“No clamor dos povos da terra, a memória e a resistência em defesa da Vida”.
No próximo dia 4 de outubro é comemorado o aniversário do Rio São Francisco. Este ano, o Velho Chico completa 508 anos.
O maior problema que o São Francisco vive hoje é a diminuição da vazão de água. “Saíram agora estudos de climatologia dizendo que entre os rios do mundo, na América do Sul, o São Francisco foi o rio que mais perdeu água. Perdeu 35% de vazão nos últimos 50 anos. Se considerarmos as mudanças climáticas, ele pode perder ainda 25% da sua vazão nos próximos milênios”. A grande questão é ainda a quantidade da água. É um rio com todas as evidências de um quadro hídrico crítico.
Para marcar o momento de Celebração dos 508 anos do Rio, a Articulação Popular do São Francisco está realizando a “Semana do São Francisco” do dia 04 até o dia 10 de outubro.
Na Semana do Rio, irão acontecer vários eventos educativos, debates nas escolas, panfletagem e algumas outras ações sobre essas questões que dizem respeito ao rio em toda a bacia. Em Juazeiro a Semana do Rio será aberta com a exposição “Vidas Ribeirinhas”. A exposição, que ficará até o mês de dezembro no porão do museu, é composta por telas pintadas pelo artista plástico juazeirense Bebeto Assis e fotografias do Velho Chico, registradas pelo fotógrafo João Zinclar.
Outras atividades estarão sendo realizadas nas comunidades do campo e das cidades às margens da Bacia. No dia 7, haverá um debate sobre a Transposição do Velho Chico, no Centro de Cultura João Gilberto, em Juazeiro.
A Articulação Popular do São Francisco está trabalhando na mobilização das escolas das redes municipal e estadual para visitarem a exposição e participarem de rodas de diálogos sobre a atual situação do Rio São Francisco e a importância de preservá-lo.
Nos dias 9, 10 e 11 o Grupo Arte Livre de Curaçá irá apresentar peças teatrais sobre os impactos e as contradições da Transposição. O roteiro das apresentações é o seguinte: em Sobradinho, no dia 9; em Casa Nova e Juazeiro, no dia 10; e em Curaçá no dia 11.
Já entre os dias 8 e 10, acontecerá a VI Romaria das Águas de Sobradinho, com o tema “Das Águas do Velho Chico brotam vidas”. Serão realizados: seminário, debates, apresentações culturais, celebrações onde serão denunciadas as agressões ao Rio e ao seu povo principalmente através dos grandes Projetos do capital e anúncio das experiências de lutas e experiências em defesa da vida do rio e do seu povo.
Aproveitamos a oportunidade para convidar a todas as Paróquias e Pastorais da Diocese de Juazeiro para participar dos eventos que estão sendo programados para a Semana do Rio bem como discutir o tema nas atividades desenvolvidas pelas paróquias, pastorais e comunidades.
Contando com a participação de todos e todas, agradecemos,
Atenciosamente,
Marina da Rocha Braga
P/ Equipe da CPT Juazeiro e Projeto São Francisco.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
domingo, 27 de setembro de 2009
A águia
A águia é a ave que possui a maior longevidade da espécie.Chega a viver 70 anos.Mas para chegar a essa idade, aos 40 anos ela tem que tomar uma séria e difícil decisão.Aos 40 anos ela está com:- As unhas compridas e flexíveis, não consegue mais agarrar as suas presas das quais se alimenta.- O bico alongado e pontiagudo se curva.Apontando contra o peito estão as asas, envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas, e voar já é tão difícil!Então, a águia só tem duas alternativas:Morrer Ou enfrentar um dolorido processo de renovação que irá durar 150 dias.Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e se recolher em um ninho próximo a um paredão onde ela não necessite voar.Então, após encontrar esse lugar, a águia começa a bater com o bico em uma parede até conseguir arrancá-lo.Após arrancá-lo, espera nascer um novo bico, com o qual vai depois arrancar suas unhas.Quando as novas unhas começam a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas.E só após cinco meses sai para o famoso vôo de renovação e para viver então mais 30 anos. Autor desconhecido
Como nasceram os nossos símbolos SPFC
O nome, as três cores e as formas do uniforme do São Paulo não nasceram por acaso.Para cada um desses símbolos há uma história que representa a vontade dos esportistas fundadores. As três cores do São Paulo foram tiradas do vermelho do Paulistano, do preto da AA das Palmeiras e do branco dos dois. Os formatos oficiais das camisas e do símbolo foram desenhados por Walter Ostrich, alemão simpatizante do novo clube em formação.
As cinco estrelas que estão estampadas junto ao símbolo do Tricolor também tem sua história. As três vermelhas, ao centro, representam o Tricampeonato Mundial Interclubes conquistado em Tóquio, no biênio 1992/93 e no ano de 2005.As duas estrelas douradas representam os recordes mundiais e olímpicos conquistados por Adhemar Ferreira da Silva nas olimpíadas de Helsinque, em 52, e nos Jogos Panamericanos do México, em 55.
As cinco estrelas que estão estampadas junto ao símbolo do Tricolor também tem sua história. As três vermelhas, ao centro, representam o Tricampeonato Mundial Interclubes conquistado em Tóquio, no biênio 1992/93 e no ano de 2005.As duas estrelas douradas representam os recordes mundiais e olímpicos conquistados por Adhemar Ferreira da Silva nas olimpíadas de Helsinque, em 52, e nos Jogos Panamericanos do México, em 55.
AS ORIGENS do São Paulo Futebol Clube
As origens tricolores (1900-1935)
O Tricolor do Morumbi, como conhecemos hoje, nasceu em 1935, mas a paixão de um grupo de paulistanos pelo esporte vem de antes. Mais precisamente do último ano do século XIX, em 1900, quando foi fundado o Clube Atlético Paulistano.O Paulistano era o "bicho-papão" do início do século. Jogar contra o time de Friedenreich era um orgulho, e o time ia freqüentemente ao interior atendendo a convites. Também foi a primeira equipe a fazer uma excursão à Europa, em 1925. Contudo, o clube não aceitava que seus jogadores se profissionalizassem, e resolveu acabar com o departamento de futebol para não abandonar a Liga amadora à qual pertencia.E o que fazer com a paixão dos sócios aficionados por futebol? O mesmo problema tinha acabado com o futebol da Associação Atlética das Palmeiras (clube alvinegro que só tem o mesmo nome dos rivais do tricolor). E em 1930, nasceu o São Paulo da Floresta, com jogadores e as cores vermelha e branca vindos do Paulistano (cracaços como Araken, Friedenreich e Waldemar de Brito), e com o branco e o negro cedido pelo A.A. Palmeiras. Da união, também veio o nome: São Paulo da Floresta. O primeiro presidente do São Paulo da Floresta foi eleito pelos sócios: o dr. Edgard de Souza.No mesmo ano, um vice-campeonato já dava sinais da glória destinada ao clube. E na temporada seguinte, chegaria o primeiro troféu, com Nestor (Joãozinho); Clodô e Barthô; Milton, Bino e Sasse; Luizinho, Siriri (Armandinho), Fried, Araken e Junqueirinha, e Rubens Salles de técnico. E em 1933, o São Paulo da Floresta bateria o Santos por 5 x 1 na primeira partida de futebol profissional do Brasil.Só que devido a uma pendência financeira pela compra de uma sede na rua Conselheiro Crispiniano - um palacete chamado de Trocadero - o São Paulo da Floresta se complicou com dívidas e viu-se obrigado a procurar uma fusão com o Tietê, que determinou que não se usassem cores, uniformes e vários outros símbolos do São Paulo da Floresta. E no dia da extinção oficial do clube - 14 de maio de 1935 - o amor de alguns sócios pela entidade manteve-a viva criando o nosso São Paulo de hoje. Em 4 de junho daquele ano, nascia o Clube Atlético São Paulo, que em 16 de dezembro, passaria a ser o São Paulo Futebol Clube.Manoel do Carmo Meca foi o primeiro presidente e os outros fundadores do Mais Querido foram: Cid Mattos Viana, Francisco Pereira Carneiro, Eólo Campos, Manoel Arruda Nascimento, Izidoro Narvais Caro, Francisco Ribeiro Carril, Porphírio da Paz, Eduardo Oliveira Pirajá, Frederico A G. Menzen, Francisco Bastos, Sebastião Gouvêa, Dorival Gomes dos Santos, Deocleciano Dantas de Freitas e Carlos A. Azevedo Salles Jr.
O Tricolor do Morumbi, como conhecemos hoje, nasceu em 1935, mas a paixão de um grupo de paulistanos pelo esporte vem de antes. Mais precisamente do último ano do século XIX, em 1900, quando foi fundado o Clube Atlético Paulistano.O Paulistano era o "bicho-papão" do início do século. Jogar contra o time de Friedenreich era um orgulho, e o time ia freqüentemente ao interior atendendo a convites. Também foi a primeira equipe a fazer uma excursão à Europa, em 1925. Contudo, o clube não aceitava que seus jogadores se profissionalizassem, e resolveu acabar com o departamento de futebol para não abandonar a Liga amadora à qual pertencia.E o que fazer com a paixão dos sócios aficionados por futebol? O mesmo problema tinha acabado com o futebol da Associação Atlética das Palmeiras (clube alvinegro que só tem o mesmo nome dos rivais do tricolor). E em 1930, nasceu o São Paulo da Floresta, com jogadores e as cores vermelha e branca vindos do Paulistano (cracaços como Araken, Friedenreich e Waldemar de Brito), e com o branco e o negro cedido pelo A.A. Palmeiras. Da união, também veio o nome: São Paulo da Floresta. O primeiro presidente do São Paulo da Floresta foi eleito pelos sócios: o dr. Edgard de Souza.No mesmo ano, um vice-campeonato já dava sinais da glória destinada ao clube. E na temporada seguinte, chegaria o primeiro troféu, com Nestor (Joãozinho); Clodô e Barthô; Milton, Bino e Sasse; Luizinho, Siriri (Armandinho), Fried, Araken e Junqueirinha, e Rubens Salles de técnico. E em 1933, o São Paulo da Floresta bateria o Santos por 5 x 1 na primeira partida de futebol profissional do Brasil.Só que devido a uma pendência financeira pela compra de uma sede na rua Conselheiro Crispiniano - um palacete chamado de Trocadero - o São Paulo da Floresta se complicou com dívidas e viu-se obrigado a procurar uma fusão com o Tietê, que determinou que não se usassem cores, uniformes e vários outros símbolos do São Paulo da Floresta. E no dia da extinção oficial do clube - 14 de maio de 1935 - o amor de alguns sócios pela entidade manteve-a viva criando o nosso São Paulo de hoje. Em 4 de junho daquele ano, nascia o Clube Atlético São Paulo, que em 16 de dezembro, passaria a ser o São Paulo Futebol Clube.Manoel do Carmo Meca foi o primeiro presidente e os outros fundadores do Mais Querido foram: Cid Mattos Viana, Francisco Pereira Carneiro, Eólo Campos, Manoel Arruda Nascimento, Izidoro Narvais Caro, Francisco Ribeiro Carril, Porphírio da Paz, Eduardo Oliveira Pirajá, Frederico A G. Menzen, Francisco Bastos, Sebastião Gouvêa, Dorival Gomes dos Santos, Deocleciano Dantas de Freitas e Carlos A. Azevedo Salles Jr.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Polícia Militar e Justiça prendem três militantes de movimentos sociais
Ontem, 25 de agosto, por volta das 14h, três mulheres militantes de movimentos sociais (duas do MST e uma do MPA) foram presas no Acampamento Santo Antônio, em Umburanas, região de Senhor do Bonfim, Bahia.
A prisão foi motivada por uma desocupação da área da Fazenda Campo Alto, de suposta propriedade de Carlos Gilberto Cavalcante Farias, também acionista de uma grande empresa da região, a Agrovale, que hoje tem cerca de 30 mil ha de cana irrigada.
Há mais de quatro anos, a área é ocupada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Atualmente, as vinte famílias de agricultores que ocupam a área, produzem mamona, feijão, milho, mandioca e verduras, e criando pequenos animais, de forma sustentável e agroecológica.
O INCRA já fez todo o processo de vistoria e avaliação e deu a área como improdutiva, aguardando o decreto, com recursos assegurados para pagar a indenização. Entretanto, o proprietário entrou com uma medida de efeito suspensório, que foi acatada pela 7ª Vara Federal, localizada em Campo Formoso. É lamentável que o juiz não teve o cuidado necessário com as famílias, como teve com o suposto fazendeiro.
No último dia 8 de julho, foi feita uma reunião com a participação de dois membros da Casa Militar: Tenente Coronel Manoelito e Capitão Martins; e o Tenente Comandante da 1ª Companhia de Senhor do Bonfim. Estiveram também presentes, representantes do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Senhor do Bonfim; Sindicato dos Servidores de Senhor do Bonfim; Movimento dos Pequenos Agricultores; Comissão Pastoral da Terra; Pastoral da Juventude do Meio Popular e o MST.
Nessa reunião foi acordado um prazo para colheita de algumas culturas e a saída pacífica dos trabalhadores da área, até que o INCRA dê o resultado final. No entanto, seguindo ordens truculentas da Oficial de Justiça da Vara Federal de Campo Formoso, um Pelotão da Polícia Militar, identificou e prendeu três lideranças dos trabalhadores, numa tentativa de fragilizar e criminalizar os movimentos sociais.
Os movimentos sociais, principalmente o MST e o MPA, estão buscando providências cabíveis e necessárias para a resolução do conflito.
fonte e-mail enviado por Paulo Victor-cpt Juazeiro.
A prisão foi motivada por uma desocupação da área da Fazenda Campo Alto, de suposta propriedade de Carlos Gilberto Cavalcante Farias, também acionista de uma grande empresa da região, a Agrovale, que hoje tem cerca de 30 mil ha de cana irrigada.
Há mais de quatro anos, a área é ocupada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Atualmente, as vinte famílias de agricultores que ocupam a área, produzem mamona, feijão, milho, mandioca e verduras, e criando pequenos animais, de forma sustentável e agroecológica.
O INCRA já fez todo o processo de vistoria e avaliação e deu a área como improdutiva, aguardando o decreto, com recursos assegurados para pagar a indenização. Entretanto, o proprietário entrou com uma medida de efeito suspensório, que foi acatada pela 7ª Vara Federal, localizada em Campo Formoso. É lamentável que o juiz não teve o cuidado necessário com as famílias, como teve com o suposto fazendeiro.
No último dia 8 de julho, foi feita uma reunião com a participação de dois membros da Casa Militar: Tenente Coronel Manoelito e Capitão Martins; e o Tenente Comandante da 1ª Companhia de Senhor do Bonfim. Estiveram também presentes, representantes do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Senhor do Bonfim; Sindicato dos Servidores de Senhor do Bonfim; Movimento dos Pequenos Agricultores; Comissão Pastoral da Terra; Pastoral da Juventude do Meio Popular e o MST.
Nessa reunião foi acordado um prazo para colheita de algumas culturas e a saída pacífica dos trabalhadores da área, até que o INCRA dê o resultado final. No entanto, seguindo ordens truculentas da Oficial de Justiça da Vara Federal de Campo Formoso, um Pelotão da Polícia Militar, identificou e prendeu três lideranças dos trabalhadores, numa tentativa de fragilizar e criminalizar os movimentos sociais.
Os movimentos sociais, principalmente o MST e o MPA, estão buscando providências cabíveis e necessárias para a resolução do conflito.
fonte e-mail enviado por Paulo Victor-cpt Juazeiro.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Edital
O presidente da Associação de Moradores da Vila Jacaré no uso de suas atribuições legais conferidas no Estatuto Social art. XII, alínea b),convoca todos os associados e demais moradores interessados para uma assembléia geral extraordinária que será realizada no dia 21 de agosto do ano em curso às 19 horas (7:30 da noite) na Escola Crenildes Luiz Brandão, situada a rua Alfredo Nunes de Oliveira a fim de tratar da seguinte pauta:
· Aprovação do Regimento do Processo Eleitoral da Associação de Moradores da Vila Jacaré.
Certos de contar com sua preciosa presença agradece, agradece,
ANTONIO DOS SANTOS SOBRINHO
PRESIDENTE
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Biografia de Milton Santos
Milton Santos nasceu no município baiano de Brotas de Macaúbas em 3 de maio de 1926. Ainda criança, migrou com sua família para outras cidades baianas, como Ubaituba, Alcobaça e, posteriormente, Salvador. Em Alcobaça, com os pais e os avós maternos (todos professores primários), foi alfabetizado e aprendeu álgebra e a falar francês.
Aos 13 anos, Milton dava aulas de matemática no ginásio em que estudava, o Instituto Baiano de Ensino. Aos 15, passou a lecionar Geografia e, aos 18, prestou vestibular para Direito em Salvador. Enquanto estudante secundário e universitário marcou presença na militância política de esquerda. Formado em Direito, não deixou de se interessar pela Geografia, tanto que fez concurso para professor catedrático no Colégio Municipal de Ilhéus. Nesta cidade, além do magistério desenvolveu atividade jornalística, estreitando sua amizade com políticos de esquerda. Nesta época, escreveu o livro Zona do Cacau, posteriormente incluído na Coleção Brasiliana, já com influência da Escola Regional francesa.
Em 1958, concluiu seu doutorado na Universidade de Strasburgo, na fronteira da França com a Alemanha. Ao regressar ao Brasil, criou o Laboratório de Geomorfologia e Estudos Regionais, mantendo intercâmbio com os mestres franceses. Após seu doutorado, teve presença marcante na vida acadêmica, em atividades jornalísticas e políticas de Salvador. Em 1960, o presidente Jânio Quadros o nomeia para a subchefia do Gabinete Civil, tendo viajado a Cuba com a comitiva presidencial - o que lhe valeu registro nos órgãos de segurança nacional após o golpe de 1964.[1]
Exílio
Em função de suas atividades políticas junto à esquerda, Milton foi perseguido pelos órgãos de repressão da ditadura militar. Seus aliados e importantes políticos interviram junto às autoridades militares para negociar sua saída do país, após ter cumprido meio ano de prisão domiciliar. Milton achou que que ficaria fora do país por 6 meses, mas acabou ficando 13 anos. Milton começa seu exílio em Toulouse, passando por Bordeaux, até finalmente chegar em Paris em 1968, onde lecionou na Sorbonne, tendo sido diretor de pesquisas de planejamento urbano no prestigiado Iedes.
Permaneceu em Paris até 1971, quando se mudou para o Canadá. Trabalhou na Universidade de Toronto. Foi para os Estados Unidos, com um convite para ser pesquisador no Massachusetts Institute of Technology (MIT), onde trabalha com Noam Chomsky. No MIT trabalha em sua grande obra O Espaço Dividido. Dos EUA viaja para a Venezuela, onde atua como diretor de pesquisa sobre planejamento da urbanização do país para um programa da ONU. Neste país manteve contato com técnicos da Organização dos Estados Americanos. Estes contatos facilitaram sua contratação pela Faculdade de Engenharia de Lima, onde foi contratado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) para elaborar um trabalho sobre pobreza urbana na América Latina.
Posteriormente, foi convidado para lecionar no University College de Londres, mas o convite ficou apenas na tentativa, já que lhe impuseram dificuldades raciais. Regressa a Paris, mas é chamado de volta à Venezuela, onde leciona na Faculdade de Economia da Universidade Central. Segue, posteriormente para Tanzânia, onde organiza a pós-graduação em Geografia da Universidade de Dar es Salaam. Permaneceu por dois anos no país, quando recebeu o primeiro convite de uma universidade brasileira, a Universidade de Campinas. Antes disso, regressa à Venezuela, passando antes pela Universidade de Colúmbia de Nova Iorque.
Retorno ao Brasil
No final de 1976, houve contatos para a contratação de Milton pela universidade brasileira, mas não havia segurança na área política e o contato fracassou. Em 1977, Milton tenta inscrever-se na Universidade da Bahia, mas, por artimanhas político-administrativas, sua inscrição foi cancelada. Ao regressar da Universidade de Colúmbia iria para a Nigéria, mas recusou o convite para aceitar um posto como Consultor de Planejamento do estado de São Paulo e na Emplasa. Esse peregrinar lhe custou muito, mas sua volta representou um enorme esforço de muitos geógrafos, destacando-se Armen Mamigonian, Maria do Carmo Galvão, Bertha Becker e Maria Adélia de Souza. Quanto ao seu regresso, Milton tinha um grande papel nas mudanças estruturais do ensino e da pesquisa em Geografia no Brasil.
Após seu regresso ao Brasil, lecionou na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) até 1983. Em 1984 foi contratado como professor titular pelo Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP), onde permaneceu mesmo após sua aposentadoria.Também cursou geografia na Universidade Católica de Salvador.
A trajetória e o reconhecimento
Embora pouco conhecido fora do meio acadêmico, Santos alcançou reconhecimento fora do país, tendo recebido, em 1994, o Prêmio Vautrin Lud, (conferido por universidades de 50 países).
Milton Santos foi dos poucos cientistas brasileiros que, expulsos durante a ditadura militar (naquilo que foi conhecido por êxodo de cérebros), voltaram depois ao país. Foi disputado por diversas universidades, que o queriam em seus quadros.
Sua obra O espaço dividido, de 1979, é hoje considerado um clássico mundial, onde desenvolve uma teoria sobre o desenvolvimento urbano nos países subdesenvolvidos.
Suas idéias de globalização, esboçadas antes que este conceito ganhasse o mundo, advertia para a possibilidade de gerar o fim da cultura, da produção original do conhecimento - conceitos depois desenvolvidos por outros. Por uma Outra Globalização, livro escrito por Milton Santos dois anos antes de morrer, é referência hoje em cursos de graduação e pós-graduação em universidades brasileiras. Traz uma abordagem crítica sobre o processo perverso de globalização atual na lógica do capital, apresentado como um pensamento único. Na visão dele, esse processo, da forma como está configurado, transforma o consumo em ideologia de vida, fazendo de cidadãos meros consumidores, massifica e padroniza a cultura e concentra a riqueza nas mãos de poucos.
abordagem inovadora
A obra de Milton Santos é inovadora ao abordar o conceito de espaço. De território onde todos se encontram, o espaço, com as novas tecnologias, adquiriu novas características para se tornar um conjunto indissociável de sistemas de objetos e sistemas de ações.
As velhas noções de centro e periferia já não se aplicam, pois o centro poderá estar situado a milhares de quilômetros de distância e a periferia poderá abranger o planeta inteiro.
Daí a correlação entre espaço e globalização, que sempre foi perseguida pelos detentores do poder político e econômico, mas só se tornou possível com o progresso tecnológico.
Para contrapor-se à realidade de um mundo movido por forças poderosas e cegas, impõe-se, para Santos, a força do lugar, que, por sua dimensão humana, anularia os efeitos perversos da globalização.
Estas idéias são expostas principalmente em sua obra A Natureza do Espaço (Edusp,2002).
Atividades, prêmios e distinções
Por seus méritos, universidades e instituições ligadas à Geografia passam a outorgar-lhe títulos acadêmicos e honrarias. Os mais importantes são:
Prêmio Internacional de Geografia Vautrin Lud, Paris, 1994
Mérito Tecnológico, Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo, 1997
Personalidade do Ano, Instituto dos Arquitetos do Brasil, 1997
Jabuti, 1997 - Prêmio pelo melhor livro das Ciências Humanas por A Natureza do Espaço - Técnica e Tempo, Razão e Emoção
Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico, 1995
Emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, em 1997
Homem de Idéias 1998, homenagem do Jornal do Brasil a Milton Santos, em 1998
Contemplado em concurso nacional da Revista Isto É como um dos 20 "Cientistas do Século", conforme encarte Especial nº 7, de 04 de agosto de 1999
Milton Santos tem o título de Doutor Honoris Causa pelas seguintes instituições:
Universidade de Toulouse, França, 1980
Universidade Federal da Bahia, 1986
Universidade de Buenos Aires, 1992
Universidade Complutense de Madri, 1994
Universidade do Sudoeste da Bahia, 1995
Universidade Federal de Sergipe, 1995
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1996
Universidade Estadual do Ceará, 1996
Universidade de Passo Fundo/RS, 1996
Universidade de Barcelona, 1996
Universidade Federal de Santa Catarina, 1996
Universidade Estadual Paulista, 1997
Universidade Nacional de Cuyo, Argentina, 1997Além da vida acadêmica, Milton Santos desempenhou outras atividades, entre as quais:
Presidente ou membro de distinguidas entidades profissionais, como:
Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB)
Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional (Anpur)
Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia (Anpege)
Consultor de organismos como:
Organização Internacional do Trabalho (OIT)
Organização dos Estados Americanos(OEA)
Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco)
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)
Secretaria da Educação Superior (SESu/MEC)
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp/SP)[carece de fontes?]
Publicações
Até 1998, seu currículo apresentava:
44 livros publicados;
231 artigos publicados (em português, francês, inglês, espanhol e japonês);
46 publicações em obras coletivas;
11 prefácios/apresentações em livros;
14 editorias ou co-editorias/organização de obras científicas, além de artigos em jornais de circulação nacional.[carece de fontes?]
Entre outras publicações:
Revista Geosul, Florianópolis, nº 7, Ano IV, de 1989, “Entrevista com o Milton Santos”, realizada pelos docentes do Departamento de Geografia da UFSC;
O Mundo do Cidadão – Um Cidadão do Mundo, Org.Maria Adélia A. de Souza, 1996;
“Entrevista Explosiva: Mestre Milton” - Revista Caros Amigos, agosto de 1998;
“Homem de Idéias - 1998: Milton Santos - Geografia e Cidadania”, Caderno Idéias e Livros do Jornal do Brasil, edição de 26 de dezembro de 1998;
“Entrevista - Milton Santos”, por José Corrêa Leite, em Teoria e Debate, Revista da Fundação Perseu Abramo, Ano 12, nº 40, fev/mar/abr 1999;
“Milton Santos”, Caderno Especial nº 7, O Cientista do século, da Revista Isto é, edição de 4 de agosto de 1999).[2]
Livros
SANTOS, Milton. A cidade nos países subdesenvolvidos. Rio de Janeiro: Ed. Civilização Brasileira S.A., 1965.
SANTOS, Milton. Geografía y economía urbanas en los países subdesarrollados. Barcelona: Oikos-Tau S.A. Ediciones, 1973.
SANTOS, Milton. Sociedade e espaco: a formacão social como teoria e como método. Boletim Paulista de Geografia, São Paulo: AGB, 1977, p. 81- 99.
SANTOS, Milton. Por uma Geografia nova. São Paulo: Hucitec-Edusp, 1978.
SANTOS, Milton. O trabalho do geógrafo no Terceiro Mundo. SP: Hucitec, 1978.
SANTOS, Milton. Pobreza urbana. São Paulo/Recife: Hucitec/UFPE/CNPV, 1978.
SANTOS, Milton. Economia espacial: críticas e alternativas. SP: Hucitec, 1979.
SANTOS, Milton. Espaço e sociedade. Petrópolis: Vozes, 1979.
SANTOS, Milton. O espaço dividido. Os dois circuitos da economia urbana dos países subdesenvolvidos. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1979 (Coleção Ciências Sociais).
SANTOS, Milton. A urbanização desigual. Petrópolis: Vozes, 1980.
SANTOS, Milton. Manual de Geografia urbana. São Paulo: Hucitec, 1981.
SANTOS, Milton. Pensando o espaço do homem. São Paulo: Hucitec, 1982.
SANTOS, Milton. Ensaios sobre a urbanização latino-americana. SP: Hucitec, 1982.
SANTOS, Milton. Espaço e Método. São Paulo: Nobel, 1985.
SANTOS, Milton. O meio técnico-científico e a redefinição da urbanização brasileira. Projeto de pesquisa apresentado ao CNPq, 1986 (datilografado).
SANTOS, Milton. Aspectos geográficos do Período Técnico-Científico no estado de São Paulo. Projeto de pesquisa apresentado à Fapesp, maio 1986 (datilografado).
SANTOS, Milton. A região concentrada e os circuitos produtivos. Texto apresentado como parte do relatório de pesquisa do projeto O Centro Nacional: Crise Mundial e Redefinição da Região Polarizada, 1986 (datilografado).
SANTOS, Milton. O espaço do cidadão. São Paulo: Nobel, 1987.
SANTOS, Milton. Metamorfoses do espaço habitado. Paulo: Hucitec, 1988.
SANTOS, Milton. O Período Técnico-Científico e os estudos geográficos: problemas da urbanização brasileira. Projeto de pesquisa apresentado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), mar. 1989 (datilografado).
SANTOS, Milton. Metrópole corporativa fragmentada: o caso de São Paulo. São Paulo: Nobel/Secretaria de Estado da Cultura, 1990.
SANTOS, Milton. A urbanização brasileira. São Paulo: Hucitec, 1993.
SANTOS, Milton. Por uma economia política da cidade. SP: Hucitec /Educ, 1994.
SANTOS, Milton. Técnica, espaço, tempo. São Paulo: Editora Hucitec, 1994.
SANTOS, Milton; SOUZA, Maria Adélia A.(org.). A construção do espaço. São Paulo: Nobel, 1986.
SANTOS, Milton. Por uma outra globalização - do pensamento único a consciência universal. São Paulo: Editora Record, 2000.
Aos 13 anos, Milton dava aulas de matemática no ginásio em que estudava, o Instituto Baiano de Ensino. Aos 15, passou a lecionar Geografia e, aos 18, prestou vestibular para Direito em Salvador. Enquanto estudante secundário e universitário marcou presença na militância política de esquerda. Formado em Direito, não deixou de se interessar pela Geografia, tanto que fez concurso para professor catedrático no Colégio Municipal de Ilhéus. Nesta cidade, além do magistério desenvolveu atividade jornalística, estreitando sua amizade com políticos de esquerda. Nesta época, escreveu o livro Zona do Cacau, posteriormente incluído na Coleção Brasiliana, já com influência da Escola Regional francesa.
Em 1958, concluiu seu doutorado na Universidade de Strasburgo, na fronteira da França com a Alemanha. Ao regressar ao Brasil, criou o Laboratório de Geomorfologia e Estudos Regionais, mantendo intercâmbio com os mestres franceses. Após seu doutorado, teve presença marcante na vida acadêmica, em atividades jornalísticas e políticas de Salvador. Em 1960, o presidente Jânio Quadros o nomeia para a subchefia do Gabinete Civil, tendo viajado a Cuba com a comitiva presidencial - o que lhe valeu registro nos órgãos de segurança nacional após o golpe de 1964.[1]
Exílio
Em função de suas atividades políticas junto à esquerda, Milton foi perseguido pelos órgãos de repressão da ditadura militar. Seus aliados e importantes políticos interviram junto às autoridades militares para negociar sua saída do país, após ter cumprido meio ano de prisão domiciliar. Milton achou que que ficaria fora do país por 6 meses, mas acabou ficando 13 anos. Milton começa seu exílio em Toulouse, passando por Bordeaux, até finalmente chegar em Paris em 1968, onde lecionou na Sorbonne, tendo sido diretor de pesquisas de planejamento urbano no prestigiado Iedes.
Permaneceu em Paris até 1971, quando se mudou para o Canadá. Trabalhou na Universidade de Toronto. Foi para os Estados Unidos, com um convite para ser pesquisador no Massachusetts Institute of Technology (MIT), onde trabalha com Noam Chomsky. No MIT trabalha em sua grande obra O Espaço Dividido. Dos EUA viaja para a Venezuela, onde atua como diretor de pesquisa sobre planejamento da urbanização do país para um programa da ONU. Neste país manteve contato com técnicos da Organização dos Estados Americanos. Estes contatos facilitaram sua contratação pela Faculdade de Engenharia de Lima, onde foi contratado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) para elaborar um trabalho sobre pobreza urbana na América Latina.
Posteriormente, foi convidado para lecionar no University College de Londres, mas o convite ficou apenas na tentativa, já que lhe impuseram dificuldades raciais. Regressa a Paris, mas é chamado de volta à Venezuela, onde leciona na Faculdade de Economia da Universidade Central. Segue, posteriormente para Tanzânia, onde organiza a pós-graduação em Geografia da Universidade de Dar es Salaam. Permaneceu por dois anos no país, quando recebeu o primeiro convite de uma universidade brasileira, a Universidade de Campinas. Antes disso, regressa à Venezuela, passando antes pela Universidade de Colúmbia de Nova Iorque.
Retorno ao Brasil
No final de 1976, houve contatos para a contratação de Milton pela universidade brasileira, mas não havia segurança na área política e o contato fracassou. Em 1977, Milton tenta inscrever-se na Universidade da Bahia, mas, por artimanhas político-administrativas, sua inscrição foi cancelada. Ao regressar da Universidade de Colúmbia iria para a Nigéria, mas recusou o convite para aceitar um posto como Consultor de Planejamento do estado de São Paulo e na Emplasa. Esse peregrinar lhe custou muito, mas sua volta representou um enorme esforço de muitos geógrafos, destacando-se Armen Mamigonian, Maria do Carmo Galvão, Bertha Becker e Maria Adélia de Souza. Quanto ao seu regresso, Milton tinha um grande papel nas mudanças estruturais do ensino e da pesquisa em Geografia no Brasil.
Após seu regresso ao Brasil, lecionou na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) até 1983. Em 1984 foi contratado como professor titular pelo Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP), onde permaneceu mesmo após sua aposentadoria.Também cursou geografia na Universidade Católica de Salvador.
A trajetória e o reconhecimento
Embora pouco conhecido fora do meio acadêmico, Santos alcançou reconhecimento fora do país, tendo recebido, em 1994, o Prêmio Vautrin Lud, (conferido por universidades de 50 países).
Milton Santos foi dos poucos cientistas brasileiros que, expulsos durante a ditadura militar (naquilo que foi conhecido por êxodo de cérebros), voltaram depois ao país. Foi disputado por diversas universidades, que o queriam em seus quadros.
Sua obra O espaço dividido, de 1979, é hoje considerado um clássico mundial, onde desenvolve uma teoria sobre o desenvolvimento urbano nos países subdesenvolvidos.
Suas idéias de globalização, esboçadas antes que este conceito ganhasse o mundo, advertia para a possibilidade de gerar o fim da cultura, da produção original do conhecimento - conceitos depois desenvolvidos por outros. Por uma Outra Globalização, livro escrito por Milton Santos dois anos antes de morrer, é referência hoje em cursos de graduação e pós-graduação em universidades brasileiras. Traz uma abordagem crítica sobre o processo perverso de globalização atual na lógica do capital, apresentado como um pensamento único. Na visão dele, esse processo, da forma como está configurado, transforma o consumo em ideologia de vida, fazendo de cidadãos meros consumidores, massifica e padroniza a cultura e concentra a riqueza nas mãos de poucos.
abordagem inovadora
A obra de Milton Santos é inovadora ao abordar o conceito de espaço. De território onde todos se encontram, o espaço, com as novas tecnologias, adquiriu novas características para se tornar um conjunto indissociável de sistemas de objetos e sistemas de ações.
As velhas noções de centro e periferia já não se aplicam, pois o centro poderá estar situado a milhares de quilômetros de distância e a periferia poderá abranger o planeta inteiro.
Daí a correlação entre espaço e globalização, que sempre foi perseguida pelos detentores do poder político e econômico, mas só se tornou possível com o progresso tecnológico.
Para contrapor-se à realidade de um mundo movido por forças poderosas e cegas, impõe-se, para Santos, a força do lugar, que, por sua dimensão humana, anularia os efeitos perversos da globalização.
Estas idéias são expostas principalmente em sua obra A Natureza do Espaço (Edusp,2002).
Atividades, prêmios e distinções
Por seus méritos, universidades e instituições ligadas à Geografia passam a outorgar-lhe títulos acadêmicos e honrarias. Os mais importantes são:
Prêmio Internacional de Geografia Vautrin Lud, Paris, 1994
Mérito Tecnológico, Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo, 1997
Personalidade do Ano, Instituto dos Arquitetos do Brasil, 1997
Jabuti, 1997 - Prêmio pelo melhor livro das Ciências Humanas por A Natureza do Espaço - Técnica e Tempo, Razão e Emoção
Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico, 1995
Emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, em 1997
Homem de Idéias 1998, homenagem do Jornal do Brasil a Milton Santos, em 1998
Contemplado em concurso nacional da Revista Isto É como um dos 20 "Cientistas do Século", conforme encarte Especial nº 7, de 04 de agosto de 1999
Milton Santos tem o título de Doutor Honoris Causa pelas seguintes instituições:
Universidade de Toulouse, França, 1980
Universidade Federal da Bahia, 1986
Universidade de Buenos Aires, 1992
Universidade Complutense de Madri, 1994
Universidade do Sudoeste da Bahia, 1995
Universidade Federal de Sergipe, 1995
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1996
Universidade Estadual do Ceará, 1996
Universidade de Passo Fundo/RS, 1996
Universidade de Barcelona, 1996
Universidade Federal de Santa Catarina, 1996
Universidade Estadual Paulista, 1997
Universidade Nacional de Cuyo, Argentina, 1997Além da vida acadêmica, Milton Santos desempenhou outras atividades, entre as quais:
Presidente ou membro de distinguidas entidades profissionais, como:
Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB)
Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional (Anpur)
Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia (Anpege)
Consultor de organismos como:
Organização Internacional do Trabalho (OIT)
Organização dos Estados Americanos(OEA)
Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco)
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)
Secretaria da Educação Superior (SESu/MEC)
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp/SP)[carece de fontes?]
Publicações
Até 1998, seu currículo apresentava:
44 livros publicados;
231 artigos publicados (em português, francês, inglês, espanhol e japonês);
46 publicações em obras coletivas;
11 prefácios/apresentações em livros;
14 editorias ou co-editorias/organização de obras científicas, além de artigos em jornais de circulação nacional.[carece de fontes?]
Entre outras publicações:
Revista Geosul, Florianópolis, nº 7, Ano IV, de 1989, “Entrevista com o Milton Santos”, realizada pelos docentes do Departamento de Geografia da UFSC;
O Mundo do Cidadão – Um Cidadão do Mundo, Org.Maria Adélia A. de Souza, 1996;
“Entrevista Explosiva: Mestre Milton” - Revista Caros Amigos, agosto de 1998;
“Homem de Idéias - 1998: Milton Santos - Geografia e Cidadania”, Caderno Idéias e Livros do Jornal do Brasil, edição de 26 de dezembro de 1998;
“Entrevista - Milton Santos”, por José Corrêa Leite, em Teoria e Debate, Revista da Fundação Perseu Abramo, Ano 12, nº 40, fev/mar/abr 1999;
“Milton Santos”, Caderno Especial nº 7, O Cientista do século, da Revista Isto é, edição de 4 de agosto de 1999).[2]
Livros
SANTOS, Milton. A cidade nos países subdesenvolvidos. Rio de Janeiro: Ed. Civilização Brasileira S.A., 1965.
SANTOS, Milton. Geografía y economía urbanas en los países subdesarrollados. Barcelona: Oikos-Tau S.A. Ediciones, 1973.
SANTOS, Milton. Sociedade e espaco: a formacão social como teoria e como método. Boletim Paulista de Geografia, São Paulo: AGB, 1977, p. 81- 99.
SANTOS, Milton. Por uma Geografia nova. São Paulo: Hucitec-Edusp, 1978.
SANTOS, Milton. O trabalho do geógrafo no Terceiro Mundo. SP: Hucitec, 1978.
SANTOS, Milton. Pobreza urbana. São Paulo/Recife: Hucitec/UFPE/CNPV, 1978.
SANTOS, Milton. Economia espacial: críticas e alternativas. SP: Hucitec, 1979.
SANTOS, Milton. Espaço e sociedade. Petrópolis: Vozes, 1979.
SANTOS, Milton. O espaço dividido. Os dois circuitos da economia urbana dos países subdesenvolvidos. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1979 (Coleção Ciências Sociais).
SANTOS, Milton. A urbanização desigual. Petrópolis: Vozes, 1980.
SANTOS, Milton. Manual de Geografia urbana. São Paulo: Hucitec, 1981.
SANTOS, Milton. Pensando o espaço do homem. São Paulo: Hucitec, 1982.
SANTOS, Milton. Ensaios sobre a urbanização latino-americana. SP: Hucitec, 1982.
SANTOS, Milton. Espaço e Método. São Paulo: Nobel, 1985.
SANTOS, Milton. O meio técnico-científico e a redefinição da urbanização brasileira. Projeto de pesquisa apresentado ao CNPq, 1986 (datilografado).
SANTOS, Milton. Aspectos geográficos do Período Técnico-Científico no estado de São Paulo. Projeto de pesquisa apresentado à Fapesp, maio 1986 (datilografado).
SANTOS, Milton. A região concentrada e os circuitos produtivos. Texto apresentado como parte do relatório de pesquisa do projeto O Centro Nacional: Crise Mundial e Redefinição da Região Polarizada, 1986 (datilografado).
SANTOS, Milton. O espaço do cidadão. São Paulo: Nobel, 1987.
SANTOS, Milton. Metamorfoses do espaço habitado. Paulo: Hucitec, 1988.
SANTOS, Milton. O Período Técnico-Científico e os estudos geográficos: problemas da urbanização brasileira. Projeto de pesquisa apresentado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), mar. 1989 (datilografado).
SANTOS, Milton. Metrópole corporativa fragmentada: o caso de São Paulo. São Paulo: Nobel/Secretaria de Estado da Cultura, 1990.
SANTOS, Milton. A urbanização brasileira. São Paulo: Hucitec, 1993.
SANTOS, Milton. Por uma economia política da cidade. SP: Hucitec /Educ, 1994.
SANTOS, Milton. Técnica, espaço, tempo. São Paulo: Editora Hucitec, 1994.
SANTOS, Milton; SOUZA, Maria Adélia A.(org.). A construção do espaço. São Paulo: Nobel, 1986.
SANTOS, Milton. Por uma outra globalização - do pensamento único a consciência universal. São Paulo: Editora Record, 2000.
sábado, 25 de julho de 2009
Principais Pontos Turísticos e HISTÓRIA DA CIDADE de Juazeiro Bahia
HISTÓRIA DA CIDADE
Do antigo porto de passagem de tropeiros e comerciantes que se embrenharam pelo sertão, ficaram, para o registro histórico, os frondosos pés de juazeiro - nome que deu origem ao município - e alguns monumentos da arquitetura civil do século passado. Um próspero comércio se desenvolveu às margens do Rio São Francisco, no principal ponto de divisa entre os estados da Bahia e Pernambuco.
Juazeiro transformou-se em um moderno pólo agro-industrial, com intensa atividade de exportação. A cidade modernizou-se com a urbanização da orla fluvial e com o novo visual dos arcos da ponte Eurico Gaspar Dutra, agora ocupados por pequenos bares e restaurantes.
Significado do Nome
Devido aos Juazeiros, ávores presentes na região, desde a época da fundação.
Aniversário da Cidade
15 de Julho
CARACTERÍSTICAS
Município porto fluvial, situado à margem direita do Rio São Francisco, na divisa com o Estado de Pernanbuco, Juazeiro é um moderno pólo agro-industrial. É considerada a Terra das Carrancas, cara de meio-homem e meio-dragão, usadas pelos barcos que subiam e desciam o São Francisco para afastar os maus espíritos, sombras, olhos dÁgua e o diabo.
Clima
Semi-Árido
Temperatura Média
24,2 ºC
COMO CHEGAR
Sair de Salvador, pela BR-324, até Feira de Santana. A partir daí, deve-se seguir para Capim Grosso, por cerca de 20 Km, onde encontra-se o entroncamento com a BR-116, que dá acesso a Juazeiro.
Localização
Município da Região do Vale do São Francisco no Estado da Bahia
Limites
Curaçá, Sobradinho, Campo, Formoso, Jaguarari, Petrolina (PE) e Lagoa Grande (PE)
Acesso Rodoviário
BR-116
Distâncias
Está a 500 Km de Salvador
TURISMO
Principais Pontos Turísticos
Ilha do Rodeadouro
A 12 Km de distância do Centro de Juazeiro, é uma das mais freqüentadas da região, com praias de areias alvas e excelentes para banho. Com uma razoável infra-estrutura a ilha possui barracas onde os visitantes podem degustar os mais variados pratos da região. Há também espaço para camping, onde as pessoas podem passar os finais de semana usufruindo as belezas naturais do local.A travessia pode ser feita através de barcos localizados às margens do Rio São Francisco no povoado do Rodeadouro ou nas Barcas de passeio que saem todos os finais de semana do cais de Juazeiro até a ilha. Durante o percurso as pessoas curtem música ao vivo enquanto contemplam as paisagens naturais do Velho Chico.
Ilha do Fogo
A ilha está localizada no centro da ponte Presidente Eurico Gaspar Dutra, marca da divisa entre os Estados da Bahia (Juazeiro) e Pernambuco (Petrolina). Possui uma área praiana com terreno acidentado, formado por uma rocha única, de aproximadamente 20 m de altura, onde está fixado um cruzeiro.
Ilha Culpe o Vento
A ilha é deserta e ideal para prática de camping selvagem. O acesso é feito pela rodovia BA 210, que liga Juazeiro a Curaçá, aproximadamente 15 Km até o local da travessia que é feitos por barcos localizados ás margens do Rio.
Ilha de Nossa Senhora
A 2 Km da sede, possui uma exuberante vegetação variada com predominância de mangueiras e cajueiros, área de praias de areias alvas e águas cristalinas. È uma das ilhas mais freqüentadas, devido à beleza das suas praias.
Cachoeira do Salitre
Localizada no Vale do Salitre, na Fazenda Félix, a 39 Km de Juazeiro, a cachoeira com salto de pouco mais de 2 m de altura é excelente para banho e muito apreciada pelas crianças da região, que se divertem nas águas do rio Salitre. O acesso é feito pela BA 210, sentido Sobradinho.
Cachoeira da Gameleira
Também formada pelo rio Salitre, a Cachoeira da Gameleira fica a 68 Km de Juazeiro, escondida entre a vegetação fechada da caatinga. Num cenário paradisíaco, a queda d água escorre entre um canyon, onde predomina um enorme gameleira, cuja as raízes se espalham formando sombra em parte da cachoeira. A profundidade do lago permite saltos do alto da cachoeira de aproximadamente 5 m.
Gruta do Convento
Situada a 100 Km de Juazeiro, é uma aventura imperdível para quem gosta de passeios ecológicos. Cortinas e torres são formadas pelas estalactites e estalagmites que dão forma a Gruta de 40 m de largura e 30 m de altura, composta ainda por dois lagos tornando o cenário mais belo. Para conhecer a Gruta é necessário um guia nativo
EVENTOS
Janeiro
01 - Festa de Bom Jesus dos Navegantes
Fevereiro
- Jua-Feste - Blocos de percurssão e trios elétricos
Abril
- Penitentes - As pessoas se dividem em: Penitentes que caminham fazendo orações pelas almas e chacoalhando um instrumento chamado Matraca; e Disciplinadores, que se martirizam com um chicote provido de uma lâmina na ponta, derramando sangue com o intuito de reduzir os seus pecados.
- Meia Maratona Tiradentes - corrida de 21 Km.
Junho
- Festa do Divino Espírito Santo
Setembro
- FENAGRI - Feira Nacional da Agricultura Irrigada
- Roda de São Gonçalo - Pagamento de promessas com dança diante de um altar com a imagem de São Gonçalo do Amarante, ao som da viola e do pandeiro.
08 - Festa de Nossa Senhora das Grotas - padroeira da Cidade, com procissão.
Outubro
04 - Festa de São Francisco de Assis
- Festa de Nossa Senhora do Rosário - Congos, com hasteamento da bandeira de Nossa Senhora e Missas.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Viva a boa e bela Amizade
Ser Amigo em tempo do individualismo é realmente difícil,mas bem aventurado os que sabem prezervar uma boa e bela amizade.
Feliz dia do amigo....
Feliz dia do amigo....
sexta-feira, 3 de julho de 2009
O Velho, O Menino E A Mulinha.
odete borba O velho chamou o filho e disse: - Vá ao pasto, pegue a bestinha ruana e apronta-se para irmos á cidade, que quero vendê-la.
O menino foi e trouxe a mula. Passou-lhe a raspadeira, escovou-a e partiram os dois a pé, puxando-a pelo cabresto. Queriam que ela chegasse descansada para melhor impressionar os compradores.
De repente, - Esta é boa ! – exclamou um viajante ao avisá-lo. O animal vazio e o pobre velho a pé ! Que despropósito ! Será promessa, penitência ou caduquice ?... E lá se foi, a rir.
O velho achou que o viajante tinha razão e ordenou ao menino:
- Puxa a mula meu filho. Eu vou montado e assim tapo a bôca do mundo.Tapar a bôca do mundo, que bobagem ! O velho compreendeu isso logo adiante, ao passar por um bando de lavadeiras ocupadas em bater roupa num córrego.
- Que graça ! – exclamaram elas. O marmanjão montado com todo o sossêgo e o pobre menino a pé... Há cada pai malvado por este mundo de cristo... Credo !...
O velho danou e, sem dizer palavra, fez sinal ao filho que subisse á garupa. - Quero só ver o que dizem agora...
Viu logo. O Izé Biriba, estafêta do correio, cruzou com eles e exclamou: - Que idiotas ! Querem vender o animal e montam os dois de uma vez... assim, meu velho, o que chega á cidade não é mais a mulinha; é a sombra da mulinha...
- Ele tem razão, meu filho, precisamos não judiar do animal. Eu apeio e você, que é levezinho, vai montado.
Assim fizeram, e caminharam em paz um quilômetro, até o encontro dum sujeito que tirou o chapéu e saudou o pequeno respeitosamente.
- Bom dia, príncipe !
- Por que, príncipe ? – indagou o menino.
- É boa ! Porque só príncipes andam assim de lacaio á rédia...
- Lacaio, eu ? – esbravejou o velho. Que desafôro ! Desce, meu filho e carreguemos o burro ás costas. Talvez isto contente o mundo...
Nem assim. Um grupo de rapazes, vendo a estranha cavalgada, acudiu em tumulto, com vaias:
- Hu ! Hu ! Olha a trmpe de três burros, dois de dois pés e um de quatro ! Resta saber qual dos três é o mais burro...
- Sou eu ! replicou o velho, arriando a carga. Sou eu, porque venho há uma hora fazendo não o que quero mas o que quer o mundo. Daqui em diante, porém, farei o que me manda a consciência, pouco me importando que o mundo concorde ou não. Já vi que morre doido quem procura contentar toda gente...
O menino foi e trouxe a mula. Passou-lhe a raspadeira, escovou-a e partiram os dois a pé, puxando-a pelo cabresto. Queriam que ela chegasse descansada para melhor impressionar os compradores.
De repente, - Esta é boa ! – exclamou um viajante ao avisá-lo. O animal vazio e o pobre velho a pé ! Que despropósito ! Será promessa, penitência ou caduquice ?... E lá se foi, a rir.
O velho achou que o viajante tinha razão e ordenou ao menino:
- Puxa a mula meu filho. Eu vou montado e assim tapo a bôca do mundo.Tapar a bôca do mundo, que bobagem ! O velho compreendeu isso logo adiante, ao passar por um bando de lavadeiras ocupadas em bater roupa num córrego.
- Que graça ! – exclamaram elas. O marmanjão montado com todo o sossêgo e o pobre menino a pé... Há cada pai malvado por este mundo de cristo... Credo !...
O velho danou e, sem dizer palavra, fez sinal ao filho que subisse á garupa. - Quero só ver o que dizem agora...
Viu logo. O Izé Biriba, estafêta do correio, cruzou com eles e exclamou: - Que idiotas ! Querem vender o animal e montam os dois de uma vez... assim, meu velho, o que chega á cidade não é mais a mulinha; é a sombra da mulinha...
- Ele tem razão, meu filho, precisamos não judiar do animal. Eu apeio e você, que é levezinho, vai montado.
Assim fizeram, e caminharam em paz um quilômetro, até o encontro dum sujeito que tirou o chapéu e saudou o pequeno respeitosamente.
- Bom dia, príncipe !
- Por que, príncipe ? – indagou o menino.
- É boa ! Porque só príncipes andam assim de lacaio á rédia...
- Lacaio, eu ? – esbravejou o velho. Que desafôro ! Desce, meu filho e carreguemos o burro ás costas. Talvez isto contente o mundo...
Nem assim. Um grupo de rapazes, vendo a estranha cavalgada, acudiu em tumulto, com vaias:
- Hu ! Hu ! Olha a trmpe de três burros, dois de dois pés e um de quatro ! Resta saber qual dos três é o mais burro...
- Sou eu ! replicou o velho, arriando a carga. Sou eu, porque venho há uma hora fazendo não o que quero mas o que quer o mundo. Daqui em diante, porém, farei o que me manda a consciência, pouco me importando que o mundo concorde ou não. Já vi que morre doido quem procura contentar toda gente...
Moral
Moral deriva do latim mores, que significa "relativo aos costumes". Seria importante referir, ainda, quanto à etimologia da palavra "moral", que esta se originou a partir do intento de os romanos traduzirem a palavra grega êthica.
"Moral" não traduz, no entanto, por completo, a palavra grega originária. É que êthica possuía, para o gregos, dois sentidos complementares: o primeiro derivava de êthos e significava, numa palavra, a interioridade do ato humano, ou seja, aquilo que gera uma ação genuinamente humana e que brota a partir de dentro do sujeito moral, ou seja, êthos remete-nos para o âmago do agir, para a intenção. Por outro lado, êthica significava também éthos, remetendo-nos para a questão dos hábitos, costumes, usos e regras, o que se materializa na assimilação social dos valores.
A tradução latina do termo êthica para mores "esqueceu" o sentido de êthos (a dimensão pessoal do acto humano), privilegiando o sentido comunitário da atitude valorativa. Dessa tradução incompleta resulta a confusão que muitos, hoje, fazem entre os termos ética e moral.
A ética pode encontrar-se com a moral pois a suporta, na medida em que não existem costumes ou hábitos sociais completamente separados de uma ética individual (a sociedade é um produto de individualidades). Da ética individual se passa a um valor social, e deste, quando devidamente enraizado numa sociedade, se passa à lei. Assim, pode-se afirmar, seguindo este raciocínio, que não existe lei sem uma ética que lhe sirva de alicerce.
Alguns dicionários definem moral como "conjunto de regras de conduta consideradas como válidas, éticas, quer de modo absoluto para qualquer tempo ou lugar, quer para grupos ou pessoa determinada" (Aurélio Buarque de Hollanda), ou seja, regras estabelecidas e aceitas pelas comunidades humanas durante determinados períodos de tempo.
Moral e Direito
Moral é um conjunto de regras no convívio. O seu campo de aplicação é maior do que o campo do Direito. Nem todas as regras Morais são regras jurídicas. O campo da moral é mais amplo. A semelhança que o Direito tem com a Moral é que ambas são formas de controle social.
Existem algumas teorias que podem explicar melhor o campo de aplicação entre o Direito e Moral, quais sejam:
Teoria dos círculos secantes de Claude du Pasquier, segundo a qual Direito e Moral coexistem, não se separam, pois há um campo de competência comum onde há regras com qualidade jurídica e que têm caráter moral. Toda norma júridica tem conteúdo moral, mas nem todo conteúdo moral tem conteúdo jurídico;
Teoria dos círculos concêntricos (Jeremy Bentham), segundo a qual a ordem jurídica estaria incluída totalmente no campo da Moral. Os dois círculos (Moral e Direito) seriam concêntricos, com o maior pertencendo à Moral. Assim, o campo moral é mais amplo do que o do Direito e este se subordina à Moral.
Teoria do mínimo ético, desenvolvida por Georg Jellinek, segundo a qual o Direito representa apenas o mínimo de Moral obrigatório para que a sociedade possa sobreviver.
Moral significa, portanto, valor relativo ou absoluto da conduta humana dentro de um espaço de tempo. Também pode ser considerado como tudo aquilo que promove o homem de uma forma integral e integrada. Integral significa a plena realização do homem, e integrada, o condicionamento a idêntico interesse do próximo. Dentro desta concepção constitui-se como um bem o que não comprometa o desenvolvimento integral do homem e nem afete igual interesse dos membros da sociedade.
" Os egípcios, os babilônios, os chineses e os próprios gregos não distinguem o direito da moral e da religião. Para eles o direito se confunde com os costumes sociais. Moral, religião e direito são confundidos. Nos códigos antigos, encontramos não só preceitos jurídicos, como, também, prescrições morais e religiosas. O direito nesse tempo ainda não havia adquirido autonomia, talvez porque, como nota Roubier, 'nas sociedades antigas, a severidade dos costumes e a coação religiosa permitiram obter espontaneamente o que o direito só conseguiu mais tarde', com muita coerção."
Conclui-se que a moral vem antes do Direito, ou da ciência do Direito.
“Os romanos, organizadores do direito, definindo-o sob a influência da filosofia grega, consideraram-no como ars boni et aequi. (arte do bom e equitativo). O grande jurisconsulto Paulo, talvez compreendendo a particularidade do direito, sustentou que non omne quod licet honestum est. [1] Nem tudo que é lícito é honesto. Nem tudo que é legal é moral. O permitido pelo direito nem sempre está de acordo com a moral.”
“A moral tem por objeto o comportamento humano regido por regras e valores morais, que se encontram gravados em nossas consciências, e em nenhum código, comportamento resultante de decisão da vontade que torna o homem, por ser livre, responsável por sua culpa quando agir contra as regras morais.”
“O direito é:
heterônomo: por ser imposto ou garantido pela autoridade competente, mesmo contra a vontade de seus destinatários
bilateral: em virtude de se operar entre indivíduos (partes) que se colocam como sujeitos, um de direitos e outro de obrigações.
coercível: porque o dever jurídico deve ser cumprido sob pena de sofrer o devedor os efeitos da sanção organizada, aplicável pelos órgãos especializados da sociedade.
A moral é:
- autônoma pois é imposta pela consciência ao homem.
- unilateral: por dizer respeito apenas ao indivíduo.
- incoercível: o dever moral não é exigível por ninguém, reduzindo-se a dever de consciência.”
"Moral" não traduz, no entanto, por completo, a palavra grega originária. É que êthica possuía, para o gregos, dois sentidos complementares: o primeiro derivava de êthos e significava, numa palavra, a interioridade do ato humano, ou seja, aquilo que gera uma ação genuinamente humana e que brota a partir de dentro do sujeito moral, ou seja, êthos remete-nos para o âmago do agir, para a intenção. Por outro lado, êthica significava também éthos, remetendo-nos para a questão dos hábitos, costumes, usos e regras, o que se materializa na assimilação social dos valores.
A tradução latina do termo êthica para mores "esqueceu" o sentido de êthos (a dimensão pessoal do acto humano), privilegiando o sentido comunitário da atitude valorativa. Dessa tradução incompleta resulta a confusão que muitos, hoje, fazem entre os termos ética e moral.
A ética pode encontrar-se com a moral pois a suporta, na medida em que não existem costumes ou hábitos sociais completamente separados de uma ética individual (a sociedade é um produto de individualidades). Da ética individual se passa a um valor social, e deste, quando devidamente enraizado numa sociedade, se passa à lei. Assim, pode-se afirmar, seguindo este raciocínio, que não existe lei sem uma ética que lhe sirva de alicerce.
Alguns dicionários definem moral como "conjunto de regras de conduta consideradas como válidas, éticas, quer de modo absoluto para qualquer tempo ou lugar, quer para grupos ou pessoa determinada" (Aurélio Buarque de Hollanda), ou seja, regras estabelecidas e aceitas pelas comunidades humanas durante determinados períodos de tempo.
Moral e Direito
Moral é um conjunto de regras no convívio. O seu campo de aplicação é maior do que o campo do Direito. Nem todas as regras Morais são regras jurídicas. O campo da moral é mais amplo. A semelhança que o Direito tem com a Moral é que ambas são formas de controle social.
Existem algumas teorias que podem explicar melhor o campo de aplicação entre o Direito e Moral, quais sejam:
Teoria dos círculos secantes de Claude du Pasquier, segundo a qual Direito e Moral coexistem, não se separam, pois há um campo de competência comum onde há regras com qualidade jurídica e que têm caráter moral. Toda norma júridica tem conteúdo moral, mas nem todo conteúdo moral tem conteúdo jurídico;
Teoria dos círculos concêntricos (Jeremy Bentham), segundo a qual a ordem jurídica estaria incluída totalmente no campo da Moral. Os dois círculos (Moral e Direito) seriam concêntricos, com o maior pertencendo à Moral. Assim, o campo moral é mais amplo do que o do Direito e este se subordina à Moral.
Teoria do mínimo ético, desenvolvida por Georg Jellinek, segundo a qual o Direito representa apenas o mínimo de Moral obrigatório para que a sociedade possa sobreviver.
Moral significa, portanto, valor relativo ou absoluto da conduta humana dentro de um espaço de tempo. Também pode ser considerado como tudo aquilo que promove o homem de uma forma integral e integrada. Integral significa a plena realização do homem, e integrada, o condicionamento a idêntico interesse do próximo. Dentro desta concepção constitui-se como um bem o que não comprometa o desenvolvimento integral do homem e nem afete igual interesse dos membros da sociedade.
" Os egípcios, os babilônios, os chineses e os próprios gregos não distinguem o direito da moral e da religião. Para eles o direito se confunde com os costumes sociais. Moral, religião e direito são confundidos. Nos códigos antigos, encontramos não só preceitos jurídicos, como, também, prescrições morais e religiosas. O direito nesse tempo ainda não havia adquirido autonomia, talvez porque, como nota Roubier, 'nas sociedades antigas, a severidade dos costumes e a coação religiosa permitiram obter espontaneamente o que o direito só conseguiu mais tarde', com muita coerção."
Conclui-se que a moral vem antes do Direito, ou da ciência do Direito.
“Os romanos, organizadores do direito, definindo-o sob a influência da filosofia grega, consideraram-no como ars boni et aequi. (arte do bom e equitativo). O grande jurisconsulto Paulo, talvez compreendendo a particularidade do direito, sustentou que non omne quod licet honestum est. [1] Nem tudo que é lícito é honesto. Nem tudo que é legal é moral. O permitido pelo direito nem sempre está de acordo com a moral.”
“A moral tem por objeto o comportamento humano regido por regras e valores morais, que se encontram gravados em nossas consciências, e em nenhum código, comportamento resultante de decisão da vontade que torna o homem, por ser livre, responsável por sua culpa quando agir contra as regras morais.”
“O direito é:
heterônomo: por ser imposto ou garantido pela autoridade competente, mesmo contra a vontade de seus destinatários
bilateral: em virtude de se operar entre indivíduos (partes) que se colocam como sujeitos, um de direitos e outro de obrigações.
coercível: porque o dever jurídico deve ser cumprido sob pena de sofrer o devedor os efeitos da sanção organizada, aplicável pelos órgãos especializados da sociedade.
A moral é:
- autônoma pois é imposta pela consciência ao homem.
- unilateral: por dizer respeito apenas ao indivíduo.
- incoercível: o dever moral não é exigível por ninguém, reduzindo-se a dever de consciência.”
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Novo vestibular já recebeu a adesão de 25 universidades federais
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da Agência Brasil
Pelo menos 25 das 55 universidades federais vão aderir ao novo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em substituição total ou parcial aos seus vestibulares tradicionais.
O prazo inicial definido pela Secretaria de Ensino Superior para que as instituições definissem suas adesões terminou sexta-feira (8). Mas o ministro da Educação, Fernando Haddad, disse que as discussões devem se estender até o fim de maio.
Durante o mês de abril, o ministro da Educação participou de diversas reuniões com os reitores das instituições e com o comitê de governança responsável pela criação do novo modelo.
A proposta apresentada pelo MEC no fim de março era de que o Enem substituísse os vestibulares em todas as universidades federais. Como as instituições têm autonomia para organizar seus processo seletivos, o projeto foi levado à comunidade acadêmica e aos conselhos. Muitas universidades continuam debatendo a proposta e ainda não têm um posicionamento.
Numa reunião com os governadores do Nordeste, Haddad disse que o número de universidades que já aderiram ao novo vestibular superou a previsão inicial do MEC. O ministério apresentou quatro opções de adesão às instituições. Elas poderão utilizar o Enem como prova única; como uma primeira fase, ficando a segunda à cargo da instituição; combinando a nota do Enem à do vestibular tradicional ou para seleção de estudantes para vagas remanescentes.
As provas do novo Enem estão marcadas para 3 e 4 de outubro. Os estudantes que quiserem se candidatar às vagas de uma das instituições participantes devem necessariamente participar do exame. Os prazos de inscrição ainda não foram divulgados pelo MEC.
Confira a lista das universidades que já confirmaram a adesão:
1. Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (FCSPA)
2. Universidade Federal do Pampa (Unipampa)
3. Universidade Federal do Rio Grande (FURG)
4. Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)
5. Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
6. Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)
7. Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio)
8. Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
9. Universidade Federal Fluminense (UFF)
10.Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
11. Universidade Federal do ABC (UFABC)
12. Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM)
13. Universidade Federal de Alfenas (Unifal)
14. Universidade Federal de Itajubá(Unifei)
15. Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
16. Universidade Federal de Lavras (UFLA)
17. Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ)
18. Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS)
19. Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)
20. Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf)
21. Universidade Federal do Piauí (UFPI)
22. Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA)
23. Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
24. Universidade Federal da Bahia (UFBA)
25. Universidade Federal do Amazonas(UFAM)
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da Agência Brasil
Pelo menos 25 das 55 universidades federais vão aderir ao novo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em substituição total ou parcial aos seus vestibulares tradicionais.
O prazo inicial definido pela Secretaria de Ensino Superior para que as instituições definissem suas adesões terminou sexta-feira (8). Mas o ministro da Educação, Fernando Haddad, disse que as discussões devem se estender até o fim de maio.
Durante o mês de abril, o ministro da Educação participou de diversas reuniões com os reitores das instituições e com o comitê de governança responsável pela criação do novo modelo.
A proposta apresentada pelo MEC no fim de março era de que o Enem substituísse os vestibulares em todas as universidades federais. Como as instituições têm autonomia para organizar seus processo seletivos, o projeto foi levado à comunidade acadêmica e aos conselhos. Muitas universidades continuam debatendo a proposta e ainda não têm um posicionamento.
Numa reunião com os governadores do Nordeste, Haddad disse que o número de universidades que já aderiram ao novo vestibular superou a previsão inicial do MEC. O ministério apresentou quatro opções de adesão às instituições. Elas poderão utilizar o Enem como prova única; como uma primeira fase, ficando a segunda à cargo da instituição; combinando a nota do Enem à do vestibular tradicional ou para seleção de estudantes para vagas remanescentes.
As provas do novo Enem estão marcadas para 3 e 4 de outubro. Os estudantes que quiserem se candidatar às vagas de uma das instituições participantes devem necessariamente participar do exame. Os prazos de inscrição ainda não foram divulgados pelo MEC.
Confira a lista das universidades que já confirmaram a adesão:
1. Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (FCSPA)
2. Universidade Federal do Pampa (Unipampa)
3. Universidade Federal do Rio Grande (FURG)
4. Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)
5. Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
6. Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)
7. Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio)
8. Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
9. Universidade Federal Fluminense (UFF)
10.Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
11. Universidade Federal do ABC (UFABC)
12. Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM)
13. Universidade Federal de Alfenas (Unifal)
14. Universidade Federal de Itajubá(Unifei)
15. Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
16. Universidade Federal de Lavras (UFLA)
17. Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ)
18. Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS)
19. Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)
20. Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf)
21. Universidade Federal do Piauí (UFPI)
22. Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA)
23. Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
24. Universidade Federal da Bahia (UFBA)
25. Universidade Federal do Amazonas(UFAM)
crise nos interpela a avaliar as raízes estruturais da sociedade que criamos na modernidade precisamente a partir de uma consideração de sua configuração atual apresentada como a realização plena de suas potencialidades: a sociedade mundializada. Este processo de mundialização se fez em função da efetivação eficiente do objetivo central deste modelo social que é a busca de lucros, de oportunidades de acumulação de capital como fim absolutizado, do controle dos mercados e de áreas de influência. Isto conduz tanto a uma competitividade exacerbada e destruidora da natureza como ao aprofundamento das desigualdades entre países ricos e pobres e entre os setores ricos e pobres no interior dos países. Um problema grave neste contexto é a inadequação das instituições vigentes nos três grandes níveis _ nacional, regional e mundial_ para controlar os agentes globais e garantir a democratização dos produtos do grande salto tecnológico e dos processos de expansão mundial do modelo. Trata-se aqui de um modelo de crescimento humano centrado na visão do homem como um indivíduo fechado em si mesmo e em suas aspirações, no mercado como instância básica de coordenação da vida social e no lucro como fins últimos da vida societária. Ele conduz a um progresso material gigantesco ligado a uma também gigantesca degradação da dignidade do ser pessoal uma vez que mercantiliza o ser humano em suas diferentes dimensões e o convence a se submeter a este processo como a algo natural. Nesta concepção, eticamente inaceitável é tudo o que se contrapõe à acumulação e à expansão do capital, uma visão hegemônica em nossos contextos culturais. Em última instância, esta concepção articula o sentido da vida humana: produzir e consumir ilimitadamente todo tipo de bem material, portanto, acumulação de bens materiais e maximização do consumo, o que significa uma redução da vida humana à sua dimensão material que em última análise significa o não reconhecimento efetivo da dignidade humana. Desta forma, um materialismo radical rege as relações entre pessoas e povos. Quem não tem capital e poder de compra não é reconhecido. É a lógica da exclusão: aqui a pessoa humana não constitui peso decisivo no cálculo do sistema que é voltado a uma acumulação cada vez mais eficiente do capital. Este processo termina por reduzir o ser humano a um instrumento da acumulação propiciada por seu trabalho convertido em mercadoria. Hoje em muitos casos ele não chega nem a isto porque se transforma em mão-de-obra excedente. Esta forma de organizar a vida coletiva se contrapõe à igualdade fundamental de todos os seres humanos e isto estruturalmente porque aqui uns são donos e gestores do capital em todas as suas formas enquanto outros na melhor das hipóteses são donos de sua capacidade de trabalhar. Neste sentido se deve dizer que esta estruturação social se radica na exploração porque apenas uma minoria se apropria dos benefícios do que a maioria produz. Assim, ela ignora no curso de sua efetivação as oportunidades desiguais dos cidadãos, submete-os a uma competição cruel e produz um ser humano voltado para si mesmo e para suas aspirações. Este tipo de personalidade identifica o sentido da vida pessoal com poder aquisitivo e consumo. Assim se alimenta uma situação de injustiça que provoca a violência e se defende um modelo industrial de crescimento que não contabiliza os inúmeros custos externos da produção e menos ainda as consequências em custos sociais e ecológicos. Tudo significa dizer que este modelo socioeconômico se radica em valores e gera atitudes que destroem a dignidade do ser humano e tenta sufocar os movimentos de solidariedade que trazem à opinião pública o debate sobre um modelo alternativo. Uma vida ética aqui implica confrontação radical com um sistema incompatível com a dignidade de que é portador o ser humano.
Manfredo Araújo de Oliveira - Filósofo
Manfredo Araújo de Oliveira - Filósofo
sábado, 16 de maio de 2009
Dadiva de Deus
Assumir tomando posse no dia 30 de abril de 2009 referente a uma luta ardua perdurando na justica deve-se render gracas a Deus pela esplendida vitoria.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
A Eleição do Poste.
Roberto Malvezzi (Gogó)
"Se eu quiser, meu filho, elejo até um poste". O criador da célebre frase foi Antônio Carlos Magalhães no auge de seu poder, ainda na década de 80. Seu candidato a governador da Bahia, Clériston de Andrade, morrera num acidente de avião 40 dias antes das eleições estaduais de 82. Questionado, sem saber exatamente quem indicar, o velho coronel se saiu com essa. E o poste – absolutamente desconhecido dos baianos à época - acabou sendo João Durval Carneiro, pai do atual prefeito de Salvador.
Mas ACM sabia o que dizia. Trazia os prefeitos amarrados aos seus pés como se amarra bode no poste. Sempre cheio de dossiês contra as falcatruas dos prefeitos, controlando a vida pessoal de cada um, controlando a prestação de contas no Tribunal de Contas da Bahia, ninguém escapava ileso. Um velho prefeito de Campo Alegre de Lurdes, norte da Bahia, ficou famoso na cidade por levar, literalmente, um chute no traseiro no gabinete de ACM.
O reinado de ACM acabou. Continuam seus herdeiros, não o ACM Neto, mas o Geddel Vieira Lima, prata da casa, que aprendeu com ACM como se faz política com o dinheiro público. Dessa forma, pegou o dinheiro da revitalização do São Francisco e do Ministério da Integração e fez sua base na Bahia, deixando os petista daqui com cara de brasileiro depois da última copa do mundo.
Mas, não foi só aqui. Todos os presidenciáveis petistas perderam: Marta em São Paulo, Wagner na Bahia, Dilma e Tasso no Rio Grande do Sul. Não há outro ACM e não existem mais postes.
O que pode trazer essa eleição municipal para os rumos do país em 2010? Nada. O que existe no cenário político brasileiro é a mesmice. A velha diferença das "colas", como dizia Lula quando ainda tinha humor político. Nós que precisamos dar um salto de qualidade na política, vemos nossas esquerdas perdidas nos velhos esquemas, sem capacidade de reinvenção, sem compreender a crise civilizatória e propor realmente uma estratégia de futuro para o país. Vamos acabar com nossas florestas, rios, minérios, numa economia primitiva e predadora. Vamos em linha reta como um carro no rumo do abismo. Nesse ponto, nem a grande mídia colabora para uma reflexão mais crítica, perdida nas pontualidades da crise financeira atual.
Talvez aquele "menino" que ganhou a eleição em Bauru – parece que a única novidade no Brasil – simbolize um pouco de oxigênio e de clorofila para a vetusta política que paira no Brasil das eleições. Senão, nosso futuro político será o mesmo das nossas florestas. -- Ana RitaSecretaria Operativa da Vía Campesina - Brasil(61)3322-5424/8176-8823"O sonho pelo qual brigo exige que eu invente em mim a coragem de lutar ao lado da coragem de amar" - Paulo Freire
"Se eu quiser, meu filho, elejo até um poste". O criador da célebre frase foi Antônio Carlos Magalhães no auge de seu poder, ainda na década de 80. Seu candidato a governador da Bahia, Clériston de Andrade, morrera num acidente de avião 40 dias antes das eleições estaduais de 82. Questionado, sem saber exatamente quem indicar, o velho coronel se saiu com essa. E o poste – absolutamente desconhecido dos baianos à época - acabou sendo João Durval Carneiro, pai do atual prefeito de Salvador.
Mas ACM sabia o que dizia. Trazia os prefeitos amarrados aos seus pés como se amarra bode no poste. Sempre cheio de dossiês contra as falcatruas dos prefeitos, controlando a vida pessoal de cada um, controlando a prestação de contas no Tribunal de Contas da Bahia, ninguém escapava ileso. Um velho prefeito de Campo Alegre de Lurdes, norte da Bahia, ficou famoso na cidade por levar, literalmente, um chute no traseiro no gabinete de ACM.
O reinado de ACM acabou. Continuam seus herdeiros, não o ACM Neto, mas o Geddel Vieira Lima, prata da casa, que aprendeu com ACM como se faz política com o dinheiro público. Dessa forma, pegou o dinheiro da revitalização do São Francisco e do Ministério da Integração e fez sua base na Bahia, deixando os petista daqui com cara de brasileiro depois da última copa do mundo.
Mas, não foi só aqui. Todos os presidenciáveis petistas perderam: Marta em São Paulo, Wagner na Bahia, Dilma e Tasso no Rio Grande do Sul. Não há outro ACM e não existem mais postes.
O que pode trazer essa eleição municipal para os rumos do país em 2010? Nada. O que existe no cenário político brasileiro é a mesmice. A velha diferença das "colas", como dizia Lula quando ainda tinha humor político. Nós que precisamos dar um salto de qualidade na política, vemos nossas esquerdas perdidas nos velhos esquemas, sem capacidade de reinvenção, sem compreender a crise civilizatória e propor realmente uma estratégia de futuro para o país. Vamos acabar com nossas florestas, rios, minérios, numa economia primitiva e predadora. Vamos em linha reta como um carro no rumo do abismo. Nesse ponto, nem a grande mídia colabora para uma reflexão mais crítica, perdida nas pontualidades da crise financeira atual.
Talvez aquele "menino" que ganhou a eleição em Bauru – parece que a única novidade no Brasil – simbolize um pouco de oxigênio e de clorofila para a vetusta política que paira no Brasil das eleições. Senão, nosso futuro político será o mesmo das nossas florestas. -- Ana RitaSecretaria Operativa da Vía Campesina - Brasil(61)3322-5424/8176-8823"O sonho pelo qual brigo exige que eu invente em mim a coragem de lutar ao lado da coragem de amar" - Paulo Freire
domingo, 29 de março de 2009
Amar
Queria eu amar;
Amar incondicionalmente;
Amar esquecendo as rudezas de minha alma;
Esquecer o quão é improfícuo ter
meu próximo por objeto odioso;
Amar com a alma sem atentar
o corpo ou sua volúpia...
Ter a benquerencia por preceito de vida
princípuo, que fosse aqui ou algures, quiça.
Apenas almejei amar;
Amar como o amante ama o amor;
Como o sonhador ama as estrelas;
Como o calor lúbrico chama a paixão;
Como a alma deseja voar livremente ao céu...
Amar para saciar o infinito,
contido em mim, finito.
Simplismente amar para entender o que une
o universo em uma melodiosa e sonora vibração,
tão divina em sua sutileza, que até o
coração mais rubro faria- se em
eternas e lindas lágrimas imaculadas de
um anjo...
Autoria : Hildo Junior
Amar incondicionalmente;
Amar esquecendo as rudezas de minha alma;
Esquecer o quão é improfícuo ter
meu próximo por objeto odioso;
Amar com a alma sem atentar
o corpo ou sua volúpia...
Ter a benquerencia por preceito de vida
princípuo, que fosse aqui ou algures, quiça.
Apenas almejei amar;
Amar como o amante ama o amor;
Como o sonhador ama as estrelas;
Como o calor lúbrico chama a paixão;
Como a alma deseja voar livremente ao céu...
Amar para saciar o infinito,
contido em mim, finito.
Simplismente amar para entender o que une
o universo em uma melodiosa e sonora vibração,
tão divina em sua sutileza, que até o
coração mais rubro faria- se em
eternas e lindas lágrimas imaculadas de
um anjo...
Autoria : Hildo Junior
terça-feira, 17 de março de 2009
VITORIOSA LUTA PROCESSUAL
Neste dia 17 de março de 2009 pode-se considerá como o dia do êxito,pois entre todos os companheiros que ingressaram ação contra o município( Mandado de segurança nº 691.694-8/2005 ) mediante uma audiência celebrou um acordo com intenções de convocar e nomear na presença do MM juiz Dr José Goes Silva Filho- 1ª vara da fazenda pública em Juazeiro Bahia, tendo um prazo máximo de trinta dias a contar dos feitos.Conclui-se que a melhor justiça é a divina que inspira os homens nos seus atos benignos,mas entende-se que o direito não socorre aos que dormem.Portanto não deve-se ficar deitado eternamente em berço esplêndido e lutar sempre e sempre.( autoria Antonio dos Santos Sobrinho)
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Carnavila de Fantasias
Participe do Carnavila de Fantasias
Faça e vista sua fantasia, participe do concurso mais animado do carnaval, dia 22/02/2009 das 14h as 18h, na rua 1, na praça Raimundo Medrado.
informações: amvj.org@hotmail.com
Faça e vista sua fantasia, participe do concurso mais animado do carnaval, dia 22/02/2009 das 14h as 18h, na rua 1, na praça Raimundo Medrado.
informações: amvj.org@hotmail.com
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Os momentos de Bertolt Brecht no Brasil
Eduardo Luiz Viveiros de Freitas** 17/08/2004
Bertolt Brecht (1898-1956), poeta e dramaturgo alemão, teve suas obras traduzidas e peças teatrais montadas no Brasil, ao longo do século XX, e está em cartaz neste novo século. A presente comunicação abordará alguns desses momentos, e procurará pontuar aspectos estéticos e políticos da trajetória de Brecht entre nós.Sobre a vida e obra de Bertolt Brecht, escrevi em outro trabalho, apresentado no Seminário "Arte e Política", em 1998, promovido pelo NEAMP (Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política) . Aqui, serão abordados alguns momentos da recepção de suas idéias, a montagem de suas peças teatrais, e a influência do autor sobre o teatro brasileiro, especificamente o teatro feito em São Paulo. Serão pontuadas algumas observações sobre o momento estético e político em que isso acontece.Um desses momentos é a montagem da peça O Rei da Vela, pelo Teatro Oficina, em 1967. Escrita em 1933 e publicada em 1937, a peça de Oswald de Andrade representou o exemplo inaugural de um teatro concebido segundo os princípios do modernismo, para o crítico Sábato Magaldi. A análise cor de rosa da realidade brasileira é substituída por uma visão desmistificadora do Brasil. A peça demole todos os valores sobre os quais se erigiu a "nacionalidade" brasileira, é inovadora do ponto de vista cênico, renega a tradição teatral da época, utilizando-se da paródia, da caricatura feroz, introduzindo a estética da descompostura. "A burguesia só produziu um teatro de classe. A apresentação de classe. Hoje evoluímos. Chegamos à espinafração", definia o programa a ser desenvolvido pelo espetáculo. No ano de 1967, a montagem do Oficina tirou a máscara do Brasil.Mesmo admitindo que dificilmente Oswald de Andrade conhecesse Brecht, cuja Ópera dos Três Vinténs havia sido apresentada em Paris, após a temporada alemã de 1928, é possível especular sobre a utilização pelo autor, ao escrever a peça, mais de uma vez, do efeito de estranhamento (ou distanciamento) criado pelo dramaturgo alemão. A peça talvez não tenha sido escrita sob a influência de Brecht, mas a montagem do Oficina de José Celso Martinez Corrêa, tendo Renato Borghi no papel principal, carnavalizava o Brasil colonizado, e apresentava as estratégias de sempre de que se valem, na visão de Oswald, as classes privilegiadas para preservar seus interesses. O golpe militar de 1964 havia feito o país regredir a um melancólico obscurantismo, a vida havia como que se paralisado, e uma das frentes de resistência (em alguns momentos, a única) estava na luta cultural, no embate estético. As idéias de Brecht já eram mais ou menos conhecidas no Brasil, desde sua morte em 1956. Sobre o autor, o crítico Sábato Magaldi escrevera um artigo para o Suplemento Cultural do Estadão nesse mesmo ano. Uma montagem de A Alma Boa de Setsuan foi realizada em 1958, pela Companhia Maria Della Costa-Sandro Polloni, em São Paulo. Não apenas a capital paulista, mas Rio de Janeiro, Salvador e Porto Alegre, principalmente, viram montagens de Brecht nesses mais de 40 anos em que o autor é conhecido no Brasil.A influência das idéias e da estética do dramaturgo alemão é patente em autores, diretores e demais artistas de teatro, em instituições e entidades culturais e políticas como Oduvaldo Vianna Filho, o "Vianinha", e nos CPCs da UNE (Centros Populares de Cultura da União Nacional dos Estudantes). De Augusto Boal, criador do Sistema Curinga, inspirado no distanciamento brechtiano, os textos e montagens como Revolução na América do Sul, Arena Conta Zumbi e Arena Conta Tiradentes, e todo o desenvolvimento posterior de sua teoria teatral (Teatro do Oprimido, Teatro-Fórum, Teatro Invisível e Teatro Legislativo), são realizações que devem muito ao Pequeno Organon (1948) e ao Teatro de Brecht.Também nesse quadro insere-se o Teatro Oficina de José Celso Martinez Corrêa, na já citada montagem do Rei da Vela, e nas elogiadas Galilei Galileu e Na Selva das Cidades, do próprio Brecht, e mesmo no polêmico Roda Viva, de Chico Buarque, dirigido por José Celso. Ainda Gianfrancesco Guarnieri (que apesar de usar "black tie" na forma dramática, não deixou de fazer um macacão épico, contrariando Iná Camargo da Costa), Francisco de Assis, Aderbal Freire Filho, O Grupo Opinião e seus shows (no Rio de Janeiro), Fauzi Arap, Dias Gomes, e, por que não?, Millôr Fernandes, no momento em que concebeu o espetáculo "Liberdade, Liberdade", junto com Flávio Rangel. "Liberdade, Liberdade", um roteiro recheado de textos de vários autores e personalidades da história humana (Brecht ao lado de Churchill, Shakespeare, Manuel Bandeira, Sócrates, entre outros), foi transformado em espetáculo em 1965/1966, no Rio de Janeiro e em São Paulo e assim foi recebido pelo crítico Athos Abramo:"A atenção do público é mantida sempre agudamente alerta pela inteligente, sóbria e eficaz intercalação entre roteiro e textos escolhidos (....) o espetáculo 'voa', por assim dizer, num dramático jogo, intenso e penetrante, entre o quase sempre épico dos textos e o quase sempre satírico do roteiro, num diálogo de natureza coral entre sentimento e razão, no qual tomam forma e expansão tanto a consciência da nossa condição coletiva como a da nossa condição individual e íntima." Paulo Autran e Oduvaldo Vianna Filho, ao lado de Teresa Rachel, garantiram a qualidade do espetáculo. Não deixa de ser interessante, porém, a observação do mesmo crítico sobre o trabalho da atriz: "Também o trabalho de Teresa Rachel merece destaque. Na cena de Brecht ela atinge uma comovente intensidade". A "tropicalização" de Brecht fez com que fossem encontrados argumentos para contestar os que consideram que a pesquisa formal de Brecht, na busca de uma ciência em cena, ciência do homem , reduzia tudo à categoria do objeto (racional, frio), sem deixar espaço para a subjetividade, a emoção.Para ficarmos no momento político-estético mais sensível da recepção de Brecht no Brasil, as experiências e artistas acima mencionados um pouco caoticamente, que aconteceram/ atuaram, principalmente, dos anos 50 a fins dos anos 60, podem ter deixado de lado o apuro na aplicação dos postulados teóricos e técnicos criados por Brecht. Mas convém não esquecer que, no enfrentamento político-cultural dos primeiros tempos da ditadura, importava mais o "que" se fazia do que "como" se fazia. O "como" foi feito, o julgamento severo de autoras como Iná Camargo da Costa, no seu "A Hora do Teatro Épíco no Brasil", pode ser "comodamente" feito com a devida distância no tempo (1996). Resta saber se, mesmo assim, faz-se justiça estética a criadores que atuaram em condições tão adversas. De resto, a resposta do "imortal" Sábato Magaldi às críticas da autora em artigo do mesmo ano (Polêmica do Teatro Épico - 1996), republicado no seu "Depois do Espetáculo" (2003), faz um contraponto que merece ser lido.Do ponto de vista da crítica e do movimento editorial, Brecht foi e vai bem, obrigado, no Brasil. A partir de críticos, pesquisadores e ensaístas como Anatol Rosenfeld, o citado Sábato Magaldi, Ingrid Koudela, Gerd Bornheim, Jaco Guinsburg, Antonio Pasta Jr, Fernando Peixoto (tradutor, também, do Teatro Completo de Brech -12 vols.- , e mais recentemente, Sérgio de Carvalho, Márcio Marciano; de tradutores como Manuel Bandeira (O Círculo de Giz Caucasiano), Christine Röhrig (O declínio do egoísta Johann Fatzer), Paulo Cesar Souza e Geir Campos (Poemas e Canções) e Maria Silvia Betti (O Método Brecht, de Frederic Jameson), pudemos ter acesso a muitas obras do autor e sobre sua vida e postulados teóricos.Num breve percurso pelos anos 70 e 80, vimos o arrefecimento da censura (sem esquecer Plínio Marcos, ao lado de Nelson Rodrigues, um dos autores mais censurados do Brasil), com o fim do AI-5, e o surgimento de um novo tipo de teatro, agora não mais baseado na força da dramaturgia, que entrou em fase de declínio no Brasil nos anos 80, quando o texto deixa de ser uma das fontes principais para o espetáculo teatral. Na chamada década perdida (pelos economistas...), o teatro dos anos 80 viu minguar a criatividade e frustrar-se a expectativa de que, com a redemocratização, o universo dramatúrgico represado pelos anos de censura iria fazer despontar os melhores textos teatrais. As metáforas dos anos 60 e o experimentalismo (a "criação coletiva") dos anos 70 revelaram-se obsoletos para uma era de individualismo exacerbado, predomínio da imagem e busca do efeito estético que impressionava, como os anos 80. Em parte o vácuo foi preenchido pelo besteirol (Mauro Rási), mas a hegemonia foi quase total dos encenadores-criadores, como Antunes Filho, Gerald Thomas, Ulisses Cruz, William Pereira, Moacir Góes, e outros, mais ou menos presentes na cena teatral ao longo da década, que teve também a presença de Eduardo Tolentino e o conjunto preciso de seu Grupo TAPA. Espetáculos belíssimos foram criados, mas sem a força instigante do teatro épico. Temos, isoladamente, uma bela experiência que se perdeu com a morte de Luiz Roberto Galízia, e a mudança de foco para Molière, por seu animador, Cacá Rosset, que foi a do Grupo Ornitorrinco, que montou Mahagonny e produziu a colagem Ornitorrinco Canta Brecht e Weill, de onde derivou a produção do espetáculo solo Cida Moreyra Canta Brecht.Dos anos 90 para cá, o momento de ressurgimento de Brecht como força propulsora estética e politicamente, para o teatro brasileiro, coincide com a retomada do trabalho em grupo, com as propostas, em São Paulo (frize-se), da Companhia do Latão, Folias D´Arte, Parlapatões, Teatro Ágora, Teatro da Vertigem, Fraternal Companhia de Arte e Malas-Artes e outros grupos. Animado por jornalistas, críticos e militantes teatrais, o Movimento Arte Contra a Barbárie produziu um projeto de lei, encampado por um vereador do PT, Vicente Cândido, aprovado e sancionado pela prefeita da capital, Marta Suplicy, que deu origem à Lei de Fomento ao Teatro, provedora de espaços (teatros da prefeitura) e recursos (dotações anuais parceladas mês a mês) que permitem o necessário fôlego para o desenvolvimento de trabalhos a médio e longo prazo. Brecht continua sendo a referência para os artistas desses grupos, não apenas como autor mais próximo ideologicamente de sua formação política, e da relação pragmática que se estabeleceu entre esses grupos e o poder público na atual gestão petista da cultura em São Paulo, mas principalmente pelo desafio que representa aos criadores. Aí estão dramaturgos, dramaturgistas, em colaboração direta com atores, diretores, cenógrafos, no chamado processo colaborativo, ou na criação de uma dramaturgia em processo, à procura de caminhos para o teatro no Brasil. É obrigatória a referência a Antônio Araújo e os atores do Teatro da Vertigem (atualmente em viagem de pesquisa pelo interior do Brasil no Projeto BR3); ao manancial criativo de Luis Alberto de Abreu - e seu Núcleo de Dramaturgia da Escola Livre de Teatro de Santo André e a Fraternal Cia de Artes e Malas-Artes; à pesquisa fundamentada em sólido trabalho teórico e prático de Sérgio de Carvalho, Marcio Marciano e a Companhia do Latão; a Reinaldo Maia, Marco Antonio Rodrigues e atores do Galpão Folias D´Arte; nos seminários e publicações que esses grupos, como o Teatro Ágora, têm produzido. Neste milênio que se inicia, as condições políticas e estéticas nunca foram tão boas para se compreender as idéias e o teatro de Brecht. Existem outras referências do universo teatral, como Artaud, Boal, Eugênio Barba, Grotowski, Peter Brook. Há uma busca incessante no teatro, talvez mais do que na sociedade, por um sentido para o Homem. E isso não se traduz só em imagens, mas em palavras, em ações, em novos personagens e propostas cênicas. Finalizo este texto ao comentar a montagem da UNICAMP de Terror e Miséria do Terceiro Reich, que esteve em cartaz até 11/08/04 na "Casa das Caldeiras", na avenida Francisco Matarazzo, aqui em São Paulo. O diretor, Marcelo Lazzaratto, fez uma excelente leitura de 16 dos 24 quadros da peça, escrita por Brecht no exílio, entre 1935 e 1938. O uso do espaço de uma antiga fábrica dos Matarazzo, com ambientação de cenas em diversos locais que lembram os porões do nazismo, e a generosidade do elenco de jovens estudantes de teatro da UNICAMP, traziam aos espectadores imagens e momentos que já foram mostrados de diversas maneiras pela mídia, pelo cinema, por fotografias e pela crueza de documentários sobre o holocausto. No entanto, nos quase 200 minutos de espetáculo, quando nos locomovemos por aquele espaço, vimos - porque isso nos foi mostrado pelos atores, didaticamente - quanto o medo pode destruir vidas, valores, conceitos, projetos, indivíduos e nações. Não estávamos lá para sentir, não precisávamos nos identificar com o sofrimento humano ali mostrado. Como não precisamos nos identificar, talvez possamos refletir sobre o que vimos e ouvimos. Duas conclusões: tanto abjeta pode ser a piedade, como quanto cínica é a compaixão. E o mais covarde é o que apenas se "solidariza" com o sofrimento alheio.Hannah Arendt mostra, num ensaio sobre Brecht, publicado no livro "Homens em tempos sombrios", o percurso atormentado do jovem hedonista para o homem em dúvida sobre suas escolhas, ao final da vida, e a submissão do poeta ao stalinismo, em sua volta "ao lar", quando ganhou de presente um teatro do Estado, o Berliner Ensemble. Ora, o "pobre B.B.", que nunca "desperdiçou nenhuma partícula de piedade consigo mesmo", não queria ensinar ou ser modelo para ninguém, apenas quis ser o que mais desejou ser na vida: poeta. E olhem que isso não é fácil, em qualquer tempo ou lugar...* Comunicação apresentada em 17/08/04, na XII ª Semana de Ciências Sociais da PUC-SP/ 2004 no Grupo de Trabalho: Linguagens e estéticas transversais.** Eduardo Luiz Viveiros de Freitas (Eduardo Viveiros) - doutorando do Programa de Estudos Pós-graduados em Ciências Sociais, e membro do NEAMP (Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política), Departamento de Política, Faculdade de Ciências Sociais / PEPg em Ciências Sociais da PUC-SP( Eduardo Luiz Viveiros de Freitas** 17/08/2004 )
Bertolt Brecht (1898-1956), poeta e dramaturgo alemão, teve suas obras traduzidas e peças teatrais montadas no Brasil, ao longo do século XX, e está em cartaz neste novo século. A presente comunicação abordará alguns desses momentos, e procurará pontuar aspectos estéticos e políticos da trajetória de Brecht entre nós.Sobre a vida e obra de Bertolt Brecht, escrevi em outro trabalho, apresentado no Seminário "Arte e Política", em 1998, promovido pelo NEAMP (Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política) . Aqui, serão abordados alguns momentos da recepção de suas idéias, a montagem de suas peças teatrais, e a influência do autor sobre o teatro brasileiro, especificamente o teatro feito em São Paulo. Serão pontuadas algumas observações sobre o momento estético e político em que isso acontece.Um desses momentos é a montagem da peça O Rei da Vela, pelo Teatro Oficina, em 1967. Escrita em 1933 e publicada em 1937, a peça de Oswald de Andrade representou o exemplo inaugural de um teatro concebido segundo os princípios do modernismo, para o crítico Sábato Magaldi. A análise cor de rosa da realidade brasileira é substituída por uma visão desmistificadora do Brasil. A peça demole todos os valores sobre os quais se erigiu a "nacionalidade" brasileira, é inovadora do ponto de vista cênico, renega a tradição teatral da época, utilizando-se da paródia, da caricatura feroz, introduzindo a estética da descompostura. "A burguesia só produziu um teatro de classe. A apresentação de classe. Hoje evoluímos. Chegamos à espinafração", definia o programa a ser desenvolvido pelo espetáculo. No ano de 1967, a montagem do Oficina tirou a máscara do Brasil.Mesmo admitindo que dificilmente Oswald de Andrade conhecesse Brecht, cuja Ópera dos Três Vinténs havia sido apresentada em Paris, após a temporada alemã de 1928, é possível especular sobre a utilização pelo autor, ao escrever a peça, mais de uma vez, do efeito de estranhamento (ou distanciamento) criado pelo dramaturgo alemão. A peça talvez não tenha sido escrita sob a influência de Brecht, mas a montagem do Oficina de José Celso Martinez Corrêa, tendo Renato Borghi no papel principal, carnavalizava o Brasil colonizado, e apresentava as estratégias de sempre de que se valem, na visão de Oswald, as classes privilegiadas para preservar seus interesses. O golpe militar de 1964 havia feito o país regredir a um melancólico obscurantismo, a vida havia como que se paralisado, e uma das frentes de resistência (em alguns momentos, a única) estava na luta cultural, no embate estético. As idéias de Brecht já eram mais ou menos conhecidas no Brasil, desde sua morte em 1956. Sobre o autor, o crítico Sábato Magaldi escrevera um artigo para o Suplemento Cultural do Estadão nesse mesmo ano. Uma montagem de A Alma Boa de Setsuan foi realizada em 1958, pela Companhia Maria Della Costa-Sandro Polloni, em São Paulo. Não apenas a capital paulista, mas Rio de Janeiro, Salvador e Porto Alegre, principalmente, viram montagens de Brecht nesses mais de 40 anos em que o autor é conhecido no Brasil.A influência das idéias e da estética do dramaturgo alemão é patente em autores, diretores e demais artistas de teatro, em instituições e entidades culturais e políticas como Oduvaldo Vianna Filho, o "Vianinha", e nos CPCs da UNE (Centros Populares de Cultura da União Nacional dos Estudantes). De Augusto Boal, criador do Sistema Curinga, inspirado no distanciamento brechtiano, os textos e montagens como Revolução na América do Sul, Arena Conta Zumbi e Arena Conta Tiradentes, e todo o desenvolvimento posterior de sua teoria teatral (Teatro do Oprimido, Teatro-Fórum, Teatro Invisível e Teatro Legislativo), são realizações que devem muito ao Pequeno Organon (1948) e ao Teatro de Brecht.Também nesse quadro insere-se o Teatro Oficina de José Celso Martinez Corrêa, na já citada montagem do Rei da Vela, e nas elogiadas Galilei Galileu e Na Selva das Cidades, do próprio Brecht, e mesmo no polêmico Roda Viva, de Chico Buarque, dirigido por José Celso. Ainda Gianfrancesco Guarnieri (que apesar de usar "black tie" na forma dramática, não deixou de fazer um macacão épico, contrariando Iná Camargo da Costa), Francisco de Assis, Aderbal Freire Filho, O Grupo Opinião e seus shows (no Rio de Janeiro), Fauzi Arap, Dias Gomes, e, por que não?, Millôr Fernandes, no momento em que concebeu o espetáculo "Liberdade, Liberdade", junto com Flávio Rangel. "Liberdade, Liberdade", um roteiro recheado de textos de vários autores e personalidades da história humana (Brecht ao lado de Churchill, Shakespeare, Manuel Bandeira, Sócrates, entre outros), foi transformado em espetáculo em 1965/1966, no Rio de Janeiro e em São Paulo e assim foi recebido pelo crítico Athos Abramo:"A atenção do público é mantida sempre agudamente alerta pela inteligente, sóbria e eficaz intercalação entre roteiro e textos escolhidos (....) o espetáculo 'voa', por assim dizer, num dramático jogo, intenso e penetrante, entre o quase sempre épico dos textos e o quase sempre satírico do roteiro, num diálogo de natureza coral entre sentimento e razão, no qual tomam forma e expansão tanto a consciência da nossa condição coletiva como a da nossa condição individual e íntima." Paulo Autran e Oduvaldo Vianna Filho, ao lado de Teresa Rachel, garantiram a qualidade do espetáculo. Não deixa de ser interessante, porém, a observação do mesmo crítico sobre o trabalho da atriz: "Também o trabalho de Teresa Rachel merece destaque. Na cena de Brecht ela atinge uma comovente intensidade". A "tropicalização" de Brecht fez com que fossem encontrados argumentos para contestar os que consideram que a pesquisa formal de Brecht, na busca de uma ciência em cena, ciência do homem , reduzia tudo à categoria do objeto (racional, frio), sem deixar espaço para a subjetividade, a emoção.Para ficarmos no momento político-estético mais sensível da recepção de Brecht no Brasil, as experiências e artistas acima mencionados um pouco caoticamente, que aconteceram/ atuaram, principalmente, dos anos 50 a fins dos anos 60, podem ter deixado de lado o apuro na aplicação dos postulados teóricos e técnicos criados por Brecht. Mas convém não esquecer que, no enfrentamento político-cultural dos primeiros tempos da ditadura, importava mais o "que" se fazia do que "como" se fazia. O "como" foi feito, o julgamento severo de autoras como Iná Camargo da Costa, no seu "A Hora do Teatro Épíco no Brasil", pode ser "comodamente" feito com a devida distância no tempo (1996). Resta saber se, mesmo assim, faz-se justiça estética a criadores que atuaram em condições tão adversas. De resto, a resposta do "imortal" Sábato Magaldi às críticas da autora em artigo do mesmo ano (Polêmica do Teatro Épico - 1996), republicado no seu "Depois do Espetáculo" (2003), faz um contraponto que merece ser lido.Do ponto de vista da crítica e do movimento editorial, Brecht foi e vai bem, obrigado, no Brasil. A partir de críticos, pesquisadores e ensaístas como Anatol Rosenfeld, o citado Sábato Magaldi, Ingrid Koudela, Gerd Bornheim, Jaco Guinsburg, Antonio Pasta Jr, Fernando Peixoto (tradutor, também, do Teatro Completo de Brech -12 vols.- , e mais recentemente, Sérgio de Carvalho, Márcio Marciano; de tradutores como Manuel Bandeira (O Círculo de Giz Caucasiano), Christine Röhrig (O declínio do egoísta Johann Fatzer), Paulo Cesar Souza e Geir Campos (Poemas e Canções) e Maria Silvia Betti (O Método Brecht, de Frederic Jameson), pudemos ter acesso a muitas obras do autor e sobre sua vida e postulados teóricos.Num breve percurso pelos anos 70 e 80, vimos o arrefecimento da censura (sem esquecer Plínio Marcos, ao lado de Nelson Rodrigues, um dos autores mais censurados do Brasil), com o fim do AI-5, e o surgimento de um novo tipo de teatro, agora não mais baseado na força da dramaturgia, que entrou em fase de declínio no Brasil nos anos 80, quando o texto deixa de ser uma das fontes principais para o espetáculo teatral. Na chamada década perdida (pelos economistas...), o teatro dos anos 80 viu minguar a criatividade e frustrar-se a expectativa de que, com a redemocratização, o universo dramatúrgico represado pelos anos de censura iria fazer despontar os melhores textos teatrais. As metáforas dos anos 60 e o experimentalismo (a "criação coletiva") dos anos 70 revelaram-se obsoletos para uma era de individualismo exacerbado, predomínio da imagem e busca do efeito estético que impressionava, como os anos 80. Em parte o vácuo foi preenchido pelo besteirol (Mauro Rási), mas a hegemonia foi quase total dos encenadores-criadores, como Antunes Filho, Gerald Thomas, Ulisses Cruz, William Pereira, Moacir Góes, e outros, mais ou menos presentes na cena teatral ao longo da década, que teve também a presença de Eduardo Tolentino e o conjunto preciso de seu Grupo TAPA. Espetáculos belíssimos foram criados, mas sem a força instigante do teatro épico. Temos, isoladamente, uma bela experiência que se perdeu com a morte de Luiz Roberto Galízia, e a mudança de foco para Molière, por seu animador, Cacá Rosset, que foi a do Grupo Ornitorrinco, que montou Mahagonny e produziu a colagem Ornitorrinco Canta Brecht e Weill, de onde derivou a produção do espetáculo solo Cida Moreyra Canta Brecht.Dos anos 90 para cá, o momento de ressurgimento de Brecht como força propulsora estética e politicamente, para o teatro brasileiro, coincide com a retomada do trabalho em grupo, com as propostas, em São Paulo (frize-se), da Companhia do Latão, Folias D´Arte, Parlapatões, Teatro Ágora, Teatro da Vertigem, Fraternal Companhia de Arte e Malas-Artes e outros grupos. Animado por jornalistas, críticos e militantes teatrais, o Movimento Arte Contra a Barbárie produziu um projeto de lei, encampado por um vereador do PT, Vicente Cândido, aprovado e sancionado pela prefeita da capital, Marta Suplicy, que deu origem à Lei de Fomento ao Teatro, provedora de espaços (teatros da prefeitura) e recursos (dotações anuais parceladas mês a mês) que permitem o necessário fôlego para o desenvolvimento de trabalhos a médio e longo prazo. Brecht continua sendo a referência para os artistas desses grupos, não apenas como autor mais próximo ideologicamente de sua formação política, e da relação pragmática que se estabeleceu entre esses grupos e o poder público na atual gestão petista da cultura em São Paulo, mas principalmente pelo desafio que representa aos criadores. Aí estão dramaturgos, dramaturgistas, em colaboração direta com atores, diretores, cenógrafos, no chamado processo colaborativo, ou na criação de uma dramaturgia em processo, à procura de caminhos para o teatro no Brasil. É obrigatória a referência a Antônio Araújo e os atores do Teatro da Vertigem (atualmente em viagem de pesquisa pelo interior do Brasil no Projeto BR3); ao manancial criativo de Luis Alberto de Abreu - e seu Núcleo de Dramaturgia da Escola Livre de Teatro de Santo André e a Fraternal Cia de Artes e Malas-Artes; à pesquisa fundamentada em sólido trabalho teórico e prático de Sérgio de Carvalho, Marcio Marciano e a Companhia do Latão; a Reinaldo Maia, Marco Antonio Rodrigues e atores do Galpão Folias D´Arte; nos seminários e publicações que esses grupos, como o Teatro Ágora, têm produzido. Neste milênio que se inicia, as condições políticas e estéticas nunca foram tão boas para se compreender as idéias e o teatro de Brecht. Existem outras referências do universo teatral, como Artaud, Boal, Eugênio Barba, Grotowski, Peter Brook. Há uma busca incessante no teatro, talvez mais do que na sociedade, por um sentido para o Homem. E isso não se traduz só em imagens, mas em palavras, em ações, em novos personagens e propostas cênicas. Finalizo este texto ao comentar a montagem da UNICAMP de Terror e Miséria do Terceiro Reich, que esteve em cartaz até 11/08/04 na "Casa das Caldeiras", na avenida Francisco Matarazzo, aqui em São Paulo. O diretor, Marcelo Lazzaratto, fez uma excelente leitura de 16 dos 24 quadros da peça, escrita por Brecht no exílio, entre 1935 e 1938. O uso do espaço de uma antiga fábrica dos Matarazzo, com ambientação de cenas em diversos locais que lembram os porões do nazismo, e a generosidade do elenco de jovens estudantes de teatro da UNICAMP, traziam aos espectadores imagens e momentos que já foram mostrados de diversas maneiras pela mídia, pelo cinema, por fotografias e pela crueza de documentários sobre o holocausto. No entanto, nos quase 200 minutos de espetáculo, quando nos locomovemos por aquele espaço, vimos - porque isso nos foi mostrado pelos atores, didaticamente - quanto o medo pode destruir vidas, valores, conceitos, projetos, indivíduos e nações. Não estávamos lá para sentir, não precisávamos nos identificar com o sofrimento humano ali mostrado. Como não precisamos nos identificar, talvez possamos refletir sobre o que vimos e ouvimos. Duas conclusões: tanto abjeta pode ser a piedade, como quanto cínica é a compaixão. E o mais covarde é o que apenas se "solidariza" com o sofrimento alheio.Hannah Arendt mostra, num ensaio sobre Brecht, publicado no livro "Homens em tempos sombrios", o percurso atormentado do jovem hedonista para o homem em dúvida sobre suas escolhas, ao final da vida, e a submissão do poeta ao stalinismo, em sua volta "ao lar", quando ganhou de presente um teatro do Estado, o Berliner Ensemble. Ora, o "pobre B.B.", que nunca "desperdiçou nenhuma partícula de piedade consigo mesmo", não queria ensinar ou ser modelo para ninguém, apenas quis ser o que mais desejou ser na vida: poeta. E olhem que isso não é fácil, em qualquer tempo ou lugar...* Comunicação apresentada em 17/08/04, na XII ª Semana de Ciências Sociais da PUC-SP/ 2004 no Grupo de Trabalho: Linguagens e estéticas transversais.** Eduardo Luiz Viveiros de Freitas (Eduardo Viveiros) - doutorando do Programa de Estudos Pós-graduados em Ciências Sociais, e membro do NEAMP (Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política), Departamento de Política, Faculdade de Ciências Sociais / PEPg em Ciências Sociais da PUC-SP( Eduardo Luiz Viveiros de Freitas** 17/08/2004 )
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
feliz 2009
Esse ano tem tudo para ser um ano promissor, pois todos os sentidos nos levam,basta acreditar nos ideais de mudança e renovar todos os nossos conceitos e buscar novos rumos...
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