 1983. Em 1984 foi contratado como professor titular pelo Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP), onde permaneceu mesmo após sua aposentadoria.Também cursou geografia na Universidade Católica de Salvador.

A trajetória e o reconhecimento
Embora pouco conhecido fora do meio acadêmico, Santos alcançou reconhecimento fora do país, tendo recebido, em 1994, o Prêmio Vautrin Lud, (conferido por universidades de 50 países).
Milton Santos foi dos poucos cientistas brasileiros que, expulsos durante a ditadura militar (naquilo que foi conhecido por êxodo de cérebros), voltaram depois ao país. Foi disputado por diversas universidades, que o queriam em seus quadros.
Sua obra O espaço dividido, de 1979, é hoje considerado um clássico mundial, onde desenvolve uma teoria sobre o desenvolvimento urbano nos países subdesenvolvidos.
Suas idéias de globalização, esboçadas antes que este conceito ganhasse o mundo, advertia para a possibilidade de gerar o fim da cultura, da produção original do conhecimento - conceitos depois desenvolvidos por outros. Por uma Outra Globalização, livro escrito por Milton Santos dois anos antes de morrer, é referência hoje em cursos de graduação e pós-graduação em universidades brasileiras. Traz uma abordagem crítica sobre o processo perverso de globalização atual na lógica do capital, apresentado como um pensamento único. Na visão dele, esse processo, da forma como está configurado, transforma o consumo em ideologia de vida, fazendo de cidadãos meros consumidores, massifica e padroniza a cultura e concentra a riqueza nas mãos de poucos.

abordagem inovadora
A obra de Milton Santos é inovadora ao abordar o conceito de espaço. De território onde todos se encontram, o espaço, com as novas tecnologias, adquiriu novas características para se tornar um conjunto indissociável de sistemas de objetos e sistemas de ações.
As velhas noções de centro e periferia já não se aplicam, pois o centro poderá estar situado a milhares de quilômetros de distância e a periferia poderá abranger o planeta inteiro.
Daí a correlação entre espaço e globalização, que sempre foi perseguida pelos detentores do poder político e econômico, mas só se tornou possível com o progresso tecnológico.
Para contrapor-se à realidade de um mundo movido por forças poderosas e cegas, impõe-se, para Santos, a força do lugar, que, por sua dimensão humana, anularia os efeitos perversos da globalização.
Estas idéias são expostas principalmente em sua obra A Natureza do Espaço (Edusp,2002).

Atividades, prêmios e distinções
Por seus méritos, universidades e instituições ligadas à Geografia passam a outorgar-lhe títulos acadêmicos e honrarias. Os mais importantes são:
Prêmio Internacional de Geografia Vautrin Lud, Paris, 1994
Mérito Tecnológico, Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo, 1997
Personalidade do Ano, Instituto dos Arquitetos do Brasil, 1997
Jabuti, 1997 - Prêmio pelo melhor livro das Ciências Humanas por A Natureza do Espaço - Técnica e Tempo, Razão e Emoção
Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico, 1995
Emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, em 1997
Homem de Idéias 1998, homenagem do Jornal do Brasil a Milton Santos, em 1998
Contemplado em concurso nacional da Revista Isto É como um dos 20 "Cientistas do Século", conforme encarte Especial nº 7, de 04 de agosto de 1999
Milton Santos tem o título de Doutor Honoris Causa pelas seguintes instituições:
Universidade de Toulouse, França, 1980
Universidade Federal da Bahia, 1986
Universidade de Buenos Aires, 1992
Universidade Complutense de Madri, 1994
Universidade do Sudoeste da Bahia, 1995
Universidade Federal de Sergipe, 1995
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1996
Universidade Estadual do Ceará, 1996
Universidade de Passo Fundo/RS, 1996
Universidade de Barcelona, 1996
Universidade Federal de Santa Catarina, 1996
Universidade Estadual Paulista, 1997
Universidade Nacional de Cuyo, Argentina, 1997Além da vida acadêmica, Milton Santos desempenhou outras atividades, entre as quais:
Presidente ou membro de distinguidas entidades profissionais, como:
Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB)
Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional (Anpur)
Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia (Anpege)
Consultor de organismos como:
Organização Internacional do Trabalho (OIT)
Organização dos Estados Americanos(OEA)
Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco)
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)
Secretaria da Educação Superior (SESu/MEC)
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp/SP)[carece de fontes?]

Publicações
Até 1998, seu currículo apresentava:
44 livros publicados;
231 artigos publicados (em português, francês, inglês, espanhol e japonês);
46 publicações em obras coletivas;
11 prefácios/apresentações em livros;
14 editorias ou co-editorias/organização de obras científicas, além de artigos em jornais de circulação nacional.[carece de fontes?]
Entre outras publicações:
Revista Geosul, Florianópolis, nº 7, Ano IV, de 1989, “Entrevista com o Milton Santos”, realizada pelos docentes do Departamento de Geografia da UFSC;
O Mundo do Cidadão – Um Cidadão do Mundo, Org.Maria Adélia A. de Souza, 1996;
“Entrevista Explosiva: Mestre Milton” - Revista Caros Amigos, agosto de 1998;
“Homem de Idéias - 1998: Milton Santos - Geografia e Cidadania”, Caderno Idéias e Livros do Jornal do Brasil, edição de 26 de dezembro de 1998;
“Entrevista - Milton Santos”, por José Corrêa Leite, em Teoria e Debate, Revista da Fundação Perseu Abramo, Ano 12, nº 40, fev/mar/abr 1999;
“Milton Santos”, Caderno Especial nº 7, O Cientista do século, da Revista Isto é, edição de 4 de agosto de 1999).[2]
Livros
SANTOS, Milton. A cidade nos países subdesenvolvidos. Rio de Janeiro: Ed. Civilização Brasileira S.A., 1965.
SANTOS, Milton. Geografía y economía urbanas en los países subdesarrollados. Barcelona: Oikos-Tau S.A. Ediciones, 1973.
SANTOS, Milton. Sociedade e espaco: a formacão social como teoria e como método. Boletim Paulista de Geografia, São Paulo: AGB, 1977, p. 81- 99.
SANTOS, Milton. Por uma Geografia nova. São Paulo: Hucitec-Edusp, 1978.
SANTOS, Milton. O trabalho do geógrafo no Terceiro Mundo. SP: Hucitec, 1978.
SANTOS, Milton. Pobreza urbana. São Paulo/Recife: Hucitec/UFPE/CNPV, 1978.
SANTOS, Milton. Economia espacial: críticas e alternativas. SP: Hucitec, 1979.
SANTOS, Milton. Espaço e sociedade. Petrópolis: Vozes, 1979.
SANTOS, Milton. O espaço dividido. Os dois circuitos da economia urbana dos países subdesenvolvidos. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1979 (Coleção Ciências Sociais).
SANTOS, Milton. A urbanização desigual. Petrópolis: Vozes, 1980.
SANTOS, Milton. Manual de Geografia urbana. São Paulo: Hucitec, 1981.
SANTOS, Milton. Pensando o espaço do homem. São Paulo: Hucitec, 1982.
SANTOS, Milton. Ensaios sobre a urbanização latino-americana. SP: Hucitec, 1982.
SANTOS, Milton. Espaço e Método. São Paulo: Nobel, 1985.
SANTOS, Milton. O meio técnico-científico e a redefinição da urbanização brasileira. Projeto de pesquisa apresentado ao CNPq, 1986 (datilografado).
SANTOS, Milton. Aspectos geográficos do Período Técnico-Científico no estado de São Paulo. Projeto de pesquisa apresentado à Fapesp, maio 1986 (datilografado).
SANTOS, Milton. A região concentrada e os circuitos produtivos. Texto apresentado como parte do relatório de pesquisa do projeto O Centro Nacional: Crise Mundial e Redefinição da Região Polarizada, 1986 (datilografado).
SANTOS, Milton. O espaço do cidadão. São Paulo: Nobel, 1987.
SANTOS, Milton. Metamorfoses do espaço habitado. Paulo: Hucitec, 1988.
SANTOS, Milton. O Período Técnico-Científico e os estudos geográficos: problemas da urbanização brasileira. Projeto de pesquisa apresentado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), mar. 1989 (datilografado).
SANTOS, Milton. Metrópole corporativa fragmentada: o caso de São Paulo. São Paulo: Nobel/Secretaria de Estado da Cultura, 1990.
SANTOS, Milton. A urbanização brasileira. São Paulo: Hucitec, 1993.
SANTOS, Milton. Por uma economia política da cidade. SP: Hucitec /Educ, 1994.
SANTOS, Milton. Técnica, espaço, tempo. São Paulo: Editora Hucitec, 1994.
SANTOS, Milton; SOUZA, Maria Adélia A.(org.). A construção do espaço. São Paulo: Nobel, 1986.
SANTOS, Milton. Por uma outra globalização - do pensamento único a consciência universal. São Paulo: Editora Record, 2000.

sábado, 25 de julho de 2009

Principais Pontos Turísticos e HISTÓRIA DA CIDADE de Juazeiro Bahia





HISTÓRIA DA CIDADE
Do antigo porto de passagem de tropeiros e comerciantes que se embrenharam pelo sertão, ficaram, para o registro histórico, os frondosos pés de juazeiro - nome que deu origem ao município - e alguns monumentos da arquitetura civil do século passado. Um próspero comércio se desenvolveu às margens do Rio São Francisco, no principal ponto de divisa entre os estados da Bahia e Pernambuco.
Juazeiro transformou-se em um moderno pólo agro-industrial, com intensa atividade de exportação. A cidade modernizou-se com a urbanização da orla fluvial e com o novo visual dos arcos da ponte Eurico Gaspar Dutra, agora ocupados por pequenos bares e restaurantes.
Significado do Nome
Devido aos Juazeiros, ávores presentes na região, desde a época da fundação.
Aniversário da Cidade
15 de Julho
CARACTERÍSTICAS
Município porto fluvial, situado à margem direita do Rio São Francisco, na divisa com o Estado de Pernanbuco, Juazeiro é um moderno pólo agro-industrial. É considerada a Terra das Carrancas, cara de meio-homem e meio-dragão, usadas pelos barcos que subiam e desciam o São Francisco para afastar os maus espíritos, sombras, olhos dÁgua e o diabo.
Clima
Semi-Árido
Temperatura Média
24,2 ºC
COMO CHEGAR
Sair de Salvador, pela BR-324, até Feira de Santana. A partir daí, deve-se seguir para Capim Grosso, por cerca de 20 Km, onde encontra-se o entroncamento com a BR-116, que dá acesso a Juazeiro.
Localização
Município da Região do Vale do São Francisco no Estado da Bahia
Limites
Curaçá, Sobradinho, Campo, Formoso, Jaguarari, Petrolina (PE) e Lagoa Grande (PE)
Acesso Rodoviário
BR-116
Distâncias
Está a 500 Km de Salvador
TURISMO
Principais Pontos Turísticos
Ilha do Rodeadouro
A 12 Km de distância do Centro de Juazeiro, é uma das mais freqüentadas da região, com praias de areias alvas e excelentes para banho. Com uma razoável infra-estrutura a ilha possui barracas onde os visitantes podem degustar os mais variados pratos da região. Há também espaço para camping, onde as pessoas podem passar os finais de semana usufruindo as belezas naturais do local.A travessia pode ser feita através de barcos localizados às margens do Rio São Francisco no povoado do Rodeadouro ou nas Barcas de passeio que saem todos os finais de semana do cais de Juazeiro até a ilha. Durante o percurso as pessoas curtem música ao vivo enquanto contemplam as paisagens naturais do Velho Chico.
Ilha do Fogo
A ilha está localizada no centro da ponte Presidente Eurico Gaspar Dutra, marca da divisa entre os Estados da Bahia (Juazeiro) e Pernambuco (Petrolina). Possui uma área praiana com terreno acidentado, formado por uma rocha única, de aproximadamente 20 m de altura, onde está fixado um cruzeiro.
Ilha Culpe o Vento
A ilha é deserta e ideal para prática de camping selvagem. O acesso é feito pela rodovia BA 210, que liga Juazeiro a Curaçá, aproximadamente 15 Km até o local da travessia que é feitos por barcos localizados ás margens do Rio.
Ilha de Nossa Senhora
A 2 Km da sede, possui uma exuberante vegetação variada com predominância de mangueiras e cajueiros, área de praias de areias alvas e águas cristalinas. È uma das ilhas mais freqüentadas, devido à beleza das suas praias.
Cachoeira do Salitre
Localizada no Vale do Salitre, na Fazenda Félix, a 39 Km de Juazeiro, a cachoeira com salto de pouco mais de 2 m de altura é excelente para banho e muito apreciada pelas crianças da região, que se divertem nas águas do rio Salitre. O acesso é feito pela BA 210, sentido Sobradinho.
Cachoeira da Gameleira
Também formada pelo rio Salitre, a Cachoeira da Gameleira fica a 68 Km de Juazeiro, escondida entre a vegetação fechada da caatinga. Num cenário paradisíaco, a queda d água escorre entre um canyon, onde predomina um enorme gameleira, cuja as raízes se espalham formando sombra em parte da cachoeira. A profundidade do lago permite saltos do alto da cachoeira de aproximadamente 5 m.
Gruta do Convento
Situada a 100 Km de Juazeiro, é uma aventura imperdível para quem gosta de passeios ecológicos. Cortinas e torres são formadas pelas estalactites e estalagmites que dão forma a Gruta de 40 m de largura e 30 m de altura, composta ainda por dois lagos tornando o cenário mais belo. Para conhecer a Gruta é necessário um guia nativo
EVENTOS
Janeiro
01 - Festa de Bom Jesus dos Navegantes
Fevereiro
- Jua-Feste - Blocos de percurssão e trios elétricos
Abril
- Penitentes - As pessoas se dividem em: Penitentes que caminham fazendo orações pelas almas e chacoalhando um instrumento chamado Matraca; e Disciplinadores, que se martirizam com um chicote provido de uma lâmina na ponta, derramando sangue com o intuito de reduzir os seus pecados.
- Meia Maratona Tiradentes - corrida de 21 Km.
Junho
- Festa do Divino Espírito Santo
Setembro
- FENAGRI - Feira Nacional da Agricultura Irrigada
- Roda de São Gonçalo - Pagamento de promessas com dança diante de um altar com a imagem de São Gonçalo do Amarante, ao som da viola e do pandeiro.
08 - Festa de Nossa Senhora das Grotas - padroeira da Cidade, com procissão.
Outubro
04 - Festa de São Francisco de Assis
- Festa de Nossa Senhora do Rosário - Congos, com hasteamento da bandeira de Nossa Senhora e Missas.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Viva a boa e bela Amizade

Ser Amigo em tempo do individualismo é realmente difícil,mas bem aventurado os que sabem prezervar uma boa e bela amizade.
Feliz dia do amigo....

sexta-feira, 3 de julho de 2009

O Velho, O Menino E A Mulinha.

odete borba O velho chamou o filho e disse: - Vá ao pasto, pegue a bestinha ruana e apronta-se para irmos á cidade, que quero vendê-la.
O menino foi e trouxe a mula. Passou-lhe a raspadeira, escovou-a e partiram os dois a pé, puxando-a pelo cabresto. Queriam que ela chegasse descansada para melhor impressionar os compradores.
De repente, - Esta é boa ! – exclamou um viajante ao avisá-lo. O animal vazio e o pobre velho a pé ! Que despropósito ! Será promessa, penitência ou caduquice ?... E lá se foi, a rir.
O velho achou que o viajante tinha razão e ordenou ao menino:
- Puxa a mula meu filho. Eu vou montado e assim tapo a bôca do mundo.Tapar a bôca do mundo, que bobagem ! O velho compreendeu isso logo adiante, ao passar por um bando de lavadeiras ocupadas em bater roupa num córrego.
- Que graça ! – exclamaram elas. O marmanjão montado com todo o sossêgo e o pobre menino a pé... Há cada pai malvado por este mundo de cristo... Credo !...
O velho danou e, sem dizer palavra, fez sinal ao filho que subisse á garupa. - Quero só ver o que dizem agora...
Viu logo. O Izé Biriba, estafêta do correio, cruzou com eles e exclamou: - Que idiotas ! Querem vender o animal e montam os dois de uma vez... assim, meu velho, o que chega á cidade não é mais a mulinha; é a sombra da mulinha...
- Ele tem razão, meu filho, precisamos não judiar do animal. Eu apeio e você, que é levezinho, vai montado.
Assim fizeram, e caminharam em paz um quilômetro, até o encontro dum sujeito que tirou o chapéu e saudou o pequeno respeitosamente.
- Bom dia, príncipe !
- Por que, príncipe ? – indagou o menino.
- É boa ! Porque só príncipes andam assim de lacaio á rédia...
- Lacaio, eu ? – esbravejou o velho. Que desafôro ! Desce, meu filho e carreguemos o burro ás costas. Talvez isto contente o mundo...
Nem assim. Um grupo de rapazes, vendo a estranha cavalgada, acudiu em tumulto, com vaias:
- Hu ! Hu ! Olha a trmpe de três burros, dois de dois pés e um de quatro ! Resta saber qual dos três é o mais burro...
- Sou eu ! replicou o velho, arriando a carga. Sou eu, porque venho há uma hora fazendo não o que quero mas o que quer o mundo. Daqui em diante, porém, farei o que me manda a consciência, pouco me importando que o mundo concorde ou não. Já vi que morre doido quem procura contentar toda gente...

Moral

Moral deriva do latim mores, que significa "relativo aos costumes". Seria importante referir, ainda, quanto à etimologia da palavra "moral", que esta se originou a partir do intento de os romanos traduzirem a palavra grega êthica.
"Moral" não traduz, no entanto, por completo, a palavra grega originária. É que êthica possuía, para o gregos, dois sentidos complementares: o primeiro derivava de êthos e significava, numa palavra, a interioridade do ato humano, ou seja, aquilo que gera uma ação genuinamente humana e que brota a partir de dentro do sujeito moral, ou seja, êthos remete-nos para o âmago do agir, para a intenção. Por outro lado, êthica significava também éthos, remetendo-nos para a questão dos hábitos, costumes, usos e regras, o que se materializa na assimilação social dos valores.
A tradução latina do termo êthica para mores "esqueceu" o sentido de êthos (a dimensão pessoal do acto humano), privilegiando o sentido comunitário da atitude valorativa. Dessa tradução incompleta resulta a confusão que muitos, hoje, fazem entre os termos ética e moral.
A ética pode encontrar-se com a moral pois a suporta, na medida em que não existem costumes ou hábitos sociais completamente separados de uma ética individual (a sociedade é um produto de individualidades). Da ética individual se passa a um valor social, e deste, quando devidamente enraizado numa sociedade, se passa à lei. Assim, pode-se afirmar, seguindo este raciocínio, que não existe lei sem uma ética que lhe sirva de alicerce.
Alguns dicionários definem moral como "conjunto de regras de conduta consideradas como válidas, éticas, quer de modo absoluto para qualquer tempo ou lugar, quer para grupos ou pessoa determinada" (Aurélio Buarque de Hollanda), ou seja, regras estabelecidas e aceitas pelas comunidades humanas durante determinados períodos de tempo.
Moral e Direito
Moral é um conjunto de regras no convívio. O seu campo de aplicação é maior do que o campo do Direito. Nem todas as regras Morais são regras jurídicas. O campo da moral é mais amplo. A semelhança que o Direito tem com a Moral é que ambas são formas de controle social.
Existem algumas teorias que podem explicar melhor o campo de aplicação entre o Direito e Moral, quais sejam:
Teoria dos círculos secantes de Claude du Pasquier, segundo a qual Direito e Moral coexistem, não se separam, pois há um campo de competência comum onde há regras com qualidade jurídica e que têm caráter moral. Toda norma júridica tem conteúdo moral, mas nem todo conteúdo moral tem conteúdo jurídico;
Teoria dos círculos concêntricos (Jeremy Bentham), segundo a qual a ordem jurídica estaria incluída totalmente no campo da Moral. Os dois círculos (Moral e Direito) seriam concêntricos, com o maior pertencendo à Moral. Assim, o campo moral é mais amplo do que o do Direito e este se subordina à Moral.
Teoria do mínimo ético, desenvolvida por Georg Jellinek, segundo a qual o Direito representa apenas o mínimo de Moral obrigatório para que a sociedade possa sobreviver.
Moral significa, portanto, valor relativo ou absoluto da conduta humana dentro de um espaço de tempo. Também pode ser considerado como tudo aquilo que promove o homem de uma forma integral e integrada. Integral significa a plena realização do homem, e integrada, o condicionamento a idêntico interesse do próximo. Dentro desta concepção constitui-se como um bem o que não comprometa o desenvolvimento integral do homem e nem afete igual interesse dos membros da sociedade.
" Os egípcios, os babilônios, os chineses e os próprios gregos não distinguem o direito da moral e da religião. Para eles o direito se confunde com os costumes sociais. Moral, religião e direito são confundidos. Nos códigos antigos, encontramos não só preceitos jurídicos, como, também, prescrições morais e religiosas. O direito nesse tempo ainda não havia adquirido autonomia, talvez porque, como nota Roubier, 'nas sociedades antigas, a severidade dos costumes e a coação religiosa permitiram obter espontaneamente o que o direito só conseguiu mais tarde', com muita coerção."
Conclui-se que a moral vem antes do Direito, ou da ciência do Direito.
“Os romanos, organizadores do direito, definindo-o sob a influência da filosofia grega, consideraram-no como ars boni et aequi. (arte do bom e equitativo). O grande jurisconsulto Paulo, talvez compreendendo a particularidade do direito, sustentou que non omne quod licet honestum est. [1] Nem tudo que é lícito é honesto. Nem tudo que é legal é moral. O permitido pelo direito nem sempre está de acordo com a moral.”
“A moral tem por objeto o comportamento humano regido por regras e valores morais, que se encontram gravados em nossas consciências, e em nenhum código, comportamento resultante de decisão da vontade que torna o homem, por ser livre, responsável por sua culpa quando agir contra as regras morais.”
“O direito é:
heterônomo: por ser imposto ou garantido pela autoridade competente, mesmo contra a vontade de seus destinatários
bilateral: em virtude de se operar entre indivíduos (partes) que se colocam como sujeitos, um de direitos e outro de obrigações.
coercível: porque o dever jurídico deve ser cumprido sob pena de sofrer o devedor os efeitos da sanção organizada, aplicável pelos órgãos especializados da sociedade.
A moral é:
- autônoma pois é imposta pela consciência ao homem.
- unilateral: por dizer respeito apenas ao indivíduo.
- incoercível: o dever moral não é exigível por ninguém, reduzindo-se a dever de consciência.”

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Novo vestibular já recebeu a adesão de 25 universidades federais

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da Agência Brasil
Pelo menos 25 das 55 universidades federais vão aderir ao novo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em substituição total ou parcial aos seus vestibulares tradicionais.
O prazo inicial definido pela Secretaria de Ensino Superior para que as instituições definissem suas adesões terminou sexta-feira (8). Mas o ministro da Educação, Fernando Haddad, disse que as discussões devem se estender até o fim de maio.
Durante o mês de abril, o ministro da Educação participou de diversas reuniões com os reitores das instituições e com o comitê de governança responsável pela criação do novo modelo.
A proposta apresentada pelo MEC no fim de março era de que o Enem substituísse os vestibulares em todas as universidades federais. Como as instituições têm autonomia para organizar seus processo seletivos, o projeto foi levado à comunidade acadêmica e aos conselhos. Muitas universidades continuam debatendo a proposta e ainda não têm um posicionamento.
Numa reunião com os governadores do Nordeste, Haddad disse que o número de universidades que já aderiram ao novo vestibular superou a previsão inicial do MEC. O ministério apresentou quatro opções de adesão às instituições. Elas poderão utilizar o Enem como prova única; como uma primeira fase, ficando a segunda à cargo da instituição; combinando a nota do Enem à do vestibular tradicional ou para seleção de estudantes para vagas remanescentes.
As provas do novo Enem estão marcadas para 3 e 4 de outubro. Os estudantes que quiserem se candidatar às vagas de uma das instituições participantes devem necessariamente participar do exame. Os prazos de inscrição ainda não foram divulgados pelo MEC.
Confira a lista das universidades que já confirmaram a adesão:
1. Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (FCSPA)
2. Universidade Federal do Pampa (Unipampa)
3. Universidade Federal do Rio Grande (FURG)
4. Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)
5. Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
6. Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)
7. Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio)
8. Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
9. Universidade Federal Fluminense (UFF)
10.Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
11. Universidade Federal do ABC (UFABC)
12. Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM)
13. Universidade Federal de Alfenas (Unifal)
14. Universidade Federal de Itajubá(Unifei)
15. Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
16. Universidade Federal de Lavras (UFLA)
17. Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ)
18. Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS)
19. Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)
20. Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf)
21. Universidade Federal do Piauí (UFPI)
22. Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA)
23. Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
24. Universidade Federal da Bahia (UFBA)
25. Universidade Federal do Amazonas(UFAM)
crise nos interpela a avaliar as raízes estruturais da sociedade que criamos na modernidade precisamente a partir de uma consideração de sua configuração atual apresentada como a realização plena de suas potencialidades: a sociedade mundializada. Este processo de mundialização se fez em função da efetivação eficiente do objetivo central deste modelo social que é a busca de lucros, de oportunidades de acumulação de capital como fim absolutizado, do controle dos mercados e de áreas de influência. Isto conduz tanto a uma competitividade exacerbada e destruidora da natureza como ao aprofundamento das desigualdades entre países ricos e pobres e entre os setores ricos e pobres no interior dos países. Um problema grave neste contexto é a inadequação das instituições vigentes nos três grandes níveis _ nacional, regional e mundial_ para controlar os agentes globais e garantir a democratização dos produtos do grande salto tecnológico e dos processos de expansão mundial do modelo. Trata-se aqui de um modelo de crescimento humano centrado na visão do homem como um indivíduo fechado em si mesmo e em suas aspirações, no mercado como instância básica de coordenação da vida social e no lucro como fins últimos da vida societária. Ele conduz a um progresso material gigantesco ligado a uma também gigantesca degradação da dignidade do ser pessoal uma vez que mercantiliza o ser humano em suas diferentes dimensões e o convence a se submeter a este processo como a algo natural. Nesta concepção, eticamente inaceitável é tudo o que se contrapõe à acumulação e à expansão do capital, uma visão hegemônica em nossos contextos culturais. Em última instância, esta concepção articula o sentido da vida humana: produzir e consumir ilimitadamente todo tipo de bem material, portanto, acumulação de bens materiais e maximização do consumo, o que significa uma redução da vida humana à sua dimensão material que em última análise significa o não reconhecimento efetivo da dignidade humana. Desta forma, um materialismo radical rege as relações entre pessoas e povos. Quem não tem capital e poder de compra não é reconhecido. É a lógica da exclusão: aqui a pessoa humana não constitui peso decisivo no cálculo do sistema que é voltado a uma acumulação cada vez mais eficiente do capital. Este processo termina por reduzir o ser humano a um instrumento da acumulação propiciada por seu trabalho convertido em mercadoria. Hoje em muitos casos ele não chega nem a isto porque se transforma em mão-de-obra excedente. Esta forma de organizar a vida coletiva se contrapõe à igualdade fundamental de todos os seres humanos e isto estruturalmente porque aqui uns são donos e gestores do capital em todas as suas formas enquanto outros na melhor das hipóteses são donos de sua capacidade de trabalhar. Neste sentido se deve dizer que esta estruturação social se radica na exploração porque apenas uma minoria se apropria dos benefícios do que a maioria produz. Assim, ela ignora no curso de sua efetivação as oportunidades desiguais dos cidadãos, submete-os a uma competição cruel e produz um ser humano voltado para si mesmo e para suas aspirações. Este tipo de personalidade identifica o sentido da vida pessoal com poder aquisitivo e consumo. Assim se alimenta uma situação de injustiça que provoca a violência e se defende um modelo industrial de crescimento que não contabiliza os inúmeros custos externos da produção e menos ainda as consequências em custos sociais e ecológicos. Tudo significa dizer que este modelo socioeconômico se radica em valores e gera atitudes que destroem a dignidade do ser humano e tenta sufocar os movimentos de solidariedade que trazem à opinião pública o debate sobre um modelo alternativo. Uma vida ética aqui implica confrontação radical com um sistema incompatível com a dignidade de que é portador o ser humano.

Manfredo Araújo de Oliveira - Filósofo

sábado, 16 de maio de 2009

Dadiva de Deus

Assumir tomando posse no dia 30 de abril de 2009 referente a uma luta ardua perdurando na justica deve-se render gracas a Deus pela esplendida vitoria.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

A Eleição do Poste.

Roberto Malvezzi (Gogó)

"Se eu quiser, meu filho, elejo até um poste". O criador da célebre frase foi Antônio Carlos Magalhães no auge de seu poder, ainda na década de 80. Seu candidato a governador da Bahia, Clériston de Andrade, morrera num acidente de avião 40 dias antes das eleições estaduais de 82. Questionado, sem saber exatamente quem indicar, o velho coronel se saiu com essa. E o poste – absolutamente desconhecido dos baianos à época - acabou sendo João Durval Carneiro, pai do atual prefeito de Salvador.
Mas ACM sabia o que dizia. Trazia os prefeitos amarrados aos seus pés como se amarra bode no poste. Sempre cheio de dossiês contra as falcatruas dos prefeitos, controlando a vida pessoal de cada um, controlando a prestação de contas no Tribunal de Contas da Bahia, ninguém escapava ileso. Um velho prefeito de Campo Alegre de Lurdes, norte da Bahia, ficou famoso na cidade por levar, literalmente, um chute no traseiro no gabinete de ACM.
O reinado de ACM acabou. Continuam seus herdeiros, não o ACM Neto, mas o Geddel Vieira Lima, prata da casa, que aprendeu com ACM como se faz política com o dinheiro público. Dessa forma, pegou o dinheiro da revitalização do São Francisco e do Ministério da Integração e fez sua base na Bahia, deixando os petista daqui com cara de brasileiro depois da última copa do mundo.
Mas, não foi só aqui. Todos os presidenciáveis petistas perderam: Marta em São Paulo, Wagner na Bahia, Dilma e Tasso no Rio Grande do Sul. Não há outro ACM e não existem mais postes.
O que pode trazer essa eleição municipal para os rumos do país em 2010? Nada. O que existe no cenário político brasileiro é a mesmice. A velha diferença das "colas", como dizia Lula quando ainda tinha humor político. Nós que precisamos dar um salto de qualidade na política, vemos nossas esquerdas perdidas nos velhos esquemas, sem capacidade de reinvenção, sem compreender a crise civilizatória e propor realmente uma estratégia de futuro para o país. Vamos acabar com nossas florestas, rios, minérios, numa economia primitiva e predadora. Vamos em linha reta como um carro no rumo do abismo. Nesse ponto, nem a grande mídia colabora para uma reflexão mais crítica, perdida nas pontualidades da crise financeira atual.
Talvez aquele "menino" que ganhou a eleição em Bauru – parece que a única novidade no Brasil – simbolize um pouco de oxigênio e de clorofila para a vetusta política que paira no Brasil das eleições. Senão, nosso futuro político será o mesmo das nossas florestas. -- Ana RitaSecretaria Operativa da Vía Campesina - Brasil(61)3322-5424/8176-8823"O sonho pelo qual brigo exige que eu invente em mim a coragem de lutar ao lado da coragem de amar" - Paulo Freire

domingo, 29 de março de 2009

Amar

Queria eu amar;
Amar incondicionalmente;
Amar esquecendo as rudezas de minha alma;
Esquecer o quão é improfícuo ter
meu próximo por objeto odioso;
Amar com a alma sem atentar
o corpo ou sua volúpia...

Ter a benquerencia por preceito de vida
princípuo, que fosse aqui ou algures, quiça.

Apenas almejei amar;
Amar como o amante ama o amor;
Como o sonhador ama as estrelas;
Como o calor lúbrico chama a paixão;
Como a alma deseja voar livremente ao céu...

Amar para saciar o infinito,
contido em mim, finito.

Simplismente amar para entender o que une
o universo em uma melodiosa e sonora vibração,
tão divina em sua sutileza, que até o
coração mais rubro faria- se em
eternas e lindas lágrimas imaculadas de
um anjo...

Autoria : Hildo Junior

terça-feira, 17 de março de 2009

VITORIOSA LUTA PROCESSUAL

Neste dia 17 de março de 2009 pode-se considerá como o dia do êxito,pois entre todos os companheiros que ingressaram ação contra o município( Mandado de segurança nº 691.694-8/2005 ) mediante uma audiência celebrou um acordo com intenções de convocar e nomear na presença do MM juiz Dr José Goes Silva Filho- 1ª vara da fazenda pública em Juazeiro Bahia, tendo um prazo máximo de trinta dias a contar dos feitos.Conclui-se que a melhor justiça é a divina que inspira os homens nos seus atos benignos,mas entende-se que o direito não socorre aos que dormem.Portanto não deve-se ficar deitado eternamente em berço esplêndido e lutar sempre e sempre.( autoria Antonio dos Santos Sobrinho)

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Carnavila de Fantasias

Participe do Carnavila de Fantasias

Faça e vista sua fantasia, participe do concurso mais animado do carnaval, dia 22/02/2009 das 14h as 18h, na rua 1, na praça Raimundo Medrado.

informações: amvj.org@hotmail.com

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Os momentos de Bertolt Brecht no Brasil

Eduardo Luiz Viveiros de Freitas** 17/08/2004
Bertolt Brecht (1898-1956), poeta e dramaturgo alemão, teve suas obras traduzidas e peças teatrais montadas no Brasil, ao longo do século XX, e está em cartaz neste novo século. A presente comunicação abordará alguns desses momentos, e procurará pontuar aspectos estéticos e políticos da trajetória de Brecht entre nós.Sobre a vida e obra de Bertolt Brecht, escrevi em outro trabalho, apresentado no Seminário "Arte e Política", em 1998, promovido pelo NEAMP (Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política) . Aqui, serão abordados alguns momentos da recepção de suas idéias, a montagem de suas peças teatrais, e a influência do autor sobre o teatro brasileiro, especificamente o teatro feito em São Paulo. Serão pontuadas algumas observações sobre o momento estético e político em que isso acontece.Um desses momentos é a montagem da peça O Rei da Vela, pelo Teatro Oficina, em 1967. Escrita em 1933 e publicada em 1937, a peça de Oswald de Andrade representou o exemplo inaugural de um teatro concebido segundo os princípios do modernismo, para o crítico Sábato Magaldi. A análise cor de rosa da realidade brasileira é substituída por uma visão desmistificadora do Brasil. A peça demole todos os valores sobre os quais se erigiu a "nacionalidade" brasileira, é inovadora do ponto de vista cênico, renega a tradição teatral da época, utilizando-se da paródia, da caricatura feroz, introduzindo a estética da descompostura. "A burguesia só produziu um teatro de classe. A apresentação de classe. Hoje evoluímos. Chegamos à espinafração", definia o programa a ser desenvolvido pelo espetáculo. No ano de 1967, a montagem do Oficina tirou a máscara do Brasil.Mesmo admitindo que dificilmente Oswald de Andrade conhecesse Brecht, cuja Ópera dos Três Vinténs havia sido apresentada em Paris, após a temporada alemã de 1928, é possível especular sobre a utilização pelo autor, ao escrever a peça, mais de uma vez, do efeito de estranhamento (ou distanciamento) criado pelo dramaturgo alemão. A peça talvez não tenha sido escrita sob a influência de Brecht, mas a montagem do Oficina de José Celso Martinez Corrêa, tendo Renato Borghi no papel principal, carnavalizava o Brasil colonizado, e apresentava as estratégias de sempre de que se valem, na visão de Oswald, as classes privilegiadas para preservar seus interesses. O golpe militar de 1964 havia feito o país regredir a um melancólico obscurantismo, a vida havia como que se paralisado, e uma das frentes de resistência (em alguns momentos, a única) estava na luta cultural, no embate estético. As idéias de Brecht já eram mais ou menos conhecidas no Brasil, desde sua morte em 1956. Sobre o autor, o crítico Sábato Magaldi escrevera um artigo para o Suplemento Cultural do Estadão nesse mesmo ano. Uma montagem de A Alma Boa de Setsuan foi realizada em 1958, pela Companhia Maria Della Costa-Sandro Polloni, em São Paulo. Não apenas a capital paulista, mas Rio de Janeiro, Salvador e Porto Alegre, principalmente, viram montagens de Brecht nesses mais de 40 anos em que o autor é conhecido no Brasil.A influência das idéias e da estética do dramaturgo alemão é patente em autores, diretores e demais artistas de teatro, em instituições e entidades culturais e políticas como Oduvaldo Vianna Filho, o "Vianinha", e nos CPCs da UNE (Centros Populares de Cultura da União Nacional dos Estudantes). De Augusto Boal, criador do Sistema Curinga, inspirado no distanciamento brechtiano, os textos e montagens como Revolução na América do Sul, Arena Conta Zumbi e Arena Conta Tiradentes, e todo o desenvolvimento posterior de sua teoria teatral (Teatro do Oprimido, Teatro-Fórum, Teatro Invisível e Teatro Legislativo), são realizações que devem muito ao Pequeno Organon (1948) e ao Teatro de Brecht.Também nesse quadro insere-se o Teatro Oficina de José Celso Martinez Corrêa, na já citada montagem do Rei da Vela, e nas elogiadas Galilei Galileu e Na Selva das Cidades, do próprio Brecht, e mesmo no polêmico Roda Viva, de Chico Buarque, dirigido por José Celso. Ainda Gianfrancesco Guarnieri (que apesar de usar "black tie" na forma dramática, não deixou de fazer um macacão épico, contrariando Iná Camargo da Costa), Francisco de Assis, Aderbal Freire Filho, O Grupo Opinião e seus shows (no Rio de Janeiro), Fauzi Arap, Dias Gomes, e, por que não?, Millôr Fernandes, no momento em que concebeu o espetáculo "Liberdade, Liberdade", junto com Flávio Rangel. "Liberdade, Liberdade", um roteiro recheado de textos de vários autores e personalidades da história humana (Brecht ao lado de Churchill, Shakespeare, Manuel Bandeira, Sócrates, entre outros), foi transformado em espetáculo em 1965/1966, no Rio de Janeiro e em São Paulo e assim foi recebido pelo crítico Athos Abramo:"A atenção do público é mantida sempre agudamente alerta pela inteligente, sóbria e eficaz intercalação entre roteiro e textos escolhidos (....) o espetáculo 'voa', por assim dizer, num dramático jogo, intenso e penetrante, entre o quase sempre épico dos textos e o quase sempre satírico do roteiro, num diálogo de natureza coral entre sentimento e razão, no qual tomam forma e expansão tanto a consciência da nossa condição coletiva como a da nossa condição individual e íntima." Paulo Autran e Oduvaldo Vianna Filho, ao lado de Teresa Rachel, garantiram a qualidade do espetáculo. Não deixa de ser interessante, porém, a observação do mesmo crítico sobre o trabalho da atriz: "Também o trabalho de Teresa Rachel merece destaque. Na cena de Brecht ela atinge uma comovente intensidade". A "tropicalização" de Brecht fez com que fossem encontrados argumentos para contestar os que consideram que a pesquisa formal de Brecht, na busca de uma ciência em cena, ciência do homem , reduzia tudo à categoria do objeto (racional, frio), sem deixar espaço para a subjetividade, a emoção.Para ficarmos no momento político-estético mais sensível da recepção de Brecht no Brasil, as experiências e artistas acima mencionados um pouco caoticamente, que aconteceram/ atuaram, principalmente, dos anos 50 a fins dos anos 60, podem ter deixado de lado o apuro na aplicação dos postulados teóricos e técnicos criados por Brecht. Mas convém não esquecer que, no enfrentamento político-cultural dos primeiros tempos da ditadura, importava mais o "que" se fazia do que "como" se fazia. O "como" foi feito, o julgamento severo de autoras como Iná Camargo da Costa, no seu "A Hora do Teatro Épíco no Brasil", pode ser "comodamente" feito com a devida distância no tempo (1996). Resta saber se, mesmo assim, faz-se justiça estética a criadores que atuaram em condições tão adversas. De resto, a resposta do "imortal" Sábato Magaldi às críticas da autora em artigo do mesmo ano (Polêmica do Teatro Épico - 1996), republicado no seu "Depois do Espetáculo" (2003), faz um contraponto que merece ser lido.Do ponto de vista da crítica e do movimento editorial, Brecht foi e vai bem, obrigado, no Brasil. A partir de críticos, pesquisadores e ensaístas como Anatol Rosenfeld, o citado Sábato Magaldi, Ingrid Koudela, Gerd Bornheim, Jaco Guinsburg, Antonio Pasta Jr, Fernando Peixoto (tradutor, também, do Teatro Completo de Brech -12 vols.- , e mais recentemente, Sérgio de Carvalho, Márcio Marciano; de tradutores como Manuel Bandeira (O Círculo de Giz Caucasiano), Christine Röhrig (O declínio do egoísta Johann Fatzer), Paulo Cesar Souza e Geir Campos (Poemas e Canções) e Maria Silvia Betti (O Método Brecht, de Frederic Jameson), pudemos ter acesso a muitas obras do autor e sobre sua vida e postulados teóricos.Num breve percurso pelos anos 70 e 80, vimos o arrefecimento da censura (sem esquecer Plínio Marcos, ao lado de Nelson Rodrigues, um dos autores mais censurados do Brasil), com o fim do AI-5, e o surgimento de um novo tipo de teatro, agora não mais baseado na força da dramaturgia, que entrou em fase de declínio no Brasil nos anos 80, quando o texto deixa de ser uma das fontes principais para o espetáculo teatral. Na chamada década perdida (pelos economistas...), o teatro dos anos 80 viu minguar a criatividade e frustrar-se a expectativa de que, com a redemocratização, o universo dramatúrgico represado pelos anos de censura iria fazer despontar os melhores textos teatrais. As metáforas dos anos 60 e o experimentalismo (a "criação coletiva") dos anos 70 revelaram-se obsoletos para uma era de individualismo exacerbado, predomínio da imagem e busca do efeito estético que impressionava, como os anos 80. Em parte o vácuo foi preenchido pelo besteirol (Mauro Rási), mas a hegemonia foi quase total dos encenadores-criadores, como Antunes Filho, Gerald Thomas, Ulisses Cruz, William Pereira, Moacir Góes, e outros, mais ou menos presentes na cena teatral ao longo da década, que teve também a presença de Eduardo Tolentino e o conjunto preciso de seu Grupo TAPA. Espetáculos belíssimos foram criados, mas sem a força instigante do teatro épico. Temos, isoladamente, uma bela experiência que se perdeu com a morte de Luiz Roberto Galízia, e a mudança de foco para Molière, por seu animador, Cacá Rosset, que foi a do Grupo Ornitorrinco, que montou Mahagonny e produziu a colagem Ornitorrinco Canta Brecht e Weill, de onde derivou a produção do espetáculo solo Cida Moreyra Canta Brecht.Dos anos 90 para cá, o momento de ressurgimento de Brecht como força propulsora estética e politicamente, para o teatro brasileiro, coincide com a retomada do trabalho em grupo, com as propostas, em São Paulo (frize-se), da Companhia do Latão, Folias D´Arte, Parlapatões, Teatro Ágora, Teatro da Vertigem, Fraternal Companhia de Arte e Malas-Artes e outros grupos. Animado por jornalistas, críticos e militantes teatrais, o Movimento Arte Contra a Barbárie produziu um projeto de lei, encampado por um vereador do PT, Vicente Cândido, aprovado e sancionado pela prefeita da capital, Marta Suplicy, que deu origem à Lei de Fomento ao Teatro, provedora de espaços (teatros da prefeitura) e recursos (dotações anuais parceladas mês a mês) que permitem o necessário fôlego para o desenvolvimento de trabalhos a médio e longo prazo. Brecht continua sendo a referência para os artistas desses grupos, não apenas como autor mais próximo ideologicamente de sua formação política, e da relação pragmática que se estabeleceu entre esses grupos e o poder público na atual gestão petista da cultura em São Paulo, mas principalmente pelo desafio que representa aos criadores. Aí estão dramaturgos, dramaturgistas, em colaboração direta com atores, diretores, cenógrafos, no chamado processo colaborativo, ou na criação de uma dramaturgia em processo, à procura de caminhos para o teatro no Brasil. É obrigatória a referência a Antônio Araújo e os atores do Teatro da Vertigem (atualmente em viagem de pesquisa pelo interior do Brasil no Projeto BR3); ao manancial criativo de Luis Alberto de Abreu - e seu Núcleo de Dramaturgia da Escola Livre de Teatro de Santo André e a Fraternal Cia de Artes e Malas-Artes; à pesquisa fundamentada em sólido trabalho teórico e prático de Sérgio de Carvalho, Marcio Marciano e a Companhia do Latão; a Reinaldo Maia, Marco Antonio Rodrigues e atores do Galpão Folias D´Arte; nos seminários e publicações que esses grupos, como o Teatro Ágora, têm produzido. Neste milênio que se inicia, as condições políticas e estéticas nunca foram tão boas para se compreender as idéias e o teatro de Brecht. Existem outras referências do universo teatral, como Artaud, Boal, Eugênio Barba, Grotowski, Peter Brook. Há uma busca incessante no teatro, talvez mais do que na sociedade, por um sentido para o Homem. E isso não se traduz só em imagens, mas em palavras, em ações, em novos personagens e propostas cênicas. Finalizo este texto ao comentar a montagem da UNICAMP de Terror e Miséria do Terceiro Reich, que esteve em cartaz até 11/08/04 na "Casa das Caldeiras", na avenida Francisco Matarazzo, aqui em São Paulo. O diretor, Marcelo Lazzaratto, fez uma excelente leitura de 16 dos 24 quadros da peça, escrita por Brecht no exílio, entre 1935 e 1938. O uso do espaço de uma antiga fábrica dos Matarazzo, com ambientação de cenas em diversos locais que lembram os porões do nazismo, e a generosidade do elenco de jovens estudantes de teatro da UNICAMP, traziam aos espectadores imagens e momentos que já foram mostrados de diversas maneiras pela mídia, pelo cinema, por fotografias e pela crueza de documentários sobre o holocausto. No entanto, nos quase 200 minutos de espetáculo, quando nos locomovemos por aquele espaço, vimos - porque isso nos foi mostrado pelos atores, didaticamente - quanto o medo pode destruir vidas, valores, conceitos, projetos, indivíduos e nações. Não estávamos lá para sentir, não precisávamos nos identificar com o sofrimento humano ali mostrado. Como não precisamos nos identificar, talvez possamos refletir sobre o que vimos e ouvimos. Duas conclusões: tanto abjeta pode ser a piedade, como quanto cínica é a compaixão. E o mais covarde é o que apenas se "solidariza" com o sofrimento alheio.Hannah Arendt mostra, num ensaio sobre Brecht, publicado no livro "Homens em tempos sombrios", o percurso atormentado do jovem hedonista para o homem em dúvida sobre suas escolhas, ao final da vida, e a submissão do poeta ao stalinismo, em sua volta "ao lar", quando ganhou de presente um teatro do Estado, o Berliner Ensemble. Ora, o "pobre B.B.", que nunca "desperdiçou nenhuma partícula de piedade consigo mesmo", não queria ensinar ou ser modelo para ninguém, apenas quis ser o que mais desejou ser na vida: poeta. E olhem que isso não é fácil, em qualquer tempo ou lugar...* Comunicação apresentada em 17/08/04, na XII ª Semana de Ciências Sociais da PUC-SP/ 2004 no Grupo de Trabalho: Linguagens e estéticas transversais.** Eduardo Luiz Viveiros de Freitas (Eduardo Viveiros) - doutorando do Programa de Estudos Pós-graduados em Ciências Sociais, e membro do NEAMP (Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política), Departamento de Política, Faculdade de Ciências Sociais / PEPg em Ciências Sociais da PUC-SP( Eduardo Luiz Viveiros de Freitas** 17/08/2004 )

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

feliz 2009

Esse ano tem tudo para ser um ano promissor, pois todos os sentidos nos levam,basta acreditar nos ideais de mudança e renovar todos os nossos conceitos e buscar novos rumos...

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

outras freqüências (Humberto Gessinger)

Engenheiros do Hawaii

seria mais fácil fazer como todo mundo faz
o caminho mais curto, produto que rende mais
seria mais fácil fazer como todo mundo faz
um tiro certeiro, modelo que vende mais
mas nós dançamos no silêncio
choramos no carnaval
não vemos graça nas gracinhas da TV
morremos de rir no horário eleitoral
seria mais fácil fazer como todo mundo faz
sem sair do sofá, deixar a Ferrari pra trás
seria mais fácil como todo mundo faz
o milésimo gol sentado na mesa de um bar
mas nós vibramos em outra freqüência
sabemos que não é bem assim
se fosse fácil achar o caminho das pedras
tantas pedras no caminho não seria ruim
mas nós vibramos em outra freqüência
sabemos que não é bem assim
se fosse fácil achar o caminho das pedras
tantas pedras no caminho não seria ruim
seria mais fácil fazer como todo mundo faz

Cidadania

A história da cidadania confunde-se em muito com a história das lutas pelos direitos humanos. A cidadania esteve e está em permanente construção; é um referencial de conquista da humanidade, através daqueles que sempre lutam por mais direitos, maior liberdade, melhores garantias individuais e coletivas, e não se conformam frente às dominações arrogantes, seja do próprio Estado ou de outras instituições ou pessoas que não desistem de privilégios, de opressão e de injustiças contra uma maioria desassistida e que não se consegue fazer ouvir, exatamente por que se lhe nega a cidadania plena cuja conquista, ainda que tardia, não será obstada. Ser cidadão é ter consciência de que é sujeito de direitos. Direitos à vida, à liberdade, à propriedade, à igualdade, enfim, direitos civis, políticos e sociais. Mas este é um dos lados da moeda. Cidadania pressupõe também deveres. O cidadão tem de ser cônscio das suas responsabilidades enquanto parte integrante de um grande e complexo organismo que é a coletividade, a nação, o Estado, para cujo bom funcionamento todos têm de dar sua parcela de contribuição. Somente assim se chega ao objetivo final, coletivo: a justiça em seu sentido mais amplo, ou seja, o bem comum.